quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

10 livros para 2016


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O macaco e o alvejado

Recentemente conheci uma mulher que veio falar comigo numa festa alegando que aquelas pessoas que estavam na mesa eram racistas. Conheço bem essas pessoas para saber que não são, mas vamos lá.

O ambiente estava com muito barulho mas vou tentar: ela disse que "aquele menino" não se considerava negro, mas ele tinha cabelos pretos e cacheados. Ao longo da festa, todo mundo que estava ali era racista.

Perdi a discussão mas, exemplificando, alguém disse: "como é que aquela menina 'fica' com aquele nego". Não sei se é uma exclusividade nordestina mas chamar uma pessoa de nego e nega é em tom carinhoso e porque diabos isso seria racismo?

Existe uma diferença entre cor de pele e descendência. Vi em um site (que procuro agora e não acho) uma pesquisa com vários artistas considerados "negros" por sua pele com suas respectivas descendências. Não me surpreendi de metade deles terem uma boa porcentagem de branco correndo em suas veias.

Quem já esteve na escola e estudou DNA em Biologia talvez entenda o que estou falando. Brasileiros são todos misturados de sangue negro, branco, índio e por aí vai. A cor da pele não poderia ser diferente, o que acontece é que ninguém nasce branco ou preto, alguns sim, mas maioria do Brasil é moreno e pardo (falo do tom de pele, não existe sangue com informações morenas ou pardas).

A cor da pele de uma pessoa é uma característica, assim como gordo, magro, alto, baixo. Não estamos discriminando ninguém caso diga assim: "Estou procurando um homem negro, gordo e baixo". Fora que conheço pessoas, tanto mais velhas quanto mais novas, que tem apelidos como preta, pretinha, neguinho e etc.

Uma coisa que eu não entendo e que contaminou a internet é essa coisa de orgulho isso, orgulho aquilo. Gente, não importa a tua pele, teu cabelo, tua orientação sexual, ou o sangue que corre nas tuas veias, o que importa é ter orgulho que tu é de verdade, sendo negro, branco, gay, hétero. Essas coisas não importam, o que importa e o que você tem de ter orgulho é do teu caráter, da tua força pra vencer na vida, da tua coragem, das tuas ações.

Eu odeio essa estória do "clube da luluzinha". Só faz separar as pessoas e não unir, de fato, ou discutir o assunto. Tanto negros quanto brancos foram escravizados. Se brancos quisessem fazer o dia deles, por exemplo, quantas pessoas iriam acusá-los de racismo? E o Orgulho Gay? Por que não pode ter Orgulho Hétero? E por que diabos vocês não excluem essas páginas e esses clubes e fazem "Orgulho de ser quem sou"?

Essa mulher que acusou todo mundo da festa de racistas chamava os mais brancos de "alvejados". Não estou brincando e deveria ter filmado isso pra provar. Mas enfim, que tipo de pessoa chama o outro de "alvejado"? Uma dica: é o mesmo tipo de pessoa que chama o negro de macaco. Irônico não é?

O que eu acho dessa enxurrada de gente que utilizaram perfis fakes pra praticar racismo são apenas pessoas que querem aparecer e estão conseguindo. Graças à mídia e graças a vocês.

Há um tempo atrás eu vivia andando com uma amiga que era bissexual e depois de um tempo as pessoas começaram a dizer que eu era lésbica. Pessoas que não me conheciam, obviamente. O que eu fiz? Ignorei completamente.

Minha mãe é o tipo de pessoa que tem amizades sem preconceitos. Mas como eu não fui uma garota vaidosa e gostava de usar roupas confortáveis, ela achava que eu era lésbica. E vocês acham que ela ficou feliz por isso? Sabe o que ela me aconselhou quando soube que várias pessoas estavam dizendo que eu era lésbica? Ela disse para me afastar da minha amiga. Aí vocês já sabem que é aquele tipo de preconceito mascarado. A mesma coisa é pro machismo. Minha mãe acha que não é machista, mas eu cresci ouvindo ela dizer que a menina (pra casar) tem de aprender a cozinhar, cuidar da casa e etc. Pois é.

Essa coisa de negro no Brasil é tão complexa que há pérolas acontecendo por aí. Sabe a cota para negros? Dois irmãos gêmeos e pardos. Um foi considerado negro e o outro branco. Como você classificaria um pardo? Negro ou Branco? Os dois não?

Se a cota foi um modo de "recompensar" descendentes de negros escravos, por que a cor da pele importa? Não sabemos se, por exemplo, alguns albinos são descendentes de negros ou não. Muito provavelmente são. Como vocês resolvem essa questão?

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

trechos de O Poder do Agora

O único problema é a própria mente limitada pelo tempo. - 64

Você não pode estar infeliz e completamente presente no Agora, ao mesmo tempo. - 65

No momento em que a nossa atenção se volta para o Agora, percebemos uma presença, uma serenidade, uma paz. Não dependemos mais do futuro para obtermos plenitude e satisfação, não o olhamos mais como salvação. Consequentemente, não estamos mais presos aos resultados. Nem o fracasso nem o sucesso têm o poder de alterar o estado interior do ser. - 71

A poluição do planeta é apenas um reflexo externo de uma poluição interior psíquica gerada por milhões de indivíduos inconscientes, sem a menor responsabilidade pelos espaços que trazem dentro de si. - 80

Se não há mesmo nada a fazer e você não pode mudar a situação, então aceite o aqui e agora totalmente, abandonando toda a resistência interior. O falso e infeliz  eu interior, que adora sentir-se miserável, ressentido ou com pena de si mesmo, não consegue mais sobreviver. Isso se chama rendição. A rendição não é uma fraqueza. Há uma grande força nela. Somente alguém que se rendeu tem poder espiritual. Através da rendição, você se livrará da situação internamente. É possível que você perceba uma mudança na situação sem que tenham sido necessários maiores esforços da sua parte. De qualquer forma, você está livre.
Ou haverá algo que você "deveria" estar fazendo mas não está? Levante-se e faça agora. Ou, em vez disso, aceite totalmente a sua inatividade, preguiça ou passividade neste momento, se esta é a sua escolha. Mergulhe nela por inteiro. Desfrute-a. Seja tão preguiçoso ou inativo quanto puder. Se você fizer isso conscientemente, logo sairá dela. Ou talvez não. Em qualquer dos casos, não há nenhum conflito interior, nenhuma resistência, nenhuma negatividade.
Você está sofrendo de estresse? Pensa tanto no futuro que o presente está presente está reduzido a um meio para chegar lá? O estresse é causado pelo estar "aqui" embora se deseje estar "lá", ou por se estar no presente desejando estar no futuro. É uma divisão que corta a pessoa por dentro. Criar e viver com essa divisão é insano. O fato de que todas as pessoas estão agindo assim não torna ninguém menos insano. Se você não pode fugir disso, tem de se movimentar rápido, trabalhar rápido, ou até mesmo correr, sem se projetar no futuro e sem resistir ao presente. Quando se movimentar, trabalhar e correr, faça tudo por inteiro. Desfrute o fluxo de energia, a alta energia desse momento. Agora não há mais estresse, não há mais divisão por dois, apenas o movimento, a corrida, o trabalho. Desfrute essas atitudes. Ou você também pode abandonar tudo e se sentar num banco do parque. Mas, ao fazê-lo, observe a sua mente. Pode ser que ela diga: "Você devia estar trabalhando. Está perdendo o seu tempo." Observe a mente. Sorria para ela. - 84-85

Para testar o grau de presença, alguns mestres zen tornaram-se, conhecidos por se aproximarem dos alunos por trás e, de súbito, atingi-los com um bastão. Que susto! Se o aluno estivesse totalmente presente e em estado de alerta, se tivesse "mantido seu lombo cingido e sua lamparina acesa", que é uma das analogias de que Jesus se utiliza para falar da presença, o aluno teria percebido o mestre se aproximar e o teria imobilizado ou se desviado para o lado. Mas, se o aluno fosse atingido, significaria que estava mergulhado em seus pensamentos, o que quer dizer, ausente, inconsciente.
Para ficarmos presentes no dia-a-dia, ajuda muito estarmos profundamente enraizados dentro de nós. Do contrário, a mente, que tem um impulso inacreditável, nos arrastará com ela, como um rio caudaloso. - 95

"Nem só de pão vive o homem". - 132

A humanidade está sob uma grande pressão para se desenvolver, porque é a única chance de sobreviver como raça. Isso vai afetar cada aspecto da nossa vida e de nossos relacionamentos. Nunca antes os relacionamentos foram tão problemáticos e oprimidos por conflitos como hoje em dia. Você deve ter notado que eles não aparecem para nos fazer felizes ou satisfeitos. Se você continuar buscando um relacionamento como forma de salvação, vai se desiludir cada vez mais. Mas, se você aceitar que o relacionamento está aqui para tornar você consciente em lugar de feliz, então o relacionamento vai lhe oferecer a salvação e você estará se alinhando com a mais alta consciência que quer nascer neste mundo. Para os que se mantiverem apegados aos padrões antigos, haverá cada vez mais sofrimento, violência, confusão e loucura. - 158

Enquanto você construir a sua identidade em função do sofrimento, não conseguirá se livrar dele... é torná-lo consciente. - 167

Você conhece a história de Banzan? Antes de se tornar um grande mestre zen, ele passou muitos anos perseguindo a iluminação, mas ela o iludia. Então, um dia, enquanto andava pelo mercado, ouviu uma conversa entre um açougueiro e seu freguês. "Me dê o melhor pedaço de carne que você tem aí", disse o freguês. E o açougueiro respondeu: "Todo pedaço de carne que tenho é o melhor. Não há nenhum pedaço de carne aqui que não seja o melhor." Depois de ouvir isso, Banzan se tornou iluminado.
Posso ver você esperando alguma explicação. Quando aceitamos o que é, todo pedaço de carne - todo momento - é o melhor. Isso é iluminação. - 189-190

Somente aqueles que transcenderam o mundo conseguem criar um mundo melhor. - 196

Querer aliviar o sofrimento do mundo é uma coisa muito nobre, mas lembre-se de não se concentrar exclusivamente no exterior, do contrário você vai sentir frustração e desespero. - 198

Quando você estiver transformando, todo o seu mundo fica transformado, porque o mundo é somente um reflexo. - 210-211

Não culpe a vida por tratar você tão mal, mas também não se culpe de nada. - 211


O Poder do Agora - Um guia para a iluminação espiritual - Eckhart Tolle - Ed. Sextante, 2002, 8ªed.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Como estudar?

Estudar exige mais do que paciência e força de vontade. Estudar requer também, muita disciplina e o domínio de algumas técnicas - às vezes, simples - para que o aprendizado seja feito com a máxima eficiência e o mínimo de tempo.

Uma boa dica é não deixar tudo para a véspera. De fato, não é fácil conseguir motivação hoje, e começar a estudar para uma prova que só será daqui a 2 semanas. Mas isso, é só uma questão de reeducação de hábitos. Experimente tirar 2 horas de seus dias, para estudar o conteúdo das aulas dadas naquele dia. Com o tempo, você terá mais facilidade em compreender e memorizar toda a matéria, e ainda sentirá uma queda no nível de stress das vésperas de prova, quando o conteúdo se acumula, e você não sabe nem por onde começar a estudar. Com essa metodologia, o menos vai virar mais. A matéria estará sempre fresca na sua cabeça, e estudando menos, você estará aprendendo mais.

Abaixo seguem mais algumas dicas, bastante interessantes.

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Como ler bem

"Ler um livro é estabelecer um diálogo animado pelo desejo de compreender. Nossa leitura deve ser governada por um princípio fundamental de respeito à voz que nos fala no livro. Não temos o direito de desprezar um livro só porque contradiz nossas convicções, como também não devemos elogiá-lo incondicionalmente se estiver de acordo com elas". (Prof. Armando Zubizarreta).

Qualquer leitor, portanto, tem como primeiro desafio o de estar pronto para ler: disposto a aprender e aproveitar a leitura. Mesmo em caso de tratar-se, à primeira vista, de mera tarefa e não de algo que possa lhe dar prazer. Essa preparação exige dois pré-requisitos: prestar atenção e evitar a avidez. Devorar centenas de páginas não leva a nada.

Você vai ler? Saiba então que a compreensão de um texto exige mais do que o simples correr dos olhos sobre as letras. Comece por escolher um local tranqüilo, confortável, bem iluminado. E não se apavore em caso de não conseguir entender tudo de imediato. A compreensão depende do nível cultural do leitor, que vai se ampliando a cada nova leitura ou releitura.

Recomenda-se, em geral, que não se passe ao parágrafo seguinte sem ter entendido bem o anterior. Isso você pode conseguir, voltando e relendo o trecho quantas vezes forem necessárias e, se preciso, recorrendo a dicionários e enciclopédias. No entanto, não se deve interromper demais a leitura. Por isso, conforme-se em aprender o significado geral, sabendo que, com o hábito de ler, essa tarefa vai ficar cada vez mais fácil.

Lembre-se sempre que um mínimo de disciplina é indispensável ao leitor que quer ou precisa aprender. A leitura, para ser mais produtiva, pode ser dividida em fases: 

  • Faça um reconhecimento do texto para saber de que assunto trata. Mesmo no caso de romance é bom ter uma idéia do tema central. 
  • Procure isolar as informações principais. Para isso, é bom sublinhar ou assinalar passagens. 
  • Ao encontrar expressões especializadas, (de medicina, direito, etc.) procure conhecer e anotar seus significados. Assim, além de aumentar seu vocabulário, você conseguirá uma correta interpretação de sua leitura. 
  • Procure separar os fatos, das interpretações que deles faz o autor. Retome as informações essenciais que foram isoladas anteriormente, para saber que relações existem entre elas. 

Assim, você estará pronto para estabelecer suas próprias idéias sobre o texto. Mas lembre-se: o trabalho intelectual exige rigor. Por isso nunca é demais voltar ao texto, reler e aperfeiçoar a leitura.

Como tomar notas

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A escrita é um poderoso instrumento para preservar o conhecimento. Tomar notas é a melhor técnica para guardar as informações obtidas em aula, em livros, em pesquisas de campo. Manter os apontamentos é fundamental. Logo, nada de rabiscar em folhas soltas. Mas também não se deve ir escrevendo no caderno tudo que se ouve, lê ou vê. Tomar notas supõe rapidez e economia. Por isso, as anotações têm de ser:

a) suficientemente claras e detalhadas, para que sejam compreendidas mesmo depois de algum tempo;

b) suficientemente sintéticas, para não ser preciso recorrer ao registro completo, ou quase, de uma lição.

Anotar é uma técnica pessoal do estudante. Pode comportar letras, sinais que só ele entenda. Mas há pontos gerais a observar. Quando se tratar de leitura, não basta sublinhar no livro. Deve-se passar as notas para o caderno de estudos. O aluno tem de se acostumar à síntese: aprender a apagar mentalmente palavras e trechos menos importantes para anotar somente palavras e conceitos fundamentais. Outros recursos: jamais anotar dados conhecidos a ponto de serem óbvios; eliminar artigos, conjunções, preposições e usar abreviaturas.

É preciso compreender que anotações não são resumos, mas registros de dados essenciais.

Como educar a memória

Aprender é uma operação que não se resume a adquirir noções, mas consiste em reter o que foi lido, reproduzir e reconhecer uma série de experiências e pensamentos. Portanto, é imprescindível educar a memória. Logo após o estudo de algum ponto ou matéria, nota-se que o esquecimento também trabalha: a mente elimina noções dispensáveis. Sem disciplina, entretanto, nunca haverá um jogo útil entre memória e esquecimento, entre horas de estudo e horas de descanso.

Para facilitar o aprendizado e fixar na memória os conteúdos aprendidos, basta proceder a uma série de operações sucessivas e gradativas no tempo. Repetir é importante, mas não só: saber de cor nem sempre vai além de um papaguear mecânico. As técnicas psicológicas de memorização são complexas, mas podem ser utilizadas simplificadamente pelo estudante. Algumas indicações:

a) ler mentalmente e compreender o assunto;

b) reler em voz alta;

c) concentrar a atenção em aspectos específicos: nomes, datas, ambientes, etc.;

d) notar semelhanças, diferenças, relações;

e) repetir várias vezes em voz alta ou escrever os conhecimentos adquiridos (os pontos principais);

f) fazer fichas com esquemas que incluam, de um lado, a seqüência das noções principais e, do outro, detalhes referentes a cada uma delas;

g) nunca esquecer de repousar, pois uma mente cansada aprende pouco e retém com dificuldade.

Como estudar em grupo

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Estudar em conjunto é um modo produtivo de fazer render ao máximo o esforço do aprendizado. E há muitas maneiras de os estudantes se ajudarem, mesmo que não se organizem em um grupo. Entre as mais importantes: a comparação dos apontamentos das aulas e das horas de estudos. Assim, trocam-se idéias e verificam-se os pontos fundamentais e os mais difíceis.

Dois princípios a serem pensados:

a) o estudo em conjunto deve refletir uma inteligente divisão de trabalho;

b) as sínteses não garantem plena compreensão, mas são interessantes como resumo dos conhecimentos adquiridos.

Quando o estudo em grupo é uma preparação para provas ou exames, o aluno deverá estudar toda a matéria por si mesmo, de modo que o trabalho com os colegas seja apenas uma revisão, uma possibilidade de aprofundamento e, às vezes, de correção dos pontos.

Algumas possibilidades de organização e divisão de trabalho no grupo: 
  • Cada um estuda partes diferentes de um assunto e traz para serem fundidas na reunião; 
  • Cada um estuda e consulta fontes sobre o mesmo assunto e expõe ao grupo, para uma comparação e aprofundamento; 
  • Cada um estuda um ponto de um capítulo e faz seu relatório ao grupo, debatendo ou respondendo a perguntas depois. 
É a voz corrente entre professores que a melhor maneira de aprender uma matéria é ensiná-la aos outros. Os alunos podem comprovar isso nas exposições orais de suas reuniões de grupo. E toda vez que um colega vier pedir auxílio.

Como fazer uma redação

Comunicar, eis a principal finalidade de uma redação. Ou seja: dizer algo, por escrito, a alguém. Mas o quê? A primeira operação para redigir um tema é compreender corretamente o enunciado contido no título. Um exame cuidadoso do título proposto dá ao estudante a exata delimitação do assunto, permite-lhe perceber imediatamente como desenvolver o pensamento para não fugir do tema. E conduz ao segundo passo: fazer um esboço do que vai ser dito.

Há quem prefira esboçar o tema mentalmente. Nunca é demais, porém, tenha o cuidado de anotar o plano, de modo que seja fácil segui-lo depois. Fazer um esboço depende, é claro, do conhecimento do aluno. E até mesmo do assunto. Mas um macete infalível é o da divisão em três partes: introdução, desenvolvimento, conclusão. Começa-se por chamar a atenção do leitor para o assunto, digamos, "A descoberta do Brasil", falando sobre a situação de Portugal no século XV, o florescimento cultural, a Escola de Sagres e as técnicas de navegação ali aperfeiçoadas. É a introdução, que conduzirá ao desenvolvimento: a frota de Cabral, seus objetivos, a viagem e seus problemas, a chegada a Porto Seguro, a comunicação da descoberta. Conclui-se de modo a evidenciar a importância que foi atribuída ao fato, na época, podendo-se adiantar algo sobre o significado histórico que teria depois.

Na exposição de assunto científico ou de caráter interpretativo, é bom lembrar que o sistema é: antecipar o que se vai provar, provar o que se havia proposto e enunciar o que já se provou. Nunca deixar, também, de enumerar em estrita ordem alfabética, todas as fontes e toda a bibliografia utilizada para compor o trabalho. Depois de tudo escrito, a tarefa ainda não terminou. A redação feita em casa ou em classe deve ser revista. É preciso ver se foram utilizadas as palavras mais expressivas, se não há erros de grafia, se a pontuação foi bem feita. Não se exige de ninguém um texto literariamente perfeito, mas escrever corretamente é obrigação.

Fonte: Tilibra

sábado, 10 de outubro de 2015

Estudar é mais fácil do que você pensa!

Se você é daqueles que se deixam interromper por qualquer motivo, pode estar certo de que aí está a causa de seus problemas escolares. Nada atrapalha mais o estudo do que começar e parar, começar e parar... Evite esse problema, com estas dicas:


1. Reserve sempre um mesmo período do dia para realizar as tarefas escolares, esforçando-se para não alterar esse horário de estudo. Isso o ajudará a criar um hábito de trabalho em casa. Descubra em que período do dia você é mais produtivo, pois isso varia de pessoa para pessoa. Peça que alguém da casa atenda ao telefone, avisando que você está ocupado. Se for para você, retorne a ligação logo que possível.

2. Procure um canto sossegado para estudar, verificando se todo o material de que precisa está à mão, como lápis, cadernos, dicionário, caneta, livros, borracha, compasso e coisas assim. Esse lugar deve ser gotoso, agradável, onde você tenha prazer em ficar. Mas deve ser também um local em que você possa isolar-se do mundo, fechando-se para tudo e para todos e estando aberto somente para aquilo em que você quer se concentrar.

3. Organize uma sequência de trabalho, isto é, o que fazer em primeiro lugar, o que fazer em seguida e assim por diante, de acordo com as necessidades. As tarefas para o dia seguinte devem ser as primeiras a serem feitas.

4. Ao final de cada tarefa, levante e dê uma voltinha por alguns minutos. Isso o ajudará a descansar sua mente e seu corpo. Depois, volte e retorne as tarefas.

5. Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Não faça uma atividade com a cabeça preocupada com o que ainda está faltando. Se você se organizar bem, haverá tempo de sobra para tudo.

6. Acostume-se a prestar atenção no tempo que você está gastando para fazer suas tarefas. Cada pessoa tem seu ritmo próprio. Não se compare aos outros, mas veja se não está perdendo tempo à toa.

7. Todo dia, você deve dar uma olhada rápida no assunto que acabou de ser ensinado. Não deixe para rever toda a matéria na véspera da prova. Desse jeito, você só descobrirá dúvidas quando não houver mais tempo de pedir auxílio ao professor.

Antes da prova

1. Não deixe tudo para a véspera! Faça uma programação de estudo que lhe permita revisar a matéria toda um pouco por dia durante alguns dias. Assim, você terá tempo para perceber pontos que não compreendeu bem e tirar suas dúvidas com o professor. Este Guia de Estudos serve justamente para isso: para você fazer sua programação.

2. Estude a matéria da prova na sequência em que foi explicada pelo professor. Não estude de modo desordenado, pulando capítulos, indo e voltando. Isso só vai confundi-lo.

3. Faça de novo os exercícios principais, sobretudo os mais antigos, para verificar se não esqueceu nada. Se houver alguma dúvida, anote neste Guia e fale com o professor. Não vá para a prova com dúvidas!

4. Se já tiver feito alguma outra prova com parte da matéria que você está estudando, dê uma olhada nela novamente. Atenção para não cometer os mesmos erros!

5. Preparar-e bem para uma prova é estudar todos os dias a matéria que for dada, mesmo sem saber em que dia será a prova. Quando a prova for marcada, você só terá de dar uma recordada [revisada] no que já viu, para sair-se muito bem.

No dia da prova

1. Verifique se você está levando todo o material de que vai precisar para a prova. A falta de uma régua ou de uma borracha pode prejudicá-lo.

2. Antes de começar a responder as questões, dê uma olhada na prova toda. Isso vai ajudá-lo a calcular a dificuldade das questões e o tempo que será necessário para resolver cada uma delas.

3. Concentre-se em uma questão de cada vez. Comece pelas mais fáceis. À medida que for resolvendo-as você vai ganhar mais confiança para enfrentar as mais difíceis.

4. Procure calcular bem o tempo da prova, reservando alguns minutos para uma revisão fina antes de entregá-la. Lembre-se: use todo o seu tempo disponível! Não tenha pressa para entregar a prova. Não se perturbe se quase todos os seus colegas já saíram da classe. Cada um deve preocupar-se com seu próprio ritmo. O importante é fazer uma boa prova e não bater recorde de velocidade!

5. Preste atenção ao que o professor pede que você faça na prova. Verbos como definir, explicar, exemplificar, relacionar, comparar têm um significado muito preciso. Se você "traduzir" mal o que o professor pediu, pode errar a questão, mesmo sabendo a matéria!

6. Digamos que o professor peça a definição de um cubo. Se você disser: "Um cubo é, por exemplo, um dado", você errou! Uma coisa não é "por exemplo", nada! Uma coisa é somente aquela coisa e pronto. O certo seria você responder assim: "Um cubo é um sólido que tem seis faces quadradas iguais"... Se o professor pedisse para você exemplificar um cubo, aí sim, você poderia citar o dado.

7. Do mesmo modo que muita gente erra quando a pergunta pede para comparar ou para relacionar duas coisas. Nesse caso, não basta definir cada uma delas, lado a lado. O que o professor quer é que você analise cada uma delas e veja quais são as semelhanças e diferenças existentes entre elas. É preciso pensar!

8. Também dá o maior problema quando o professor pede para explicar alguma coisa. Nesse caso, é preciso explicar mesmo, dar detalhes sobre a tal coisa. Não basta definir e pronto! Explicar quer dizer "desdobrar", "deixar claro". [pense em como você iria explicar sobre o Império Romano para quem nunca passou pela escola e ponha no papel]

9. Não adianta querer escrever mais do que o professor pediu, pretendendo assim melhorar a nota. Você deve ser objetivo e responder apenas o que foi solicitado. Lembre-se que, se tentar enrolar e fazer mais do que foi pedido, você pode até aumentar suas chances de errar!

10. Mesmo quando você não souber uma questão, é sempre bom tentar respondê-la ou resolvê-la. Muitos professores dão parte da nota da questão quando descobrem que o aluno fez um esforça para acertar.


Fonte: SAAS - Serviço de Assistência ao Aluno Salesiano
[minhas anotações]

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

hora de estudar


Quando eu estava na sétima série, o colégio onde eu estudava anunciou que ia fechar. Não era um colégio excepcional, mas era o colégio que tinha estudado desde a terceira série e onde tinha feito amigos que tenho até hoje. Então me matriculei em outro colégio e comecei a oitava com dificuldades em matérias que antes não tinha, como matemática.

Mas não me adaptei muito bem a essa nova escola e também devo confessar que eu via o colégio mais como um lugar para encontrar amigos do que um lugar para estudar. E esse foi um erro que admito hoje ter cometido. Depois da escola, você provavelmente nunca mais vai ver seus colegas, salvo algumas exceções. Não é à toa a diferença entre colegas e amigos.

Enfim, tive muita dificuldade no ensino médio pois mudei de escola novamente. Só para avisar naquela época não tinha nona série ainda. Quando eu estava no segundo ano do ensino médio comecei em uma nova escola. Uma escola sem sombra de dúvida a melhor de todas as que eu já havia passado.

Então a dificuldade não foi só o fato de ser um ambiente novo (que não era de todo um problema), mas sim porque o nível de ensino era muito melhor. Os estudantes eram muito sérios, diferente da escola anterior em que poucos prestavam atenção na aula - era uma verdadeira baderna.

Eu me desinteressei completamente pelos estudos. Não sabia a área que eu ia escolher, nada. Fiquei bastante grilada em não saber qual profissão seguir. Tirava notas péssimas em praticamente todas as matérias. Eu sei que parte disso foi depressão. Mas a outra parte de mim não via utilidade nenhuma em vários assuntos abordados na escola e em como eles eram abordados.

Eu confesso que acredito em um sistema diferente de ensino. Não pensava muito sobre isso naquela época. Mas hoje, mais madura, vejo que faz sentido.

Mas agora eu não quero falar de sistemas educacionais. Independente do sistema, eu deveria ter me interessado pelos estudos, mesmo que não fosse aquele adotado no colégio. O fato é que vejo muitas pessoas, muitos jovens e crianças que estão dessa forma. Não vamos nos esquecer do mundo que estamos vivendo hoje e não vamos esquecer também que a educação em casa também deve ser feita e cobrada.

Em contrapartida de tudo isso, hoje existe vários blogs, sites, grupos e comunidades que incentivam e dão dicas para estudar. Não falo só dos vídeos educativos de professores no youtube, mas também de blogs no tumblr que dão dicas de como estudar. O máximo de incentivo que tive naquela época (além de meus pais, claro), foi um papel que foi distribuído numa das escolas em que eu estudei.

Vou deixar alguns links abaixo para os jovens terem mais inspiração na hora de estudar:
tumblr/getstudyblr
tumblr/thestudyaddict
tumblr/coffeeandrevision
tumblr/jazstudies
pinterest/solopiensoenart/study
pinterest/moieiety/study

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dr. Cláudio sobre a arte em geral - Trecho de O Ateneu

"Arte, estética, estesia é a educação do instinto sexual.

A manutenção da existência indivídua tem a razão de ser no instinto de vitalidade da espécie. O momento presente das gerações nada mais é que a ligação prolífica do passado com a posteridade. E a razão de ser das espécies? A indagação não perscruta.

Para que o indivíduo perdure, momento genésico da existência específica no tempo, é indispensável adaptar-se às imposições do meio universal. O rio a correr não despreza o detalhe do mais insignificante remanso, nem pode sofismar o obstáculo do menor rochedo no alvéu. O critério inconsciente do instinto é o guia da adaptação.

O esforço da vida humana, desde o vagido do berço até o movimento do enfermo, no leito de agonia, buscando uma posição mais cômoda para morrer, é a seleção do agradável. Os sentidos são como as antenas salvadoras do inseto titubeante; vão ao encontro das impressões, avisadores oportunos e cautelosos.

A cada mundo de sensações notáveis corresponde um sentido. Os sentidos, teoricamente delimitados, são cinco, múltipla transformação de processo de um único - o tato, exatamente o sentido rudimentar das antenas.

Faz-se, tateando instintivamente a procura dos agradáveis: agradável visual, agradável gustativo, agradável tangível, em suma. O agradável é essencialmente vital; se é às vezes funesto, é porque o instinto pode ser atraiçoado pelas ilusões.

A perfectibilidade evolutiva dos organismos em função, manifestando-se prodigiosamente complexa, no tipo humano, corresponde à revelação, na ordem animal, do misterioso fenômeno personalidade, capaz de fazer a crítica do instinto, como o instinto faz a crítica sensação.

A informação de reportagem de cada sentido não desperta, portanto, no homem a atividade cerebral dos impulsos de preferência, de repugnância, simplesmente, como nos outros animais; mas amplia, pela psicologia inteira dos fenômenos espirituais, a variedade infinita das comparações permutadas de mil modos na unidade do espírito como as peças de um jogo maravilhoso sobre o mesmo pano.

Duas são as representações elementares do agradável realizado: nutrição e amor.

Os animais inferiores, não favorecidos por um razoável coeficiente de progresso, produzem secularmente a condição da inferioridade; olham, tocam, farejam, ouvem, não provam com demasiado escrúpulo e devoram grosseiramente para depois amar, como sempre fizeram.

O homem, por desejo de nutrição e de amor, produziu a evolução histórica da humanidade.

A nutrição reclamou a caçada fácil - inventaram-se as armas; o amor pediu um abrigo, ergueram-se as cabanas. A digestão tranquila e a perfilhação sem sobressaltos precisaram de proteção contra os elementos, contra os monstros, contra os malfeitores - os homens tacitamente se contrataram para o seguro mútuo, pela força maior da união: nasceu a sociedade, nasceu a linguagem, nasceu a primeira paz e a a primeira contemplação. E os pastores viram pela vez primeira que havia no céu a estrela Vésper, expandida e pálida como o suspiro.

Mas era preciso que fossem leitos de amor as crinas de ouro e fogo dos leões, e que houvessem marfim, metais luzentes, pedraria, sobre a alvura láctea da carne amada, que não bastavam beijos para vestir; era preciso deliciar a gustação, como requinte das estranhezas. E os homens levaram a conquista aos reis da floresta, ao ventre do solo; foram colher aos ares os íncolas mais raros, emplumados de luz como criações canoras do sol; e foram buscar às ondas os meus esquivos viajores do abismo, singrando céleres, fantásticos, na sombra azul, em cauda, um reflexo vago de escamas - para morder-lhes a vida.

Urgiu ainda a fome, urgiu o amor e veio a guerra, a violência, a invasão. Curvaram-se os cativos ao látego vencedor e foram abatidas as escravas sob a garra da lascívia sanguinária, faminta de membros avulsos, olhos sem alma, lábios sem palavra, formas sem vontade, pretexto miserável de espasmos. Formaram-se os ódios de raça, as opressões de classe, as corrupções vingadoras e demolidas.

Mas a cisma evoluiu também, aquela cisma poética da pastoral primeva que buscara os astros no céu para adereço dos idílios. O fundo tranquilo e obscuro das almas, aonde não chefa o tumultuar de vagas da superfície, inflamou-se de fosforescências; geraram-se as auréolas dos deuses, coalharam-se os discos das glórias olímpicas: as religiões nasceram.

Mas era preciso que fosse palpável o espectro da divindade; as rochas descascaram-se em estátuas, os metais se fizeram carne e houve cultos, houve leis, vieram profetas e pontífices ambiciosos. E esta evolução da cisma que fora amante, feita instrumento da tirania, deu lugar às práticas de terror, aos apostolados do morticínio.

Mas uma lira ficara da geração primeira de cismadores, e as cordas cantavam ainda e os sons falaram no ar as epopéias do Oriente e da Grécia. Roubou-se aos sacerdotes tiranos o monopólio dos deuses para jungi-los à atrelagem do metro; o que levassem, através dos séculos, o carro triunfal da estrofe, onda sonora de vibrações imortais.

E os esculpidores dos ídolos legaram o segredo da fábrica revelando que vinham de uma molde de barro aquelas arrogâncias de bronze, que se fazem deuses como as ânforas. E os artistas modernos recomeçaram, chamando a religião ao atelier, como um modelo de hora paga; e gravaram em tinta, pelo muros, as visões místicas da crença.

A nitidez artística da formas fizera crer aos homens que morava realmente um espírito sagrado na porosidade do mármore, e que realmente havia proporções infinitas uma tela de olimpos e paraísos, onde as cores do antropomorfismo artístico viviam soberanas, olhando o mundo lá embaixo, vazando a urna providencial das penas e das alegrias.

Decaídas as fantasias sentimentais, reformou-se o aspecto do mundo. Os deuses foram banidos como efeitos importunos do sonho. Depois da ordem em nome do Alto proclamou-se a ordem positivamente em nome do Ventre. A fatalidade nutrição foi erigida em princípio: chamou-se indústria, chamou-se economia política, chamou-se militarismo. Morte aos fracos! Alcançando a bandeira negra do darwinismo espartano, a civilização marcha para o futuro, impávida, temerária, calcando aos pés o preconceito artístico da religião e da moralidade.

Sobrevive, porém, o poema consolador e supremo, a eterna lira...

Reinou primeiro o mármore e a forma; reinaram as cores e o contorno, reinam agora os sons - a música e a palavra. Humanizou-se o ideal. O hino dos poetas do mármore, do colorido, que remontava ao firmamento, fala agora aos homens, advogado enérgico do sentimento.

Sonho, sentimento artístico ou contemplação, é o prazer atento da harmonia, da simetria, do ritmo, do acordo das impressões, com a vibração da sensibilidade nervosa. É a sensação transformada.

A história do desenvolvimento humano nada mais é do que uma disciplina longa de sensações. A obra de arte é a manifestação do sentimento.

Dividindo-se as sensações em cinco espécies de sentidos, devem os sentimentos corresponder a cinco espécies e igualmente as obras de arte.

Da sensação acústica vem a estesia acústica: sentimento nos sons, nas palavras - eloqüência e música; da sensação da vista, a estesia visual, o sentimento na forma, no traço e no colorido - escultura, arquitetura, pintura; da sensação palatal e olfativa nasce o sentimento do gosto e do perfume - artes menos consideradas pela relativa inferioridade dos seus efeitos. A sensação do tato, secunda por todas as outras, dá lugar ao sentimento complexo do amor, arte das artes, arte matriz, razão de ser de todas as espécies de estesia.

O primeiro momento contemplativo de um amoroso foi o advento da estética, no gozo visual das linhas da formosura, na delícia auditiva de uma expressão inarticulada, que fosse emitida com expressão, na comoção de um contato, na aspiração inebriante do aroma indefinido da carne. A obra de arte do amor é a prole; o instrumento é o desejo.

Depois da arte primitiva e fundamental do tato, a arte do ouvido. A obra de arte é a fresa sentida, hábil para produzir emoção; o instrumento é a linguagem.

Esta arte devia mais tarde ramificar-se em eloqüência propriamente e poesia popular, graças à aproximação híbrida de terceira arte, do ouvido, a música.

Com o progresso humano, o sentimento artístico da simetria e da harmonia destacou-se analiticamente da arte de amar. E, depois da arte primordial, descendente imediata do instinto erótico, da qual se desprendera, sob a forma selvagem das interjeições primitivas, a arte da eloqüência; e; em seguida, sob a forma de expressões homométricas, a poesia popular e a primeira música; nasceram as artes intencionais, de imitação, da escultura da arquitetura, do desenho. Depois da poesia popular amorosa ou heróica, veio a rapsódia.

Ainda mais, segundo um traçado naturalíssimo de filiação, o sentimento da simetria, trasladado para a esfera das relações sociais, serviu de plano à organização das religiões, filhas do pavor, e das moralidades, invenção das maiorias de fracos. Com o predomínio insensato das religiões, o amor deixou de ser um fenômeno, passou a ser um ridículo ou uma coisa obscena.

Por um raciocínio de retrocesso, se ponderarmos que a moralidade é a organização simétrica da fraqueza comum, que a religião é a organização simétrica do terror, que a simetria, isto é, harmonia e proporção, é a norma artística das imitações plásticas da ingênua admiração da criatura primitiva, e que esta admiração prazenteira, testemunhada por uma tentativa de desenho ou de estátua, por um canto popular ou por uma interjeição veemente, nada mais é do que um modo acentuado de um esforço de atenção, e que a primeira atenção dos homens do princípio - a lenda de Adão que o diga - devia ser do indivíduo de um sexo pra o indivíduo de outro sexo, teremos averiguado o aforismo paradoxal de que a arte subjetivamente, o sentimento artístico, nas suas mais elevadas, mais etéreas
manifestações, é simplesmente - a evolução secular do instinto da espécie.


Esta é a sua grandeza, e por isso vai zombando, através das idades, das vicissitudes tempestuosas do combate pela nutrição, dos próprios exasperos homicidas do amor.

A arte é primeiro espontânea, depois intencional.

Manifesta-se primeiro grosseiramente, por erupções de sentimento, e faz o amor concreto, a interjeição, a eloquência rudimentar, a poesia primitiva, o primitivo canto. Manifesta-se mais tarde, progressivamente, por efeitos de cálculo e meditação e dá o epos¹, a eloquência culta, a música desenvolvida, o desenho, a escultura, a arquitetura, a pintura, os sistemas religiosos, os sistemas morais, as ambições de síntese, as metafísicas, até as formas literárias modernas, o romance, feição atual do poema no mundo.

As manifestações espontâneas são coevas de todas as sociedades; a poesia popular, por exemplo, não desaparece, nem a eloquência, ainda menos o amor. As manifestações intencionais, ampliações, aperfeiçoamentos do modo primitivo de expressão sentimental, sujeitam-se aos movimentos e vacilações de tudo que progride.

O coração é o pêndulo universal dos ritmos. O movimento isócrono do músculo é como o aferidor natural das vibrações harmônicas, nervosas, luminosas, sonoras. Graduam-se pela mesma escala os sentimentos e as impressões do mundo. Há estados de alma que correspondem à cor azul, ou às notas graves da música; há sons brilhantes como a luz vermelha, que se harmonizam no sentimento com a mais vívida animação.

A representação dos sentimentos efetua-se de acordo com estas repercussões.

O estudo da linguagem demonstra.

A vogal, símbolo gráfico da interjeição primitiva, nascida espontaneamente e instintivamente do sentimento, sujeita-se à variedade cromática do timbre como os sons dos instrumentos de música. Gradua-se, em escala ascendente u, o, a, e, i, possuindo uma variedade infinita de sons intermediários, que o sentimento da eloquência sugere aos lábios, que se não registram, mas que vivem vida real nas palavras e fazem viver a expressão, sensivelmente enérgica, emancipada do preceito pedagógico, de improviso, quase inventada pelo momento.

Há ainda na linguagem o ritmo de cada expressão. Quando o sentimento fala, a linguagem não se fragmenta por vocábulos, como nos dicionários. É a emissão de um som prolongado, a crepitar de consoantes, alteando-se ou baixando, conforme o timbre vogal.

O que move o ouvinte é uma impressão de conjunto. O sentimento de uma frase penetra-nos, mesmo enunciado em desconhecido idioma.

O timbre vogal, o ritmo da frase dão alma à elocução. O timbre é o colorido, o ritmo é a linha e o contorno. A lei da eloquência domina na música, colorido e linha, seriação de notas e andamentos; domina na escultura, na arquitetura, na pintura: ainda a linha e o colorido.

Na sua qualidade de representação primária do sentimento, depois do fato do amor, a eloquência é a mais elevada das artes. Daí a supremacia das artes literárias - eloquência escrita.

A eloquência foi a princípio livre, fiel ao ritmo do sentimento, influenciada pela música monótona dos mais antigos tempos, cadenciou-se em metro regular e monótono como a musica. Aproveitada como recurso mnemônico, libertou-se da música, guardando, porém, a forma do metro igual e da quantidade equivalente, que havia de ser um dia a metrificação da sílaba, que havia de dar em resultado a monstruosidade de rima, o calembur feito milagre de perfeição.

A música seguiu à parte a sua evolução.

Na arte da eloquência da atualidade acentua-se uma reação poderosa contra o metro clássico; a crítica espera que dentro de alguns anos o metro convencional e postiço terá desaparecido das oficinas da literatura. O sentimento encarna-se na eloquência, livre como a nudez dos gladiadores e poderoso. O estilo derribou o verso. As estrofes medem-se pelos fôlegos do espírito, não com o polegar da gramática.

Hoje, que não há deuses nem estátuas, que não há templos nem arquitetura, que não há dies irae² nem Miguel Ângelo; hoje que a mnemônica é inútil, o estilo triunfa pela forma primitiva, pela sinceridade veemente, como nos bons tempos em que o coração para bem amar e o dizer não precisava crucificar a ternura às quatro dificuldades de um soneto.

Qual a missão da arte? Originária da propensão erótica fora do amor, a arte é inútil - inútil como o esplendor corado das pétalas sobre a fecundidade do ovário. Qual a missão das pétalas coradas? De que nos serve a primavera ser verde? As aves cantam. Que se aproveita do cantar das aves?  A arte é uma consequência e não um preparativo. Nasce do entusiasmo da vida, do vigor do sentimento, e o atesta. Agrada sempre, porque o entusiasmo é contagioso como o incêndio. A alma do poeta invade-nos. A poesia é a interpretação de sentimentos nossos. Não tem por fim agradar. 

E, depois, reclamar títulos de utilidade às divagações graciosas de uma energia da alma, que significa em primeira manifestação a própria perpetuidade da espécie?!

Além de inútil, a arte é imoral. A moral é o sistema artístico da harmonia transplantado para as relações da coletividade. Arte sui generis³. Se é possível eficazmente o regime social das simetrias da justiça e da fraternidade, o futuro há de provar. Em todo o caso é arte diferente e as artes não se combinam senão em produtos falsos, de convenção.

Poema intencionalmente moral é o mesmo que estátua polícroma, ou pintura em relevo. Apenas uma coisa possível, nada mais; há também quem faça flores, com asas de barata e pernas.

A verdadeira arte, a arte natural, não conhece moralidade. Existe para o indivíduo sem atender à existência de outro indivíduo. Pode ser obscena na opinião da moralidade: Lêda; pode ser cruel: Roma em chamas, que espetáculo!

Basta que seja artística.

Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana - acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase.

E desdenha dos séculos efêmeros."

¹ Epos - termo de origem grega que designava de início a palavra, o discurso; depois passou a indicar o discurso heróico, principalmente os poemas homéricos - a Ilíada e a Odisséia. Foi nesse sentido de poema épico, epopéia, que a palavra foi incorporada pelo latim.


² Dies irae - locução latina, significa "dia da ira" ou "dia do juízo final".

³ Sui generis - expressão latina que significa próprio, específico, singular, peculiar.


O Ateneu / Raul Pompéia; organização Célia A. N. Passoni - 2ª ed. - São Paulo: Núcleo, 1996. - (Coleção Núcleo de Literatura). 

Trecho: 80-85

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A morte como conselheira

Meu pai compartilhou esse texto comigo e resolvi compartilhar aqui


Rubem A. Alves
Lembra-te,
Antes que cheguem os maus dias, e se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro,
E se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço...
Elesiastes 12, 1-8

A vida está cheia de rituais para exorcizar a morte. E, no entanto, é tudo mentira. Certo está o poeta.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; o que só agora vejo que deveria ter feito, o que só agora claramente vejo que deveria ter sido isto é que é morto para além de todos os Deuses...

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver. Enterro-os no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos... (Álvaro de Campos, Poesias, “Na noite terrível...”)
Não, não, a Morte não é algo que nos espera no fim. É companheira silenciosa que fala com voz branda, sem querer nos aterrorizar, dizendo sempre a verdade e nos convidando à sabedoria de viver.
O que ela diz? Coisas assim.
“Bonito o crepúsculo, não? Veja as cores, como são lindas e efêmeras... Não se repetirão jamais. E não há formas de segurá-las. Inútil tirar uma foto. A foto será sempre a memória de algo que deixou de ser... E esta triteza que a beleza dá? Talvez porque você seja como o crepúsculo...
É preciso viver o bastante. Não é possível colocar a vida numa caderneta de poupança...”
“Você sabe que horas são? Está ficando frio... E as cores do outono? Parece que o inverno está chegando...”

“O que é que você está esperando? Como se a vida ainda não tivesse começado... Como se você estivesse à espera de algum evento que vai marcar o início real da sua vida: formar, casar, criar os filhos, separar da mulher ou do marido, descobrir o verdadeiro amor, ficar rico, aposentar... Como se os seus instantes presentes fossem provisórios, preparatórios. Mas eles são a única coisa que existe...”
A branca fala da Morte não nos aterroriza por nos falar da Morte. Ela nos aterroriza por nos falar da Vida. Na verdade, a Morte nunca fala sobre si mesma. Ela sempre nos fala sobre aquilo que estamos fazendo com a própria Vida, as perdas, os sonhos que não sonhamos, os riscos que não tomamos (por medo), os suicídios lentos que perpetramos.

A morte tem o poder de colocar todas as coisas nos seus devidos lugares. Longe do seu olhar, somos prisioneiros do olhar dos outros, e caímos na armadilha dos seus desejos. Deixamos de ser o que somos, para ser o que eles desejam que sejamos. Diante da Morte, tudo se torna repentinamente puro. Não há lugar para mentiras. E a gente se defronta então com a Verdade, aquilo que realmente importa. Para ter acesso à nossa Verdade, para ouvir de novo a voz do Desejo mais profundo, é preciso tornar-se um discípulo da morte. Pois ela só nos dá lições de Vida se a acolhemos como amiga. “A morte é nossa eterna companheira” – dizia D. Juan, o bruxo. “Ela se encontra sempre à nossa esquerda, ao alcance do braço. Ela nos olha sempre, até o dia em que os toca. Como é possível a alguém sentir-se importante, sabendo que a morte o contempla? O que você deve fazer, ao se sentir impaciente com alguma coisa, é voltar-se para a sua esquerda e pedir que sua morte o aconselhe. Estamos cheios de lixo! E a morte é a única conselheira que temos. Sempre que você se sentir, como acontece sempre, que tudo está indo de mal a pior e que você se encontra a ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua morte e lhe pergunte se isso é verdade. Sua morte lhe dirá que você está errado, que nada realmente importa, fora do seu toque. Ela lhe dirá: Ainda não o toquei”.

Houve um tempo em que nosso poder perante a Morte era muito pequeno. E, por isso, os homens e as mulheres dedicavam-se a ouvir a sua voz e podiam tornar-se sábios na arte de viver. Hoje, nosso poder aumentou, a Morte foi definida como a inimiga a ser derrotada fomos possuídos pela fantasia onipotente de nos livrarmos de sou toque. Com isso, nós nos tornamos surdos às lições que ela pode nos ensinar. E nos encontramos diante do perigo de que, quanto mais poderosos formos perante ela (inutilmente, porque só podemos adiar...), mais tolos nos tornamos na arte de vier. É, quando isso acontece, a Morte que poderia ser conselheira sábia transforma-se em inimiga que nos devora por detrás. Acho que, para recuperar um pouco da sabedoria de vier, seria preciso que s tornássemos discípulos e não inimigos da Morte. Mas, para isso, seria preciso abrir espaço em nossas idas para ouvir a sua voz. Seria preciso que voltássemos a ter os poetas...

“Extraído de: ALVES, Rubem A. – A Morte como conselheira. IN: CASSORLA, Roosevelt M. S. (Coord.). Da Morte: Estudos Brasileiros. Campinas: Papirus, 1991. Pg 11 – 15.”

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Filosofia

"O seu modo de vida pode ser universalizável? A forma como você vive poderia ser boa para todas as pessoas? Todas as pessoas agem desse jeito? A sociedade se manteria? Esse tipo de jogo que o Kant pedia era um jogo de imaginação de imaginar que o absurdo de todo mundo seguia sua própria máxima, se aquilo poderia valer pra todo mundo. 

Eu acho que esse tipo de jogo já está pressuposto, por exemplo, lá no Aristóteles quando ele fala no desenvolvimento das virtudes. Ele pensa cada ser humano como uma planta que ela tem que desenvolver todas as suas potencialidades. Só que existem plantas com algumas diferenças, mas as condições para o desenvolvimento devem ser as mesmas. 

Um filósofo como Mahbub ul Haq (???) faz a parte da ideia de índice do desenvolvimento humano do Amartya Sen da economia algo bem interessante. Não basta distribuição de renda, você tem que dá condição pra que toda pessoa desenvolva suas potencialidades. Não só condições de saúde, de educação, mas também de participar do debate social, participar do jogo da razão de forma pública. Numa ditadura você não conseguiria fazer isso. Mesmo numa democracia você não consegue participar do jogo porque depende de qual empreiteira você é dono [risos] de quantas vagas no Congresso você consegue comprar pra sua casa... mas isso é outro detalhe. [...] 

Todas as sociedades-nações foram fundadas na leitura de certos livros: literatura... O fato de você compartilhar uma língua geralmente era o que unia uma nação. Agora a gente chegou num ponto que as pessoas não estão mais lendo nada. [...]

Talvez a vantagem da filosofia seja essa vantagem de tentar... essa ilusão do universal faz com que muitas vezes essa filosofia julgue o certo e o errado. Nossa tendência é sempre fazer esse tipo de julgamento e a filosofia serve de justificativa pra esse tipo julgamento. E esse julgamento já permite a ação. Por exemplo, um antropólogo vai trabalhar muito descrevendo as coisas como são, um antropólogo vai sempre descrever as coisas e não vai julgá-las. Por exemplo, um antropólogo pode ir no morro carioca e descrever tudo o que tá acontecendo lá no funk e ver todos os aspectos... a função social daquilo. Um filósofo vai sempre querer julgar se isso é bom, se isso é ruim. Qual é a conseqüência daquele tipo de valor e vai ter juízos parciais, mas ele vai querer fazer o julgamento."
 (sic)


Marcos Carvalho Lopes 
no 1º podcast do Filosofia Pop

terça-feira, 7 de julho de 2015

Quatro calcinhas e nada mais

universo do tumblr

Um dia desses eu tava comentando com a minha mãe que eu estava precisando comprar calcinhas. Minhas calcinhas foram acabando porque algumas estavam furadas, outras perderam a elasticidade, e outras eu nunca mais vi na vida - perdi mesmo.

Em dado momento eu percebi que eu estava apenas com 4 calcinhas. E percebi que as outras não me fizeram falta. Com exceção da calcinha de bolinha do Pato Donald (que era muito fofa). Enfim.

Depois que eu finalmente mantive o hábito de lavar calcinha no banheiro e estender assim que saísse do banho, nunca mais precisei pegar uma qualquer (velha) de última hora, ou esperar secar no ventilador.

Me peguei refletindo que na realidade, usar 4 calcinhas bastam pra mim. E se algum dia alguém roubar do varal, ainda tem a parte de baixo do biquíni. "Nossa, que exagero". Realmente.

Tá na moda agora o minimalismo. Vejo várias matérias pela internet sobre isso. Acho interessante as mini-casas, o guarda-roupa cápsula e outros desapegos. Mas a realidade é outra.

A gente vai pro shopping e vê aquele vestido lindo, ou aquele conjunto lindo e acha que a gente "precisa" daquilo. Vai lá e compra. Depois vê que não tem ocasião pra usar.

Fui organizar meu guarda-roupa, pra doar várias peças de roupa, como faço todo ano. E fiz uma cota de quantidade. X pra blusas, X pra calças, X pra vestidos e etc. E a ideia era que se eu fosse comprar uma peça nova, me desfizesse de uma.

Percebi que eu realmente não precisava muito disso porque nunca fui de entrar em shopping pra comprar roupa. Às vezes eu comprava, mas era raro. Posso afirmar seguramente que 80% do meu armário foram de roupas que ganhei da minha mãe. 5% de outras pessoas. E o resto eu de fato escolhi.

O mais difícil pra mim foi desapegar das blusas. Porque eu realmente gostava de todas elas. Mas fui excluindo as que ou apareciam muito meu decote ou tinham a tendência pra mostrar meu sutiã. E ainda tenho uma que faz isso. Mas eu explico: ela é a única de cor. O resto é preto e cinza. Porque eu prefiro as cores neutras.

Não quero me alongar, não tem necessidade disso. Mas vale a reflexão: você precisa mesmo comprar calcinhas novas?

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Maratona Literária de Inverno #MLI2015


Resolvi participar pela primeira vez. Eu nem ia me inscrever, mas me inscrevi. Todos os livros que escolhi são do desafio. Não vou participar da TBR temática por motivos de: os livros que selecionei pro desafio não conferem com as temáticas semanais, apenas 2 livros se encaixam numa mesma semana, então não vou participar.

Pra quem não sabe do que eu estou falando, assista esse vídeo pra entender.

A maratona vai do dia 06 de julho até dia 03 de agosto.

O desafio:
1. um livro com figuras ou ilustrações. Esse livro tem alguns quadrinhos, mas acho que se encaixa: Para ler o Pato Donald - Comunicação de massa e colonialismo - Ariel Dorfman e Armand Mattelart
2. comece e/ou termine uma série, trilogia ou duologia. No meu caso vou terminar Harry Potter com As Relíquias da Morte - J.K. Rowlings
3. um livro que alguém escolheu por você: Stempenyu: um romance judaico - Sholem Aleichem
4. um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica: Persuasão - Jane Austen
5. um livro com a capa azul: Introdução à Comunicação de Massa - Edwin Emery, Phillip H. Ault, Warren K. Agge
6. um livro do gênero que você menos leu ano passado. Tiveram vários gêneros, mas escolhi poesia:  Poesia Pernambucana Hoje - Volume 1 - Vital Corrêa de Araújo
7. um livro que você ganhou: Mexendo o Pirão - Adriano Marcena
8. um livro com mais de 400 páginas. Eu exagerei e coloquei um que tem mais de 500: O Tambor - Günter Grass
Vocês podem observar que quando a gente empilha os livros, a maioria dos títulos ficam de cabeça pra baixo.
Pois é, esse é meu apelo pras editoras: parem com isso, por favor! Olha como fica feio!

Bom, eu estarei atualizando tudo pelo twitter. Se calhar, faço alguma coisa aqui no blog sobre cada livro. É bom que eu exercito. Gostaria muito de saber escrever resenhas. Afinal, sou jornalista!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Bar (playlist para ouvir bebendo)

aperta o play:



Há muito tempo que eu tava querendo fazer essa playlist. E olhe que ainda não tá pronto, mas já tem umas 4h30m de música.

Meu objetivo nessa playlist era reunir músicas pra se ouvir tomando uma. Tem músicas mais agitadas como Janis Joplin e tem músicas mais calmas como Tindersticks (que é bom pra vinho). E ainda tem o clássico do Dire Straits, Sultans of Swing.

Pra compor essa playlist, eu também roubei das My awesome dive bar juke box collection; 12 bar blues songs e Rock Bar playlist. Aliás, recomendo todas elas.

Ainda tou pensando em colocar algumas country mas já dá pra matar as horas bebendo num domingo.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Mickey, meu gato

Esse é Mickey em seu castigo por ter roubado meu absorvente.
Sim, ele pega e sai correndo. Ele sabe que é errado!

- Paty, abre ali pra Mickey! -  grita minha mãe da cozinha.
É assim quase todos os dias. Chega a noite e meu gato fica pirado pra sair. Ele fica na porta esperando alguém chegar da rua. Ou alguém jogar o lixo. E é assim que ele sai correndo pra fora.

Já acompanhei ele nessas saídas várias vezes. A vizinha interfonava reclamando dizendo que ele mijava nas plantas dela. Era tudo mentira. Teve dia que ela reclamou e Mickey nem tinha saído de casa! Mickey aprendeu a não fazer isso. Depois que virou adulto é que não faz mesmo. Aqui em casa também tem planta. Enfim.

Depois disso fui atrás dele e descobri o segredo do meu gato. Segredo não, todo gato tem esse comportamento. Ele descia do quarto andar para o primeiro, pulava o muro do corredor e ficava no teto do estacionamento. O que fazia lá? Tentava caçar alguma coisa. Até morcegos. Ficava observando as pessoas embaixo, ou simplesmente ficava sentado olhando pro nada. Se esfregava no chão. Mas a maior parte do tempo, ele não fazia nada.

Antigamente ele ia mais longe. Saía do prédio e ficava caçando na rua. Não ia mais longe que isso (ainda bem). Ainda hoje ele volta com alguma lagartixa pra dividir com a mãe e a irmã. Mas não é tão frequente.

Antigamente essas saídas demoravam mais. Hoje em dia ele sai e num instante volta. E como ele entra em casa? Bom, ele fica na porta miando, chamando a gente pra abrir, porque afinal, ele ainda não aprendeu a abrir a porta, rs. E é assim. Eu vou lá abrir a porta pro cara.

Ele tem hábitos que eu nunca vi em nenhum gato. Ele é muito carinhoso. Eu chamo ele, e ele atende. Ele olha. Ele fica de barriga pra cima pra pedir carinho. Ele me chama pra colocar comida ou água. Fica agachado de frente pro pote miando e olhando pra mim. Ele só falta falar: - Olha aqui, tá faltando água pra beber!

Mickey tem todo um charme. Tem sentimentos. Fica triste, feliz, decepcionado, irritado. Mas ele meio que sabe o que a gente quer e o que a gente quer dele. O olhar dele diz que ele sabe. Uma vez eu fiquei triste, e eu tenho certeza que ele sabia.

Mickey sabe quando faz alguma coisa errada. Ele faz escondido ou ele sai correndo pra se esconder. Mas ele sabe que eu amo ele.

Ter adotado Pandora, foi uma das coisas mais felizes que eu fiz na vida. Ela teve dois filhos lindos. Um casal que dá banho um no outro. Um não vive sem o outro. Se tá faltando alguma coisa na tua vida. Alguém. Quem sabe pegar um gato na rua e dar carinho a ele. Com certeza ele vai retribuir.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O Valor do Tempo



Você já deve ter visto esse vídeo no Facebook. E realmente é uma reflexão que todos nós deveríamos fazer diariamente. É a primeira vez que vejo o Faustão não interromper alguém. E para um programa que faz você desperdiçar seu tempo valioso, foi um soco no estômago. Palmas para Nelson Freitas!

Eu comecei a refletir mais sobre isso quando li um texto de Sêneca no blog de Patrícia Pirota. Fiquei refletindo sobre como administro meu tempo e o que faço com ele. Fiquei decepcionada comigo mesma. E continuo decepcionada.

Adicionei às minhas metas valorizar mais o meu tempo.

Tem gente que tem condições de viajar, estudar, fazer um curso, se aventurar ou até mesmo ajudar os outros. Mas preferem fazer coisas que adicionam em nada na vida. Pra muita gente, seis meses passa despercebido, como um piscar de olhos, um estalar dos dedos. Conheço uma pessoa que há anos não faz nada diferente. Zeca Camargo passou seis meses viajando pelo mundo. Muita gente viajaria sem aprender nada, sem ter aproveitado o tempo em cada lugar. Mas ele soube alimentar sua alma de experiências:

"[...] Eu tentei colocar tudo aqui, nas a tarefa é inglória. Eu mesmo não me lembro de tudo que vivi e experimentei nesses últimos seis meses. Mas sei bem como tudo isso mexeu comigo. Sobretudo como isso me fortaleceu. Lá em cima brinquei que as pessoas que não têm a sensibilidade para entender coisas assim jamais chegariam a essa altura deste longo texto de hoje. Espero realmente que elas tenham me abandonado parágrafos atrás. E celebro quem veio comigo. Porque se você chegou até aqui é porque tem o potencial de entender o poder dessas coisas que a gente experimenta pelo mundo. E sabe como isso transforma.
Voltar para a rotina, para a minha realidade aqui é um processo cruel, mas que encaro agora sem medo. Voltei com uma coragem e, sobretudo, com uma certeza do que eu quero da vida, como nunca havia conquistado nesses 52 anos. E tudo isso me deixa, repito, mais forte. E, consequentemente, mais feliz. E se escrevi tudo isso até aqui foi para poder dividir isso tudo com você. 
[...] 
Se essa última viagem de seis meses (quase ininterruptos) me ensinou alguma coisa, foi a de que eu ganhei essa experiência sim. Cresci ainda mais com ela. E seria injusto guardá-la só para mim".
[Uma História do Tempo - Zeca Camargo] 

Eu li um livro que tinha um trecho que falava sobre o tempo e não me recordo qual é. Vou deixar registrado aqui pra poder procurar mais tarde.

Reflita mais sobre isso.

Abaixo vídeo com o texto de Sêneca que mencionei. Se você não visualizar as anotações, clique nesse link.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Eu e o Dia dos Namorados



Hoje é o Dia dos Namorados. Quem me lembrou foi minha mãe. Entrei no facebook só pra mandar um recado pro meu namorado avisando que meu celular tá de frescura e então encontro milhares de postagens de casais, amigos meus, declarando amor e etc etc.

Não é por falta de sensibilidade, mas já faz um tempo que só comemoro dias de aniversário. Demonstro carinho todos os dias aos meus pais, meu namorado e amigos, digo até conhecidos. E me estranha bastante eu ter de demonstrar isso, meio que pressionada, por esses dias comemorativos.

Convivo quase que diariamente com meu namorado, que carinhosamente chamo de chuchu. E essa brincadeira começou desde o começo do nosso namoro. A gente não costuma se beijar publicamente e nem postar foto diariamente pra provar nosso relacionamento. Totalmente desnecessário pra quem não tem tempo.

Eu também trabalho com meu namorado. A gente tem uma relação de amizade e temos opiniões muito diferentes sobre muita coisa. Temos nossos defeitos que faz a gente brigar com uma certa frequência. Mas somos felizes assim.

A gente sonha com um dia de folga. Um dia em que a gente tenha uma noite romântica com jazz, vinho e pizza. Ou talvez uma noite bebendo cerveja e jogando sinuca. Mas hoje não é esse dia.

Não fiz nada pra ele. Não tenho dinheiro pra presente. Ele muitas vezes me vem com chocolate. E isso pra mim é mais importante do que ele me trazer um presente (de última hora) por causa de um dia comemorativo. Nada contra.

São quase quatro anos de relacionamento e posso dizer que foi maduro desde o começo. Ele é mais velho e eu tive outros relacionamentos que me fizeram mais madura (graças!). Ainda tenho muita coisa pra aprender. Sou muito egoísta às vezes.

Hoje eu vi uma postagem com o título "ainda dá tempo", mostrando presentes pra dar de última hora. O que me fez refletir. Por isso o motivo desse post. Queria que as pessoas fossem mais livres, naturais e espontâneas. E também sinceras com elas mesmas. Que não se sintam mal por terem esquecido alguma data, ou por não terem comprado um presente. A gente tem a vida inteira pra dar um presente.

Eu tou "fazendo" um presente pra uma amiga há mais de um ano. Tenho a garantia que ela vai gostar porque conheço ela o suficiente pra ter certeza.

Também sei exatamente o que o meu namorado quer e também do que ele precisa. Isso é melhor do que ir na Boticário e comprar um perfume. Ou uma caixa de chocolate. Ninguém lembra depois do que deu e do que recebeu.

Quem sabe eu escreva uma carta? Não faz sentido. Amanhã estaremos juntos e posso dizer o que deixei de escrever.

domingo, 7 de junho de 2015

Minúsculos



Minúsculos é uma série de animação sobre insetos e é muito fofo. Eu só assisti dois episódios na TV Cultura e me apaixonei. Os dois episódios tinham uma moral. E isso pras crianças é maravilhoso.


Infelizmente eu não achei no youtube a história mais curta e mais fofa que eu já vi. A história era de uma centopeia que estava com medo de atravessar a rua. E aí vem uma lesma (ou um caramujo, sei lá) e atravessa. A centopeia continua lá, com medo. E aí o caramujo atravessa de volta pra ajudar a centopeia. Enfim, é muito lindinho.
Os insetos não falam, mas o barulho remete a um ambiente real. Como se a gente observasse a vida dos insetos e construísse uma historinha por trás.


Cada episódio tem em média apenas 5 minutos. E são 5 minutos lindos, fofos e ❤
Muito amor.
Não é à toa que esse desenho ganhou 5 prêmios =) [wiki]

Eu não sou muito fã de insetos. E confesso que esse barulhinho de asas me dá nos nervos. Mas olha que fofo ❤


E puts grila, fizeram um filme!!! Trailer:


Pra quem quiser baixar

domingo, 31 de maio de 2015

Mais uma playlist...

...vem vindo aí.

Esse é um projeto que eu pensei há um ano e comecei a colocar em prática há pouco.
Trata-se de uma playlist que dura o dia inteiro e por isso se chama 24Horas.
A etapa, depois da escolha das músicas, é colocá-las na ordem correta. Sim, músicas pra se ouvir de manhã, de tarde, de noite e de madrugada.
Vai demorar um pouco para eu terminar essa playlist, então, podem começar a ouvir:

terça-feira, 17 de março de 2015

Stoner, obra redescoberta de John Williams


Peguei esse livro na livraria. Me sentei e comecei a ler.

na minha terceira visita à William Stoner
Foi uma indicação da Juliana Gervason que me deixou curiosa. Ela falou um pouco do livro e pensei "vou colocar na minha wishlist". Mas na verdade em uma ida à Livraria Cultura do Paço Alfândega o vi bem de frente pra mim na prateleira dos lançamentos. E lá mesmo sentei e li.

Não li em uma sentada só. Fui à livraria quatro vezes em dias diferentes para terminar o livro. Duas das quatro vezes estava à espera de alguém. E decidi: "Já que eu não tenho dinheiro pra comprar livros, vou ler aqui mesmo". E se Stoner não fosse tão interessante não me daria ao trabalho de visitar a livraria tantas vezes por semana.

É muito simples. O autor conta a vida inteira de um personagem.

Stoner é um personagem comum, mas ao mesmo incrível. É uma pessoa cativante. Mas será que foi a narrativa do Williams que me cativou? Ou o ser humano é um animal realmente interessante?

Stoner sai de casa de repente pra estudar, de repente de torna professor, se casa de repente e de repente tem uma filha e se apaixona assim.... também de repente.
Assim é a vida do ser humano. E que de repente envelhece e padece.

Stoner me cativou tanto que me segurei para não chorar na livraria no último capítulo do livro. Quase senti piedade. Uma vontade enorme de abraçá-lo. E de repente vi que quase senti vontade de dizer "Não se case com Edith" ou "Tome cuidado com sua filha, não deixe Edith transformá-la".

Saí da livraria assim, como se tivesse perdido alguém. Já eram 18h e a água do Rio Capibaribe refletindo o céu ainda azul e me senti órfã da vida. Sem perguntas e sem respostas. E também sem o livro nas minhas mãos para acariciar.

17/03/15 (terça-feira), me sentindo órfã
Ainda não sei o que dizer de Stoner e o que se passou entre mim e o personagem. Só sei dizer que John Williams, autor do livro, foi um filho da mãe que escreveu um livro maravilhoso sobre alguém. Uma pessoa, um indivíduo que pode estar do teu lado lendo um livro também.

Se ele não é clássico, pra mim é.

Vou deixar aqui o comentário de Julyana Brandão do Skoob:

Conheço umas tantas pessoas que leram esse livro e adoraram e quando perguntadas do motivo se acham sem palavras para explicar. Afinal de contas, é uma história simples. Um moço que vai para uma Universidade meio por acaso e cuja ida muda o destino que lhe era reservado. Lá ele estuda, se torna professor, casa, tem uma filha, escreve um livro, tem um caso... Nada muito diferente do que acontece com a grande maioria de nós. Daí hoje, numa das muitas resenhas que li sobre, penso que encontrei a minha justificativa:
"O pêndulo de sua vida se movimenta entre o trágico e o cômico, mas nunca se fixa nesses extremos, pois William Stoner se recusa a enxergar a si mesmo pelas lentes da arte. Talvez por essa razão sua vida funcione como um espelho para os leitores: o que ela faz ver não é mais, nem menos, que o desamparo da existência."  ¹ 

"Você precisa lembrar o que você é, o que escolheu ser, e o significado do que você está fazendo."(pag.46)

¹  Trecho de Felipe Charbel (Professor de Teoria da História na UFRJ) na matéria publicada no site ZH Caderno PrOA sob o título "Stoner, romance de John Williams redescoberto depois de 50 anos, ganha edição brasileira"