sábado, 12 de agosto de 2017

Li um livro que pertenceu ao meu avô / Sobre Oração aos Moços de Ruy Barbosa


Eu não esperava que o título do livro fosse algo relacionado ao curso de Direito, apesar de ser escrito por Ruy Barbosa. “Oração aos Moços” foi um discurso que o autor preparou para doutorandos da Faculdade de Direito de São Paulo, em 1920.

Por estar adoecido naquele dia (ele morreria três anos depois), o discurso foi lido pelo prof. Dr. Reinaldo Porchat.

A edição que eu tenho em mãos é de 1949 e foi dado pelo diretor (na época se escrevia director) na colação de grau da Faculdade de Direito da Universidade do Recife em cinco de novembro para o meu avô paterno Dercílio de Andrade Pereira.

Aqui você vai encontrar algumas fotos dessa edição.

Peguei o livro por um motivo pessoal. O meu pai estava se desfazendo de alguns livros e deixou que eu escolhesse alguns antes de doar. Vi um livro pequeno, e por ser tão curiosa em relação a livros velhos, eu acabei pegando ele. Meu pai contou que era do meu avô.

Não pude conhecê-lo. Ele morreu antes mesmo de eu ter nascido. Meu pai me contou histórias isoladas da infância dele com o pai – rigoroso, militar e leitor assíduo. A morte dele foi um mistério para mim durante anos. Parece que ele se suicidou.

Let’s come back about the book!

No começo achei que ia ser uma leitura chata. Mas como sempre, eu insisti e não me arrependo. Mesmo não sendo da área de Direito, achei as palavras do Ruy Barbosa muito pertinentes e descobri um Brasil que não mudou absolutamente nada de lá para cá sobre política, corrupção, lei e justiça. E para entender melhor, leia alguns trechos que deixei disponível aqui no blog.

Apesar do assunto sério, eu pude rir um pouco dos conselhos do jurista e diplomata Ruy Barbosa.

“Não invertais a economia do nosso organismo: não troqueis a noite pelo dia, dedicando este à cama, e aquela às distrações. O que se esperdiça para o trabalho com as noitadas inúteis, não se lhe recobra com as manhãs de extemporâneo dormir, ou as tardes de cansado labutar”.

Eu consigo ouvir isso da boca dos meus professores da faculdade. Muito normal de professores dar conselhos desse tipo para os estudantes.

Como um bom religioso, Barbosa aconselhava os estudantes a acordar cedo e louvar a D’us.

O autor deu vários conselhos como não faltar com a fidelidade, não antecipar os poderosos aos desvalidos, não se envolver com partidos políticos e etc.

*  *  *

Ruy Barbosa foi muito estimado pelo país inteiro até os seus cem anos de nascimento. Talvez os jovens de hoje, jovens como eu, não tenham ouvido muito sobre ele. Nasceu baiano, morreu no Rio de Janeiro. Era um gênio desde muito pequeno. Seu rosto foi estampado em notas de dez mil cruzeiros e, posteriormente, nas notas de dez cruzados. Seu rosto também estava nos vinte centavos de cruzeiro e em selos do Correio.

Morreu aos 73 anos, em 1923, por causa de um grave endema pulmonar.

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