sábado, 28 de junho de 2014

Illusions Perdues para não-jornalista ver



Mais um livro muito bom que se pode ler em um dia! Você só precisa reservar 5 horas mais ou menos para lê este livro de Balzac. Pelo menos a edição que eu tenho... Comecei a ler este livro mais ou menos às 15h e ainda procrastinei um pouco na internet e terminei mais ou menos às 20h e pouca. Além de ter parado pra me alimentar umas duas vezes...

A minha edição da editora Seguinte tem tradução e adaptação de Silvana Salerno e ilustrações de Odilon Moraes (da qual vou falar mais adiante). O que acontece? Eu já tinha ganho este livro de presente quando o avistei na Livraria Saraiva. A edição que tinha lá era da Penguin e fiquei (sem brincadeira) boquiaberta. Sim, a capa era linda*, mas não foi isso que chamou a minha atenção. O que chamou minha atenção foi a grossura do livro. E até agora estou achando que a minha edição foi.... diminuída seria a palavra correta? Esqueci a palavrinha. Fiquei encucada! Até porque a minha tem ilustrações e tem selo recomendável para o público infanto-juvenil.

Sobre as ilustrações eu não tenho nem o que falar. Nesse mesmo dia na livraria, eu encontrei uma edição linda da Cosac Naify do meu poema favorito com ilustrações de Odilon. Sim, o mesmo ilustrador do livro! E pra quem tiver curiosidade o meu poema favorito é Ismália de Alphonsus de Guimaraens. Eu curto muito o traço de Odilon Moraes. Não tirei fotos pois a capa já contém duas, mas as de dentro são maravilhosas e aconselho dar uma olhada nelas quando for à livraria.

* A ilustração da capa é de René Magritte em sua obra la reproduction interdite.

Ilusões Perdidas
Honoré de Balzac
223 páginas
Companhia das Letras, 2002
ISBN 978-85-359-0271-6
Edição da Penguin com os valores da obra em livro e e-book

David e Lucien

Lido a primeira parte intitulado de Os Dois Poetas, a gente conhece uma história que se passa em 1819; na cidade de Angoulême, no sudoeste da França.

Primeiro conhecemos um pouco sobre prensas (impressoras) - tipografias - mercado responsável pela impressão de jornais, convites, informes e etc. É aí que conhecemos Nicolas Séchard - um velho bêbado analfabeto, escroto (Lula), que só pensa em dinheiro.
"A tipografia de Nicolas Séchard imprimia o único jornal de editais do estado e todas as publicações da prefeitura e do bispado: três clientes que deveriam proporcionar grande fortuna a um jovem ativo¹".
A ambição de Nicolas era tão grande que ele vendeu a prensa para o seu filho por um preço exorbitante. ¹David, filho único, era tranquilo e não tinha ambições tão doentias quanto a do pai, então não se preocupava em bajular os clientes da Igreja e outros.

David reencontrou seu amigo de colégio e, pensando na dificuldade que a família de seu amigo estava passando após a perda do pai, David o chamou para trabalhar com ele.

Lucien Chardon tinha 21 anos, era poeta e pretendia ficar rico sem muitos esforços. Sua mãe começou a trabalhar como enfermeira e sua irmã Eve, em uma lavanderia. As economias eram investidas em Lucien para se tornar um rico e ajudar a família financeiramente - além de participar da alta-sociedade.

Lucien tinha um amor chamado Marie-Louise-Anaïs de Nègrepelisse ou somente Naïs (para todos ao seu redor) ou Louise (apenas para Lucien). Ela virou senhora Bargeton após casamento com um idiota, pois seu pai queria que ela se casasse com um homem "sem valor e grandeza" para manter o estado de espírito independente da jovem (mantivesse a liberdade). E que logo ela se tornasse viúva.

Naïs leva uma vida monótona até que um metido chamado Châtelet deseja se casar com a única jovem sonhadora e inteligente da cidade. Claro, após a morte de seu marido. Châtelet tem a ideia brilhante de apresentar um poeta da cidade para surpreender a senhora Bargeton e apresenta a ela o jovem Lucien. (lascou-se)

Ao invés da moça se interessar por Châtelet (o nome sugere uma de suas características) - ela se interessa pelo jovem Lucien e passa a convidá-lo para jantares, festas ou saraus.

A sociedade se revolta contra aquele absurdo (pobre frequentando casa de rico) - Lucien então sofre mas não desiste. Quer ser aceito e se tornar rico e amante da senhora Bargeton

Enquanto isso David percebe as besteiras das escolhas de Lucien. Acaba se apaixonando pela irmã de seu amigo - Eve. Eles vão se casar enquanto Lucien vai para Paris com Anaïs. Como isso aconteceu? Descubra lendo o livro.

Trechos dessa parte

"Por falta de acontecimentos e atividade intelectual, as coisas pequenas tornam-se grandes. Essa é a razão pela qual a pobreza de espírito e a fofoca dominam as cidades do interior" - página 36

" - Os deveres da sociedade tomarão todo o seu tempo, e o tempo é o único capital das pessoas que só têm a inteligência como fortuna. Ele vai gastar dinheiro sem poder ganhá-lo" - fala de David - página 62

o grande homem do interior é pequeno em Paris

Como havia previsto David, Lucien quebrou a cara com Anaïs. No interior, ela tinha personalidade forte; defendendo Lucien contra acusações. Mas em Paris ela o deixa de lado. Ela não tem personalidade própria e escuta os conselhos de todos em Paris.

Agora Lucien acordou para a vida e foi se hospedar num hotel mais barato e tenta vender um livro de romance e um de poesia. Foi aí que conheceu um amigo sensato e de bom caráter chamado Daniel d'Arthez - eles frequentavam a mesma biblioteca.

Lucien entra para o grupo de amigos de Daniel. O grupo se chama Cenáculo e eles são amigos de verdade. Não  existia inveja. Um inimigo de um se tornaria inimigo de todos. A amizade vai durar muito empo. O grupo inteiro trabalhou extra para ajudar Lucien quando seu dinheiro tinha acabado.

Depois de tantos conselhos de seus amigos, Lucien quer ser jornalista e continua lutando para publicar o seu livro. Pelo menos ele encontrou um jovem jornalista que lhe apresentou o diretor do jornal e um livreiro bem conhecido.

(ficamos sabendo nessa segunda parte - através de uma carta - que Eve e David terão um filho)

Em seu novo círculo de amigos, "Lucien só ouvira conversas sobre dinheiro. No teatro como nos lançamentos de livros, nas livrarias como nos jornais, a arte e o talento não estavam em jogo". - página 128.

Lucien descobre que até as potências das vaias no teatro são pagos pelo concorrente. Além do diretor do jornal fechar uma parceria com o teatro para ganhar dinheiro falando bem das peças nos jornais.

O poeta tem sua primeira matéria publicada e foi aclamado por todos, ganha o coração de uma ²jovem atriz e começa a se deslumbrar com o ambiente em que os jornalistas vivem. Bem que seus amigos avisaram.
(lá em cima no slide 2 tem uma foto que explica essa parte. Pause e veja)

Trecho da Segunda parte

"Meu Deus, preciso de ouro a qualquer preço! O ouro é o único poder diante do qual essa gente se ajoelha. Não, o ouro não, mas a glória, e a glória é o trabalho. Trabalho, o lema de David. Meu Deus, por que estou aqui? Mas vou vender!" - pensamento de Lucien - página 90



Os amigos do Cenáculo revisaram a sua obra e, de acordo com o autor, já dá para entender a profundeza dessa amizade: "Lucien havia entregue uma criança desengonçada e malvestida e recebia uma moça bonita e charmosa" - página 146.

De qualquer forma, os amigos ficaram tristes ao saber que ele tinha se entregue ao meio jornalístico se vendendo à corrupção que rolava naquele ambiente.

"Sua consciência lhe gritava 'Você vai ser jornalista!', como a feiticeira gritou para Macbeth: 'Você vai ser rei!'." - página 148.

A matéria de Lucien foi responsável pela ascensão de ²Coralie.

(Lucien já está em Paris há 3 anos e pela escrita parece apenas 1 ou 2 meses)

E enfim. Lucien começa a trabalhar  no jornal e conhece os seus bastidores. Ele já entrou no jogo dos jornalistas. Tudo acontece como se não houvesse público que lesse. Apenas intrigas aqui acolá (pessoais) com pessoas de nome. Coisas que não deveriam ser encaradas como "normais" no jornalismo. E outras porqueiras.

Assim, Lucien ascende na profissão e consegue, atacando um autor no jornal, publicar o seu livro de poesias. Decide se vingar da senhora Bargeton e do ministro usando o seu cargo de jornalista. Além de ter abandonado os seus amigos do grupo Cenáculo, aparentemente também a sua família. Lucien está deslumbrado com as suas conquistas em Paris.

"Como a maioria dos jornalistas, vivia cada dia intensamente, gastando à medida que ganhava". - página 181.

Os jornais parecem que existem apenas para trocarem tapas...
Lucian volta à sua amizade com a senhora..... após seu marido falecer. E dessa forma Lucien começa a querer uma vida como republicano deixando de "ser liberal".

Mas Lucian começou uma boa-vida - passou a se divertir e esquecer o trabalho. Logo, Lucien e Coralie se endividaram e tiveram que vender tudo e morar em um apartamento simples. Os amigos do Cenáculo foram visitá-lo para aconselhar sobre os perigos de sua posição política.

Como havia previsto seu amigo Daniel - Lucien começa a ser atacado nos jornais. Tudo aconteceu - seus amigos jornalistas começaram a atacá-lo enquanto tramavam a sua queda. Ele foi considerado monarquista enquanto foi obrigado (por causa do contrato com o jornal liberal) de escrever matérias liberais. E assim, perdeu a confiança com o grupo cenáculo...

Spoiler (se quiser ler, não leia essa parte)

Tudo deu errado. Lucien perdeu sua credibilidade com os liberais e os monarcas, Coralie adoeceu mas continuou trabalhando até que não aguentou mais. Lucien ficou sem dinheiro e saiu com apenas 20 francos para voltar pra casa no interior - andando.

Pelo que li, Lucien se perdeu em sua vaidade e acabou esquecendo de sua família e de seus verdadeiros amigos que o aconselhavam para o caminho certo. De pobre rico, de rico pobre, Lucian apenas se lamentou. Não tinha mais o que fazer. Podia ter se tornado um grande escritor com o livro que seus amigos revisaram e melhoraram.
Pobre Lucian.
O ponto negativo
A narrativa começa com os personagens Nicolas e David Séchard (e Eve também). Só sabemos, após a viagem de Lucien para Paris, que eles estão esperando um filho. Mais nada. Senti falta de saber qual foi o destino desses personagens. Se eles tinham melhorado de vida, se viviam felizes, se o negócio da tipografia tinha dado certo, o que eles pensavam de David mesmo o ajudando financeiramente. Essas coisas. Fora isso, gostei de tudo. Até do destino de Lucien e eu não me importo em saber se ele conseguiu voltar para o interior.


A minha edição é acompanhada de quatro (4) textos: sobre Balzac, sobre a narrativa, sobre o contexto histórico e sobre a história do jornalismo e a profissão.

Se não fosse as suas verdadeiras experiências como escritor e tipógrafo, Balzac não teria escrito esta obra. Seu pai e sua irmã foram pessoas fundamentais em sua vida e carreira difícil. Balzac teve a mesma ambição de seu personagem Lucien - dinheiro e fama.

Balzac também foi amante de Eveline (uma condessa polonesa) onde, acredito eu, inspirou o nome da personagem Eve, irmã e mulher de Lucien e David, respectivamente. Ou seja, Balzac foi tipógrafo como David, teve uma amante que se chamava Eveline, e teve a mesma ambição do personagem Lucien.

Balzac escreveu freneticamente. Obteve sucesso e reconhecimento. Mas não pôde explorar de sua riqueza como deveria. Oito anos após se casar, morreu em 1850.

Seu estilo se divide entre romancismo e realismo. Além de suas obras comporem personagens bem construídos e vivos à época. Por isso sua importância antropológica.

O que se passa no Brasil no período do livro é a independência. O país se tornava independente de Portugal, sob regência de dom Pedro I que reinou de 1822 a 1831.

O personagem Lucien se encontrava na época do começo do jornalismo. Não havia muitas regras, padrões e condutas como há hoje em dia. Apesar de muita coisa continuar acontecendo.

"Os jornais eram palco para fofocas, troca de desaforos ou de gentilezas, e críticas absolutamente pessoais. Não se pode dizer que nos dias de hoje tenha havido uma mudança radical em relação a esse panorama, mas o jornalismo adquiriu uma feição mais profissional [...]".

O primeiro jornal brasileiro, feito e para brasileiros, foi publicado em Londres, em 1808. O Correio Braziliense era dirigido e redigido por Hipólito José da Costa, refugiado na Inglaterra por causa da Inquisição.
+ Balzac nasceu em 16 de maio de 1799, na cidade de Tours, capital da Touraine, considerada uma das regiões mais belas da Europa. Filho de Bernard-Fraçois Balssa, agricultor do sul da França, e da parisiense Laure Salambier, Honoré Balssa de inspirou em Jean-Louis Guez de Balzac, um dos primeiros membros da Academia Francesa, para mudar de nome. [tirada do livro - um dos textos]

terça-feira, 24 de junho de 2014

"Child, the living's easy" - Conheça a música Summertime e suas versões


"One of these mornings                                                                                             Em uma destas manhãs
You're gonna rise, rise up singing"                                                            Você levantará, cantando animada


Uma vez eu escutei, em algum lugar a música Summertime na voz da Janis Joplin. Infelizmente eu não lembro onde foi, acho que foi em um bar e gravei a palavra "summertime" para pesquisar na internet. Ou seja, a primeira vez que eu escutei essa música, foi na versão da Janis Joplin. Não precisa dizer que eu fiquei encantada, precisa?

A letra é de DuBose Heyward, autor de um romance chamado Porgy no qual a ópera Porgy and Bess (1935), do compositor norte-americano George Gershwin, se baseou. 
Gershwin declarou que essa música foi baseada em uma canção ucraniana de ninar, Oi Khodyt Son Kolo Vikon (Um Sonho Passa Pela Janela), que ele teria ouvido numa apresentação na cidade de Nova Iorque de Oleksander Koshetz, no Coral Nacional Ucraniano. (Wikipedia)
Summertime foi reconhecida como uma das canções com mais covers na história da música gravada, com mais de 38.100 versões!
A obra logo se tornou um jazz standard muito popular e gravado com muita frequência, descrito como "sem dúvida... uma das melhores canções que o autor já fez... a composição altamente evocativa de Gershwin mistura elementos de jazz e os estilos das canções afro-americanas do sudeste dos Estados Unidos do início do século XX." aspas tiradas daqui
Segundo o musicólogo K. J. McElrath, Gershwin foi "notavelmente bem sucedido em sua intenção de ter este som como uma canção popular. [...] no contexto da uma tonalidade menor e uma progressão harmônica lento que sugere um Blues. Devido a esses fatores, esta música tem sido um favorito de artistas de jazz ao longo de décadas e pode ser feito em uma variedade de ritmos e estilos." 
Em setembro de 1936, uma gravação de Billie Holiday foi o primeiro a bater as paradas pop dos EUA, chegando a # 12. A versão mais comercialmente bem-sucedido foi por Billy Stewart, que alcançou a posição # 10 na Billboard Hot 100 em 1966. (Wikipedia)

A letra da versão de Janis Joplin (pois se não fosse por ela, esse post não faria presente):

Summertime - Janis Joplin*

Summertime, time, time
Child, the living's easy
Fish are jumping out
And the cotton, Lord
Cotton's high, Lord so high

Your daddy's rich
And your ma is so good-looking, baby
She's a-looking good now
Hush, baby, baby, baby, baby now
No, no, no, no, no, no, no
Don't you cry, don't you cry

One of these mornings
You're gonna rise, rise up singing
You're gonna spread your wings, child
And take, take to the sky
Lord, the sky

But until that morning
Honey, n-n-nothing's going to harm ya
No, no, no no, no no, no

* tradução aqui

Segue abaixo uma playlist com algumas dessas versões. Não coloquei a versão de Sublime pois achei muito longe da versão original. Há apenas um trecho dela, além da melodia.



Summertime - época de verão; verão (minidicionário Oxford)

sábado, 21 de junho de 2014

Rota 66: a estrada mais famosa da América - em fotos

Sinal de estrada, '66 ', por volta de 1960. Photograph: Collection of Steve Rider/The Autry
Uma nova exposição no LA's The Autry traça a história de 2400 quilômetros de extensão da estrada que liga Chicago a Los Angeles, com artefatos de seus viajantes mais conhecidos, incluindo Woody Guthrie e Jack Kerouac.
A exposição vai até o dia 4 de janeiro de 2015

Sinal de néon "Western Motel ', por volta de 1950. Coleção do Museum of Neon Art. Photograph: Museum of Neon Art/The Autry
A velha estrada nacional para o sul da Califórnia, 1916, Automobile Club of Southern California. Photograph: Collection of Steve Rider/The Autry
Ed Ruscha, Dixie, Lupton, Arizona, 1962 (impresso 2013). Fotografia: Empréstimo cortesia do artista / The Autry
Manuscrito original de Jack Kerouac de On The Road de 1951. Photograph: Christie's New York. Copyright Estate of Anthony G. Sampatacacus and the Estate of Jan Kerouac/The Autry
Jackson Pollock, indo para o oeste, por volta de 1934-1935, óleo sobre papelão. Fotografia: Cortesia Smithsonian American Art Museum, Presente de Thomas Hart Benton / The Autry
Route 66 cartão postal de Peach Springs, Arizona. Fotografia: Cortesia Joe Sonderman / The Autry
Fonte e mais: The Guardian

terça-feira, 17 de junho de 2014

As cartas que você deseja ler e escrever

Miguxo e meu livro - Projeto 366 dias 366 fotos + Projeto Gnomo Viajante - Foi tirada em 29/MAI/2014 como a foto diz

Não esperava nada desse livro. Achava que ia ser uma leitura que não ia me acrescentar em nada. Julguei tudo: o título, a capa, a sinopse, a carta de recomendação da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) que está atrás do livro...

Laços (ainda mais vermelhos e rosas) não me atraem e confesso que não vi nenhuma menção de laço vermelho no livro. Pode ser que tenha, mas não lembro. Também não gostei muito da tipografia do título, (apesar de ser manuscrita e lembrar letra de carta escrita por uma caneta tinteira). Pelo menos a minha edição tem orelhas.

Por que eu li esse livro? Eu participo de um grupo no skoob chamado Clube do livro 2 caras e estou há uns 3 ou 4 meses participando. A minha intenção era de descobrir obras e autores sem preconceitos e julgamentos, além disso, participar de um clube do livro é muito bom porque você debate, fala de suas opiniões e enfim.

Voltando... Você irá gostar de saber que, apesar da capa ser do jeito que é, o livro é maravilhoso - ele é em formato de cartas que a personagem Juliet manda e recebe. Sim, tem também cartas que não envolvem a protagonista, mas tudo é por causa dela. Juliet está buscando um tema para o seu novo livro e tem certas dificuldades.

Um dia Juliet recebe uma carta de um desconhecido chamado Dawsey. Ele descobre o endereço dela da seguinte forma: Ele compra um livro (que já foi de Juliet) num sebo e atrás do livro tem o nome e o endereço dela. Então, foi assim que tudo começou. Dawsey Adams escreve para Juliet falando sobre a obra e fez uma indagação a cerca de algum momento do livro. E Dawsey menciona a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata.

Como um nome desse não iria suscitar interesse em alguém? E claro, Juliet é uma pessoa muito curiosa. Ela é escritora e escreve também para jornais - mais um motivo para Juliet se corresponder com Dawsey fazendo uma série de perguntas.

É preciso dizer que a história se passa na época de pós Segunda Guerra Mundial e isso foi crucial para a obra se tornar o que é. A gente sempre lê histórias tristes sobre a guerra. Nesta obra não é diferente - há histórias tristes, mas a novidade desse livro é como as personagens lidaram com a guerra.

Achei os personagens bem construídos, gostei de todos eles. Até de Elizabeth que nunca aparece, apenas é mencionada nas cartas. Porém o livro tem um ponto negativo - algumas cartas parecem ser escritas pela mesma pessoa - com o mesmo estilo de escrita. No final, eu dei 5 estrelinhas para este livro no skoob. Depois da leitura, você fica com vontade ou de viajar e ir conhecer Guernsey. Ou de mandar uma carta para alguém. Talvez um desconhecido.

PS.: Você vai amar e se rir muito com a personagem Isola Pribby. Não vou contar nada sobre ela. Leia o livro!

Juliet Ashton mora em Londres
Dawsey Adams mora em Guernsey
A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata - Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
303 páginas
Editora Rocco
2009
De R$ 38 na Livraria Cultura por R$ 22,50 no Sebo
ISBN 978-85-325-2410-2
Skoob
+ Sempre gostei de cartas. De receber mais do que escrever. Mas infelizmente não encontrei ninguém que gostasse da mesma maneira que eu gosto. "Ah, qual é o seu e-mail, é mais fácil"...
Me correspondia com a minha prima que vivia mudando de estado e país e ela me deu várias coisas interessantes. Guardo tudo que recebo dos correios.
Meu perfil no skoob - podem me adicionar

sábado, 14 de junho de 2014

Playlist To Travel

Cena do filme Thelma and Louise

Para fugir do São João e da Copa, algumas pessoas vão viajar. Pode ser de avião, de ônibus, van ou de carro, tanto faz. Viagens geralmente são muito cansativas e duram mais de uma hora. É chato ficar sem fazer nada. Quem não dirige, lê alguma coisa. Mas tem gente que não consegue ler ou simplesmente não pode - não é saudável, ou até mesmo porque vai dirigir.

Eu sugiro então que você faça uma playlist antes de viajar, coloque no seu celular ou MP3 (que é melhor e a bateria dura mais) e vá com a sua malinha procurar um lugar ao sol. Ouvir música sempre foi um prazer quase unânime e a playlist que eu elaborei serve para todos os gostos. Todos não, quase todos. Tem algumas melódicas, tem uns rock n' roll, tem umas clássicas, umas pop, água com açúcar, enfim.

A playlist é composta por 40 músicas (podia ser mais) e possui, mais uma menos, três horas de duração. Dá pra viajar bastante sem se cansar, sem repetir, enfim. Se você quiser, coloque as suas sugestões, acrescente as que você gosta e pé na tábua!

Eu coloquei essa playlist no youtube (o ruim são os comerciais), e intitulei de "To Travel". Eu deixei de colocar muita música que eu gosto, mas podia ficar sem nexo para a ideia. Espero que gostem!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Voz do Brasil de ninguém


O texto que você vai ler pode ser um pouco infantil mas é pertinente. Não tem como não sê-lo. Eu escrevi no ônibus em meu Kobo. Algumas coisas se perderam pois o meu raciocínio às vezes é muito rápido e eu não consigo acompanhá-lo escrevendo. Descobri que tem um limite de caracteres nessa ferramenta do Kobo e parei o texto no meio. Esse texto foi escrito no dia 13 de Maio de 2014. E só agora, em  Junho, a transcrevi. Então perdi parte do meu raciocínio.

"Estou aqui sentada no ônibus que nem Maria, João e o moço que está ao meu lado tentando cochilar. Vou explicar agora porque eu estou ouvindo música e escrevendo no meu Kobo e não ouvindo notícia na rádio para entender porque o ônibus está parado no trânsito há mais de uma hora.


 Primeiro preciso dizer que curso Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco e eu deveria me envergonhar de não ter lido jornais ultimamente. Posso dar a desculpa de que estou fazendo muitos trabalhos ao mesmo tempo e lendo bastante para estudar para as provas de final de semestre? Enfim.... 

Estou no trânsito há mais de uma hora. Se brincar passa de duas horas parada aqui no calor abafado de dentro do ônibus pois não tem ventilador (muito menos ar condicionado). Para completar está chovendo bastante lá fora, o que indica que todas as janelas estão fechadas. A demora é tanta que o motorista desligou o motor.

Como havia dito, não sei o que está havendo - acredito que seja greve e a classe trabalhadora está em peso em frente à prefeitura. Mas não sei e gostaria muito de saber. Ninguém no ônibus parece saber de algo também. Já faz um tempo que os jornais impressos perderam leitores... 


Liguei a rádio no meu celular para buscar alguma informação (e antes que me perguntem sim, eu uso fone de ouvido). Foi uma busca perdida atrás de alguma informação que pudesse justificar o meu atraso. Digo o porquê:  Há muito tempo todos os brasileiros são obrigados a ouvir a Voz do Brasil na rádio para estar por dentro de todas as ações do governo e ela fica bem horário em que estamos no carro, no ônibus, largando da faculdade, do trabalho. Ou seja, no trânsito, na transmissão do jogo e etc. 

Eu, como Maria, João e o moço ao meu lado continuamos sem saber o que está havendo na cidade. Tem horário mais inconveniente para saber assuntos do governo? Sem falar em que estamos vivendo uma decadência no jornalismo e a rádio está entre as mídias afetadas por essa decadência. E isso é assunto para outra pauta. 

A Voz do Brasil não tem mais sentido nesse horário. Todo mundo tem um celular com MP3 ou tem caixa de som no carro. Se ninguém quiser ouvir, não vai escutar. O governo poderia disponibilizar suas informações em seu site em um formato que a pessoa pudesse baixar e escutar em seu aparelho no celular, por exemplo. Não é o que se faz hoje em dia?"

O meu ponto de vista é muito prático. É claro que as pessoas devem estar informados sobre tudo o que está acontecendo na política, no governo. Mas elas não devem estar obrigadas a isso em um horário inconveniente. É preciso entender - minha sugestão seria uma frequência só de notícias do governo. E disponibilizá-las para que outras rádios interessadas em transmitir no horário que convém.


A Voz do Brasil é um programa estatal que tem uma hora de duração e começa às 19h. Está no ar há mais de 70 anos com notícias sobre os três poderes - Executivo, Judiciário e Legislativo - é o programa mais antigo do país. Ela foi criada durante o governo de Getúlio Vargas para que a população ficasse a favor de seu mandato. Foi "Programa Nacional" na época de Getúlio, depois "Hora do Brasil" na época de Médici e hoje tem o nome que tem. Ele é obrigatório por determinação do Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT).

Não pelos mesmos motivos, mas existe uma campanha a favor da flexibilização do horário da Voz do Brasil. Veja aqui: http://www.avozqueeuqueroouvir.com.br/


https://twitter.com/avozdobrasil
http://conteudo.ebcservicos.com.br/streaming/avozdobrasil

+ pra quem ficou curioso com o que aconteceu naquele dia eu vos digo: foi o dia da greve dos policiais de Pernambuco. No dia seguinte houve uma onda de saques em supermercados, lojas de eletrodomésticos e shoppings. Nesse dia as escolas e universidades foram fechadas e trabalhadores ficaram ou voltaram para casa. Desde então o Exército está na rua.