terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Rosshalde - Hermann Hesse

Capa da minha edição que se soltou e eu coloquei na parede


Rosshalde é um romance escrito pelo alemão Hermann Hesse. O livro foi publicado pela primeira vez em 1914 e traduzido para o inglês em 1970. A obra conta a história do casamento fracassado entre o protagonista Johann Veraguth e Adele Veraguth.

Veraguth é um pintor renomado que vive em sua propriedade Rosshalde e trabalha em seu estúdio que fica do lado de fora da mansão onde fica a sua esposa e seu filho caçula, Pierre. Enquanto Veraguth fica isolado e compenetrado em seu trabalho, sua esposa cuida do filho pequeno e do jardim. Mas na maioria das vezes, Adele fica sentada ao ar livre olhando para o nada. Enquanto o pequeno Pierre procura por uma aventura, uma descoberta e sente necessidade em entender a língua das abelhas.

Pierre tem um irmão mais velho chamado Albert que está em outra cidade estudando. Albert é o filho que não se dá muito com o pai, mas muito apegado a mãe. Albert é estudioso, amante da boa música (música erudita) e se dedica a tocar piano. Conhecemos Albert um pouco antes dele passar as suas férias em Rosshalde – através de um curto diálogo entre Adele e seu marido.

Rosshalde fica localizada em uma cidade muito tranqüila. O pintor gosta do bosque de Rosshalde, mas não do centro da cidade – que faz lembrar a sua infância. A propriedade tem cuidados dos criados, mas somos apresentados apenas a Robert, um criado fiel ao dono da mansão. Que ao mesmo tempo é um pintor muito conhecido.

Veraguth tem um único amigo em que confia – seu amigo de infância Otto Burkhardt. Otto é solteiro que mora na Índia e viaja muito pelo mundo – aparenta ser um bom vivã. Veraguth hospeda Otto em sua casa muito entusiasmado, e muito mais por viver isolado e ter um relacionamento estranho e distante com Adele.

O diálogo entre os dois velhos amigos não deixa dúvidas que houve algo no passado que mudou a vida de Veraguth e o transformou em um homem distante, isolado em seu trabalho e rígido com sua mulher e com o filho Albert. Veraguth tinha um apreço especial pelo pequeno Pierre e o tratava diferente – mais amável. Mas não sabemos do que se trata. Algo aconteceu entre ele e Adele que mudou seu relacionamento.

Seu velho amigo Otto lhe faz uma proposta muito tentadora. De sair de Rosshalde e abandonar a sua família. Veraguth pensa muito em seu pequeno Pierre antes de tomar a sua decisão. Mas seu conflito entre ele e sua esposa parece ser maior que o afeto pelo pequeno. E aí vemos um tema que faz parte da humanidade – o escapismo. Como a fase da adolescência, muitas vezes o escapismo é também como uma fase que cada um de nós passamos um dia.

Rosshalde é uma leitura que vela muito a pena. É comovedor, é emocionante, é viciante, é melancólico, enfim. Rosshalde narra a vida de um pintor (e Veraguth não poderia ser outra coisa – ele se encaixa muito bem) que descobre a necessidade de se refugiar, de mudar a sua vida e conquistar a liberdade. Além de superar as suas frustrações, seus incômodos “que durante anos lhe amargaram a vida”.


Fizeram um hip-hop/performance com a obra:

O cara

Hermann Hesse é um escritor que costuma tratar da problemática existencial – como o fez muito em O Lobo da Estepe. É um autor excepcional, sem sombras de dúvidas. E deve ser tratado com muito respeito. Acredito que suas obras deveriam ser reeditadas. E digo mais, acho que algumas obras poderiam ser adaptadas para o cinema ou TV. Rosshalde teria uma adaptação muito mais interessante, acredito, que O Lobo da Espete, por exemplo.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Folha de Esboços


Estala frio o vento de outono
nos juncos ressequidos,
cinzentos no anoitecer,
Gralhas esvoaçam do salgueiro
e perdem-se no campo.

Solitário na praia, um anicão
sente o vento nos cabelos, a noite e a neve iminente,
olha das sombras da praia distante ainda sorri
na luz: dourado além, belo como sonho e poesia.

Olha firme o quadro luminoso,
pensa no lar, pensa na juventude,
vê o ouro empalidecer e apagar-se,
vira-se e caminha
afastando-se lento do salgueiro
e perdendo-se no campo.

Escrito em 5 de dezembro de 46
Saudações de H. Hesse

Retirado do livro Correspondência Entre Amigos, de Hermann Hesse e Thomas Man