sexta-feira, 29 de março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Saudade


Saudade dói.
Proferir a palavra já é um ato doloroso,
Pois ela encerra toda a dor pungente, 
Que marca e fere sem palavras.

Saudade machuca.
Senti-la é morrer em silêncio,
Chorosamente, lágrimas que teimam em cair.

Saudade condena.
Um inferno de pensamentos,
Caleidoscópio de lembranças
Que aguilhoam a memória do coração.

Saudade.
Não posso mais ouvi-la!
Muda esta expressão de horror!
Horroriza esta expressão muda.

Saudade.
Calo-me.
Teus gritos me ensurdecem.

Agatha Christie

domingo, 24 de março de 2013

Flickr - Rachel Dowda

Hoje vamos conhecer o Flickr da Rachel Dowda. Entrando lá, não vai querer sair! Ela tem 22 anos e assim como eu, ainda usa filme! Aqui só tem algumas de suas fotos. Para conhecer mais clique >aqui<
As fotos dela são daquelas que você favorita no We Heart It e rebloga no Tumblr.
Veja mais fotos no flickr da Rachel Dowda.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Johnny e June (Walk the Line)


Sinopse
A história do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição, do qual apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, pode salvar.
O filme dirigido por James Mangold. Foram necessários quatro anos para que os produtores conseguissem os direitos de adaptação para o cinema com o autor James Keach, que era amigo pessoal da família Cash. Após este período foram necessários ainda outros quatro anos para que o filme fosse feito.
A cinebiografia de Johnny Cash foi recusada pela Sony Pictures, Focus Features, Columbia Pictures, Universal Pictures, Paramount Pictures e Warner Bros.

Joaquin Phoenix (Johnny Cash) e Reese Witherspoon (June Carter) passaram por 6 meses de aulas de canto com o produtor musical T-Bone Burnett. Joaquin Phoenix cantou todas as músicas em cena, tendo também recebido aulas de guitarra para compôr o personagem. O ator foi uma escolha do próprio Johnny Cash, enquanto que Reese Witherspoon foi escolhida por June Carter Cash.

A verdadeira June Carter Cash faleceu pouco antes do início das filmagens de Johnny e June. Johnny Cash morreu quatro meses depois.




Autobiografias de Cash: ‘The Man in Black’ e ‘Cash: An Autobiography
Fontes: Adorocinema

terça-feira, 19 de março de 2013

A Megera Domada - William Shakespeare

Conta a história de Catarina, uma mulher que não pretende se submeter aos homens em função do casamento. Com sua língua ferina, afasta todos os pretendentes, deixando desesperada sua irmã Bianca que precisa esperar a a irmã se casar para poder também escolher um pretendente. Até que surge Petrucchio, um grosseirão disposto a tudo para conquistar o dote de Catarina. Cheia de reviravoltas, a peça discute amor e casamento, tornando a obra atual até hoje.


Nunca pensei em ler uma peça, porque não gosto de ler diálogos. No começo achei chato e abandonei a leitura (isso há 2 anos mais ou menos), e retomei este ano e vi que estava errada. Foi muito gostoso ler os diálogos, as personalidades, as confusões e a malandragem de alguns personagens. A Megera Domada é uma comédia que não se pode deixar passar. Tem seu valor porque trata de algumas questões de época, mas também muito atuais nos dias de hoje. O feminismo e o machismo estão intrínsecos nesta obra de William Shakespeare. A obra foi adaptada de uma antiga comédia de autor desconhecido. Alguns críticos afirmam que Shakespeare teve um colaborador na elaboração deste seu trabalho teatral. A peça já começa com muito humor: A introdução se passa numa taverna. Um nobre passa por um bar e vê um bêbado dormindo no chão. O nobre leva o bêbado (que se chama Sly) para a sua mansão e trama junto com seus criados, de fazer o bêbado a acreditar que é da nobreza e que dormiu por 15 anos! O vestem com roupas chiques e o leva ao teatro para assistir “A Megera Domada”. 

Personagens: um nobre, Cristóvão Sly (caldeireiro), hoteleira, pajem, atores, caçadores e criados, Batista (rico gentil-homem de Pádua), Vicêncio (velho gentil-homem de Pisa) Lucêncio - filho de Vicêncio, apaixonado de Bianca, Petrucchio - gentil-homem de Verona, pretendente de Catarina, Grêmio, Hortêncio, Trânio, Biondello, Grúmio, Curtis, um professor (preparado para fazer o papel de Vicêncio), Catarina (a megera), Bianca, Viúva, alfaiate, logista e criados (a serviço de Batista e de Petrucchio).


A Megera Domada conta a história da luta pela mão de Bianca, uma jovem bonita e delicada, que é cobiçada pelos homens da cidade. Mas Batista, seu pai, impôs que Bianca só se casaria se, sua irmã Catarina, se casasse primeiro pois ela é mais velha. Mas nenhum homem quer Catarina porque ela é grossa, osso duro de roer e chamada de "louca varrida". Sim, a própria megera!
Chega Petrucchio na cidade, ele será o pretendente de Catarina. Ele está além da grosseria de Catarina, e vai oferecer de tudo para que Batista aceite o casamento entre os dois, mesmo sendo contra a decisão da megera. 
Essa trama vai desenrolar com trocas de personagens: Trânio se veste de Lucêncio e Lucêncio de Trânio, só para que Lucêncio conquiste o coração de Bianca, e levar vantagem em relação aos outros pretendentes. Já que Batista tinha sua preferência e é persuadido a entregar a filha ao pretendente mais rico.

O desenvolvimento do enredo é repleto de bom humor, ambição e trapaças. O fechamento é o melhor de todos e é o que dá nome à obra. A crítica, feita por Shakespeare, se tornou muito acentuosa neste ponto:

SPOILER: Na festa do casamento de Bianca, os homens se juntam todos e fazem uma aposta para testar a obediência das mulheres e é aí que Catarina se revela, como uma esposa subserviente e humilde, enquanto Bianca não atende o chamado do marido. Petrucchio ganha a aposta. A megera foi domada.

Onde ler: Ebook (pdf), PDF (sem numeração de página), UFRGS (formato interessante)



Série animada adaptada por Leon Garfield: Parte 1, Parte 2, Parte 3:




Escrito originalmente em 16/02/13

domingo, 17 de março de 2013

The Prodigy, 3 músicas

Smack my bitch up - É um dos clipes que eu mais gosto e se você ainda não assistiu, assista. É por isso que eu não vou falar nada para não perder a "surpresa". É um clipe um pouco pesado (principalmente para crianças), então, tire as crianças da sala e aperte play!


Omen - Esse fez parte da trilha sonora de Kick Ass e faz dissa o melhor vídeo. Não perca, vale a pena ver. E a música é uma das que mais gosto da banda!

Voodoo People - Esse vídeo foi o repeteco da MTV por um tempo. O clipe é bom, só não gosto muito da versão remix.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cecília Villanova

O PAPEL

Olhei-o de uma só vez, 
Lá estava ele, branquinho...
Atirei-lhe os sentimentos,
Tornei-o vivo.
Já não era vazio.
Enchia-me os olhos--
Lá estava o pensamento.
Seu papel, seu destino,
Fôra para sempre destinado
Com um poema carimbado.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O Caçador de Pipas

Sinopse do livro
O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado. (novafronteira)


Sinopse do filme

Kabul. Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada) são dois amigos, que se divertem em um torneio de pipas. Após a vitória neste dia um ato de traição de um menino marcará para sempre a vida de ambos. Amir passa a viver nos Estados Unidos, retornando ao Afeganistão apenas após 20 anos. É quando ele enfrenta a mão de ferro do governo talibã para tentar consertar o ocorrido em seu passado.

O filme é um drama dirigido por Marc Forster (007 - Quantum of Solace, Em Busca da Terra do Nunca), e tem roteiro do David Benioff e do próprio autor.
O autor do livro é Khaled Hosseini, o mesmo do livro "A Cidade do Sol".


Fontes: Adorocinema, Skoob

domingo, 10 de março de 2013

Conto: Porcelana - Agatha Christie


Era tudo muito simples. Estava então cansada de ter tais expectativas, pois ela sabia que ele não viria mais. Seu olhar foi de dúvida a contemplação e no fim atingiu em cheio o homem que tomava seu depoimento.
O delegado, interessado no que ouvia procurou manter seu olhar firme na depoente.

- E depois daquela conversa, a senhora nunca mais o viu?
- Não. Não achei conveniente. - Respondeu ela sem mostrar dúvida alguma desta vez.
- A senhora sabe se seu ex-marido tinha algum inimigo ou desafeto?
- Além de mim? - Riu-se ela. - Não. Não que eu soubesse. - Completou ao ver o rosto sério do delegado.

O delegado apoiou os braços sobre a mesa e uniu as mãos em atitude apaziguadora.

- Espero que a senhora possa entender a razão de estar aqui...
- Entendi sim, delegado. - Interrompeu-lhe brusca e inadvertidamente. - Meu ex-marido está desaparecido e não é segredo para ninguém que não nos dávamos bem, apesar de eu querer uma reconciliação, mas ele insistiu com aquela vagabunda! Destruiu minha vida, meu amor próprio desfilando com ela em frente à nossa casa para todos verem! A casa que nós dois construímos juntos! O senhor é que não pode entender a razão de eu estar aqui... - Neste momento, as lágrimas rolaram densas, enevoando os olhos amendoados.

O que se podia fazer? Ele, um homem da lei, só podia solicitar um copo d'água com açúcar e esperar que a dona se acalmasse. Até ali não tinha olhado bem ela. A bem da verdade, nela não tinha muito que se olhar. uma dona de casa chegando aos quarenta não muito conservada, daquelas com cheiro de alho e cebola nas mãos e nas roupas, manchas brancas de desinfetante. As dela, até que estavam bem manchadas, como se ela tivesse compulsão pela limpeza. Muitas mulheres desenvolviam diversos transtornos mentais depois de serem abandonadas pelo companheiro de décadas, a quem eram devotadas toda a vida...

- O senhor sabe que tipo de bodas íamos fazer ano passado? - Perguntou ela de repente. - É claro que não sabe... eram bodas de porcelana... vinte anos... vinte anos da minha vida dediquei a ele... vinte anos. A porcelana quebra tão fácil, não é delegado? Eu tinha comprado um jogo de jantar de porcelana para comemorarmos... mas aquela lambisgóia estragou tudo! O senhor vê o que ela fez? Vê o que aconteceu comigo?
- Senhora, eu sinto muito pelo seu sofrimento, mas precisamos esclarecer este mistério! Seu marido está desaparecido há um mês e estamos sem pista alguma do paradeiro dele... a polícia...
- Por que não pergunta a vagabunda que vive com ele? Por que me atazanam com esse assunto? O senhor não entende? ELE NÃO É MAIS MEU... ELE É DELA AGORA!
- A senhora não sabe que ela também está desaparecida? - A mulher pareceu voltar à realidade.
- Ela também... oh! Eu não sabia! Por tantas vezes eu desejei a morte dela... e agora isso...
- É, senhora. Se o seu desejo se realizou, não sabemos, mas é fato que com ela sumiu todo o dinheiro do seu marido... já faz uma semana.
- Deus! Mas, então... - A mulher enfim, estava compreendendo porque estava ali. O delegado suspirou aliviado.
- Se a senhora puder ajudar com qualquer informação sobre a foragida... 
- Eu... eu não posso... desculpe... - E foi levantando-se, tropeçando nas pernas, chegando à porta balbuciando que não podia mais e sem mais partira. O delegado ainda pensou em detê-la, mas desistiu de atormentar ainda mais a pobre diaba.

A pobre diaba, agora, na rua, tentando enxugar as lágrimas, tentava se acalmar. Jurou não mais chorar.  Afinal de contas não tinha com o que se preocupar. Ele não estava desaparecido. Não! Ele havia voltado para ela! E mesmo que dissessem que ela estava louca, ela voltava para casa agora, para ele!
Aquela vagabunda não ia destruir seu casamento de novo, não mesmo! Ela sumira! Estava longe, bem longe deles e agora ela iria finalmente pôr a louça nova para o jantar...
Ah! Sua casa! A mais bonita da rua, mas o jardim estava tão descuidado... um ano sem que ela cuidasse dele. passou a mão pelos cabelos despenteados. Ela estava tão mal quanto o jardim. Um ano.
Atravessou o portão, com coragem para derrubar um muro. Abriu a porta e deparou com a casa... vazia. Sorriu, pois mesmo vazia, era a sua casa. Mesmo vazia, era ela mesmo. Subiu as escadas, tomou um bom banho, vestiu-se a contento, arrumou os cabelos. Era hora de esvaziar-se mais ainda das lembranças. Ele não a esperava na sala, mas ele iria chegar, ela sabia! A outra não existia mais, sumira! E agora, ele ia precisar dela, ah sim, ia!
Desceu, preparou o jantar, mas não encontrou o seu jogo de porcelana. Uma pena; ele se quebrara. Era tão bonito. Mas ela não estava falando de seu casamento... era da louça. Uma febre começou a queimá-la intensamente, dirigiu-se às escadas, mas não tinha nada a fazer lá em cima. De súbito, lembrou-se do jogo de louça. Ah, como poderia esquecer? Ela o havia guardado no closet embaixo da escada. Pegou a chave e abriu a porta. A princípio não entendeu muito bem a bagunça que via. Entrou, acendeu a luz e sorriu para a tétrica figura jogada a um canto, encolhida.

- Oi, amor! Desculpe se me atrasei, foram muitas perguntas que o delegado fez... oh.... não se assuste! Já vou limpar este sangue do seu rosto. Não devia ter batido tão forte, mas você não queria ficar quieto... e mais um pouco e o policial ia acabar te escutando, não é?

O homem gemia desesperadamente, mas a fita grudada em seus lábios não ajudava muito o seu pedido de socorro. Nem as mãos e pés atados. Como sobrevivera  tanto tempo assim?

- Sabe que estão te procurando? Pois é! Eles não acreditam que você voltou pra mim... acham que estou louca, mas não estou... não estou... - A febre aumentava e quando ia saindo, lembrou-se de algo importante. - Já ia me esquecendo... ela te incomodou muito? Não se preocupe, amanhã me livro dela e aí seremos só nós dois de novo... pena ela ter feita eu quebrar nosso jogo novo de porcelana, não é?

A mulher deu um leve chute no cadáver que jazia aos seus pés, dilacerado por cortes finos e profundos e, em algumas partes daquele corpo sem vida, jaziam pedaços de porcelana cravados, como se fossem lápides em túmulos.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Especial Mulheres

Aqui faço uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Não quero falar como esse dia se tornou tão especial, como aconteceu a luta, suas conquistas no mercado de trabalho (que ainda tem a crescer),
 ou sua situação hoje. Quero apenas indicar "algumas" leituras. 
Foi no dia, no mês e no ano em que eu nasci, 8 de Março de 1993. E fui a primeira fêmea a nascer no Albert Sabin em Recife. Pra mim, o dia é especial por isso, não por ser meu aniversário e me orgulho muito de ter nascido mulher e não homem ou hermafrodita, rs

Minhas indicações

1. Minha primeira indicação é a peça A Megera Domada escrita por Shakespeare. O autor de Romeu e Julieta, Sonho de uma Noite de Verão e Antônio e Cleópatra. A Megera Domada tem adaptação para o cinema e ganhará outra talvez com Anne Hathaway como a megera Catarina. As "adaptações" modernas desse clássico podem ser vistas em 10 Coisas que Odeio em Você e na novela O Cravo e a Rosa.
Conta a história de Catarina, uma mulher que não pretende se submeter aos homens em função do casamento. Com sua língua ferina, afasta todos os pretendentes, deixando desesperada sua irmã Bianca que precisa esperar a a irmã se casar para poder também escolher um pretendente. Até que surge Petrucchio, um grosseirão disposto a tudo para conquistar o dote de Catarina. Cheia de reviravoltas, a peça discute amor e casamento, tornando a obra atual até hoje.
2.  Bombons Chineses - Mian Mian

Este livro trata das esperanças e desesperanças da juventude de um país em transformação. Sua linguagem é chocante. A jovem autora, Mian Mian, ex-dependente de drogas pesadas, narra em seu romance de estréia uma desesperada e erótica história de amor no meio de roqueiros, drogados, arruaceiros, prostitutas, loucos e adolescentes rebeldes. Um tapa na cara, que imediatamente foi proibido no seu país de origem, a China.


3. Dançando na Luz - Shirley MacLaine (clique no hiperlink)

4. As Boas Mulheres da China - Xinran (clique no hiperlink p/ ler minha resenha)
A jornalista Xinran coletou inúmeros relatos sobre a vida da mulher chinesa contemporânea durante os oito anos em que comando o programa de rádio "Palavras na brisa noturna", entre 1989 e 1997. Mostra a história de mulheres onde predomina a memória da humilhação e do abandono: casamentos forçados, estupros, desilusões amorosas, miséria e preconceito.

5. Mulheres - Charles Bukowski. E eu poderia deixar de mencioná-lo?

Henry Chinaski é um escritor cinquentão e alcoólico, a quem as mulheres não dão descanso. Irônico, “Mulheres” narra episódios da vida deste “alter-ego” de Bukowski.
Cada mulher é diferente. Umas loiras, outras morenas, outras ruivas. Umas mais sedutoras e provocantes, outras mais ingênuas e discretas. Há muitas, tantas – a reserva parece não ter fim, nenhum homem consegue esgotar o lote. Quase todas bonitas, quase todas terríveis. Henry Chinaski gosta que elas existam.
Mulheres”, publicado em 1978, descreve a vida deste “alcoólico que se tornou escritor para poder ficar na cama até ao meio-dia”: as bebedeiras, as ressacas permanentes, os vômitos, as corridas de cavalo, as leituras nas universidades, as festas, as cartas de admiradoras, as esperas no aeroporto, os encontros sexuais, os dias seguintes, as rupturas, as reconciliações. Mais cerveja, mais sexo, mais mulheres.

Outras indicações

Mulheres - Eduardo Galeano: Neste livro, temos uma magnífica prova da fascinante prosa de Galeano. Numa seleção de textos do próprio autor encontramos aqui textos que são uma verdadeira homenagem às mulheres – célebres e anônimas – da America Latina.

Mulheres! - David Coimbra: Mulheres! , livro de crônicas de David Coimbra com textos publicados no jornal Zero Hora (de Porto Alegre) entre 2003 e 2005. O título desta compilação não deve ser lido apenas como uma interjeição, daquelas pronunciadas aos amigos em mesa de bar, de dedo erguido e fazendo referência a um incompreensível ou inaceitável comportamento feminino. David Coimbra, jornalista, cronista, escritor e indefectível bem-humorado, debruça-se sobre mulheres de todas as idades, formatos, profissões e mentes como um paleontólogo sobre fósseis e esqueletos, e observa seu objeto de estudo (e desejo) com tanta compaixão quanto curiosidade, com tanto humor quanto fascinação. Nas suas crônicas-histórias, o autor retrata de forma ficcional os vários tipos de mulher moderna e a relação delas com outras mulheres, com o sexo, com a liberdade e o casamento, com a maternidade, com os homens, com o próprio corpo - e, é claro, dá vazão ao eterno (pelo menos até os conturbados dias de hoje) fascínio masculino por esse estranho e encantador espécime. E como nem só de mulher vive o homem, o leitor encontrará também textos sobre outros mistérios da natureza.


Mulheres - Marilyn French: "Por muitos anos este livro foi minha bíblia do feminismo. Mescla de ficção com ensaio, apresenta várias mulheres que se conhecem na universidade e trocam idéias - há lembranças, digressões feministas e históricas (os EUA nas décadas de 1950 e 1960) e muita amargura. É um romance pessimista que vê as relações entre homens e mulheres como impossíveis; relações que sempre serão frustrantes e alienadoras para as mulheres. Forte, intenso, mas decididamente deprimente e irado". - Relato da leitora Claire Scorzi.


Mulheres - Yoshihiro Tatsumi: Em cada uma das seis histórias de 'Mulheres', Tatsumi faz retratos de personagens em que predominam intenções ocultas, relações estranhas e vivências apenas insinuadas, que se escondem nos recantos mais sombrios de suas almas - Hisako se entrega à prostituição para esquecer o homem que amava e que a decepcionou; Mika vive com o dinheiro que consegue de cada um de seus amantes, mas começa a sentir os efeitos da recessão econômica; Kyouko é casada com um homem vítima de um acidente de trânsito e que tem fobia de sair nas ruas de Tóquio. Há também Kuriko, Keiko e Hanai, com seus amores confusos e esperanças equivocadas. Tudo tendo como pano de fundo a Tóquio dos anos 1960, com seus clubes, edifícios, trânsito caótico, bares e bairros de diversão. (site Livraria Cultura)

Mulheres - Philippe Sollers: Quem fala aqui na primeira pessoa? Um jornalista americano que veio a Paris. Ele e o autor são amigos, seu diálogo cúmplice e descontraindo é o centro da narrativa. As mulheres? Kate, jornalista política, francesa. Cyd, uma inglesa que vive em Nova York e trabalha na televisão. Flora, uma anarquista espanhola apaixonada por intriga "revolucionária". Bernadette, uma dirigente feminista. Ysia, uma estranha chinesa adida da embaixada. Louise, clavecinista.  Deborah, a mulher do narrador. E algumas outras.. O leitor encontrará detalhes, cores, cenas que beiram a confusão, a hipnose, a psicologia.


Só Para Mulheres - Receitas, Conselhos e Segredos - Clarice Lispector: A publicação dá prosseguimento ao resgate da obra jornalística de Clarice Lispector, iniciado em 2006, com o livro Correio feminino. Esta coletânea  recupera as colunas femininas assinadas pela escritora sob os pseudônimos de Tereza Quadros e Helen Palmer, e como ghost-writer da atriz Ilka Soares, para o tablóide Comício e os jornais Correio da Manhã e Diário da Noite, nas décadas de 50 e 60. São mais de 290 textos inéditos, com a elegância característica de Clarice e organizados na forma de conselhos, receitas e segredos, tratando com habilidade e leveza os assuntos prosaicos do cotidiano de todas as mulheres. Uma verdadeira viagem ao tempo em que o dito “sexo frágil” tinha como sua única função ser a “rainha do lar”.


Mulheres Livres - 14 Histórias de Luta e Resistência ao Redor do Mundo: Em Mulheres Livres, 14 mulheres contam sua luta pela liberdade. Expostas a todos os embates, da pena de morte às mutilações, dos crimes de honra aos crimes de guerra. Originárias da Tunísia, do Malaui, da França, dos Estados Unidos, do Chile, do Paquistão - pouco importa, esse é um retrato da situação de muitas mulheres no mundo. É um relato sobre resistência, apesar do medo, e elas continuam ainda hoje a lutar em nome da liberdade.

Dez Mulheres - Marcela Serrano: Dez diferentes vozes femininas narram suas marcantes experiências de vida. Através de seus olhos, testemunhamos variadas perspectivas sobre a perda e o amor, a felicidade e a doença, o trabalho, casamentos, separações e a difícil vida com os filhos. São mulheres que amam de uma maneira arriscada, entregando-se às paixões de uma forma única, arrebatadora. Entre elas está Lupe, uma adolescente à procura da própria identidade em meio a festas, sexo, drogas e relações pouco convencionais; ou Luísa, viúva de um desaparecido político, que por trinta anos espera a volta de seu único amor; e Andrea, jornalista bem-sucedida que, em crise, se refugia na solidão de Atacama. Não importa a origem de cada uma nem a idade, a profissão ou a ideologia. Todas carregam em seus relatos, o peso do medo e da solidão, do desejo, das inseguranças. Algumas prendem-se ao passado; outras devem enfrentar um presente que não desejaram ou um futuro que as assusta. Mães, filhas, mulheres casadas, amantes e viúvas: guiadas por Natasha, elas aceitam o desafio de compreender suas vidas e reinventá-las.

Só para Mulheres - Sonia Hirsch: A autora fala, com autoridade de quem conhece profundamente, de todos os problemas, alegrias e complexidades da mulher e do universo feminino.

Mulheres Fênix - Recomeçando a Vida - Américo Simões: Ao invés de ouvir o típico "eu te amo" de todo dia, Júlia ouviu: "eu quero me separar, nosso casamento acabou". A separação leva Júlia ao fundo do poço. Nem os filhos tão amados conseguem fazê-la reagir. "Por que o meu casamento tinha de desmoronar? E agora, o que fazer da vida?" Júlia quer obter respostas para as mesmas perguntas que toda mulher casada faz ao se separar. E ela as obtém de forma sobrenatural. Da mesma forma sobrenatural, Raquel encontra dentro de si a coragem para se divorciar de um homem que a agride fisicamente e lhe faz ameaças; faz com que Deusdete descubra que a terceira idade pode ser a melhor idade; e com que Sandra adquira a força necessária para ajudar sua filha especial a despertar o melhor de si. Baseado em histórias reais o escritor conta a história de mulheres que, como o pássaro Fênix da mitologia, renascem das cinzas, saem do fundo do poço e começam uma vida nova, sem mágoa, sem rancor, mais feliz e com mais amor.

A mulher de trinta anos - Honoré de Balzac: É uma das obras mais significativas do século XIX. Nela, Balzac sintetizou todas as angústias, sonhos e desejos da alma feminina, tornando-a eterna na história da literatura mundial. Nasceu, dessa obra, a consagrada expressão "mulher balzaquiana" e, com ela, o retrato dos conflitos que o tempo e a maturidade geram, fazendo surgir tormentos e decepções na mulher madura que enfrenta o estigma de ter trinta anos.

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Espero que vocês - principalmente as mulheres - tenham gostado desse especial e dessas indicações. E que esse dia não se torne vulgar. Mulheres sofrem violências físicas, e têm a sua saúde mais fragilizada que os homens. Não é à toa que temos campanha contra o câncer de mama (que atinge homens também). Quero que nesse dia lembrem especialmente o que as mulheres passaram e ainda passam, que reflitam e não apenas que dê presentes da Boticário. Se for pra gastar, aproveite e vá a uma livraria, procure um dos livros que aqui postei e presenteie com uma bela homenagem a esse dia tão importante para as mulheres.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Especial Pink Floyd


Pink Floyd foi uma banda de rock inglesa formada em Cambridge em 1965, que atingiu sucesso internacional com sua música psicodélica e progressiva. Seu trabalho foi marcado pelo uso de letras filosóficas, experimentações musicais, capas de álbuns inovadoras e shows elaborados. Vendeu mais de 200 milhões de álbuns ao redor do mundo. A banda foi induzida ao Hall da Fama do Rock and Roll em 1996.

A banda, originalmente, consistiu dos estudantes Roger Waters, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett. Fundado em 1965, eles, inicialmente, tornaram-se populares tocando no cenário underground londrino, no fim dos anos 60. Sob a liderança de Barrett, lançaram dois singles ("Arnold Layne" e "See Emily Play") e um bem-sucedido álbum de estreia, The Piper at the Gates of Dawn, de 1967. O nome Pink Floyd é a abreviação de The Pink Floyd Sound, nome sugerido por Barrett em homenagem a dois músicos de blues admirados por ele: Pink Anderson e Floyd Council.

O guitarrista e vocalista David Gilmour juntou-se à banda em 1968, meses antes da saída de Barrett do grupo, devido ao seu estado de deterioração mental, agravado pelo uso de drogas. Na sequência da perda de seu principal letrista, Roger Waters tornou-se o principal compositor e líder conceitual do grupo, com Gilmour assumindo a guitarra solo e parte dos vocais. Com essa formação o Pink Floyd atingiu o sucesso internacional com álbuns como The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals e The Wall.

Wright deixou o grupo em 1979, e Waters em 1985, mas Gilmour, Mason e, subsequentemente, Wright, continuaram a gravar e se apresentar. Dois álbuns foram lançados após conflito em relação ao nome da banda: A Momentary Lapse of Reason e The Division Bell. Após quase duas décadas de amargor entre seus membros, o Pink Floyd se reuniu em 2005 para uma única apresentação, no concerto para a caridade Live 8. Wright morreu em 2008. Os membros restantes — Waters, Gilmour e Mason — reuniram-se novamente, para um show da The Wall Tour de Waters, em 12 de maio de 2011, na O2 Arena, em Londres; Gilmour tocou "Comfortably Numb" com Waters e "Outside the Wall" com Mason e Waters.

Em entrevista concedida ao jornal italiano La Repubblica no dia 3 de fevereiro de 2006, Gilmour indicava o fim do Pink Floyd, declarando que o célebre grupo não produzirá qualquer novo material, nem voltará a reunir-se novamente. No entanto a possibilidade de se fazer uma apresentação similar ao Live 8 não foi descartada tanto por Gilmour ou Mason.

História

Desenho de Syd Barrett feito por um fã.

Declínio de Barrett

Enquanto a banda se tornava mais popular, o stress da vida na estrada e o consumo relevante de drogas de Syd Barrett deteriorou sua saúde mental. O comportamento de Barrett foi se tornando cada vez mais imprevisível e estranho, fato atribuído ao constante uso de LSD. Conta-se que às vezes ele ficava encarando algum ponto, enquanto a banda tocava; durante algumas apresentações, ele somente tocaria um acorde o concerto inteiro, ou aleatoriamente desafinava sua guitarra.

Chegou um momento em que os outros membros da banda decidiram por simplesmente não levar mais Syd para os shows. Chamaram então o guitarrista David Gilmour, já conhecido de Barrett e Waters, e quem ensinou Syd a tocar guitarra, que se juntou à banda para ajudar Barrett com suas tarefas. Inicialmente, esperava-se que Barrett fizesse composições enquanto Gilmour tocaria nos shows. Mas composições como "Have You Got It Yet", com progressões de acordes e melodias diferentes a cada take, fez com que o resto da banda desistisse dessa ideia.

Depois de gravar dois álbuns solo em 1970 (co-produzido por, e às vezes com participações de Gilmour, Waters e Wright) com sucesso razoável, Roger Keith "Syd" Barrett, viveu uma vida pacata em sua cidade natal, Cambridge, até sua morte em 7 de Julho de 2006.

Procurando novos caminhos: 1968-1970

Esse foi um período de experimentações musicais da banda. Cada um dos integrantes do Pink Floyd - Gilmour, Waters e Wright - contribuía com canções que tinham sua própria sonoridade e voz, o que resultava num material menos consistente e coeso que o da era Barrett, quando o som era mais trabalhado. Se anteriormente Barrett era a voz e o compositor principal, agora Gilmour, Waters e Wright dividem composições de letras e vozes principais. Alguns números musicais mais experimentais da banda são desse período, como "A Saucerful of Secrets" e "Careful with That Axe, Eugene".

Enquanto Barrett escreveu praticamente todo o primeiro álbum, nesse álbum ele participa das composições com "Jugband Blues". Barrett também tocou nas faixas "Remember A Day" e "Set The Controls For The Heart Of The Sun" (a única faixa que apresenta Barrett e Gilmour dividindo as guitarras). "A Saucerful of Secrets" foi lançado em junho de 1968, alcançando número 9 das paradas do Reino Unido e se tornando o único álbum do Pink Floyd que não apareceu nas paradas dos Estados Unidos. De algum jeito, apesar da saída de Barrett, o álbum ainda contém bastante da sonoridade psicodélica combinada com mais música experimental que seria amplamente mostrada em Ummagumma.

Ummagumma foi uma mistura de gravações ao vivo e experimentações de estúdio dos membros, em que cada um gravou metade do lado do vinil como um projeto solo (a noiva de Mason da época faz uma contribuição não-creditada como flautista). As consequentes dificuldades de gravação e falta de organização em grupo levou ao fechamento desse projeto. O título é uma gíria sexual de Cambridge e reflete a atitude da banda naquela época. 

Atom Heart Mother, de 1970, foi a primeira gravação da banda com uma orquestra. Um lado do álbum consistia na faixa-título de quase 24 minutos de duração. O segundo lado apresentava uma canção de cada membro da banda, até então vocalistas ("If", a canção folk-rock de Roger Waters; a levada de blues "Fat Old Sun" de David Gilmour; e a nostálgica "Summer '68", de Rick Wright). Outra faixa longa, a "Alan's Psychedelic Breakfast" foi uma colagem de som, de um homem cozinhando e comendo um café-da-manhã e seus pensamentos, ligados com instrumentais. "Atom Heart Mother" possui uma das mais enigmáticas capas de álbuns até hoje. Este foi também o primeiro álbum da banda com grande propaganda. Apesar de "Atom Heart Mother" ter sido considerado um grande passo para trás pela banda na época, é até hoje considerado pelos fãs como um dos mais inacessíveis álbuns. Tem sido descrito tanto como "um monte de besteira" por Gilmour, quanto "jogue-o na gaveta e nunca mais o ouça" por Waters. O álbum foi um componente desta fase transitória do grupo, explorando diferentes territórios musicais. A popularidade do álbum permitiu que o Pink Floyd embarcasse em sua primeira turnê completa pelos Estados Unidos.

Era do Estouro 1971-1975

Durante esse período, o Pink Floyd se distanciou da cena psicodélica e se tornou uma banda distinta, até dificil de se classificar. Os estilos divergentes dos principais compositores - Gilmour, Waters e Wright - se amalgamaram em uma sonoridade única. Essa era contém o que muitos consideram serem dois álbuns obras-primas da carreira da banda, The Dark Side of the MoonWish You Were Here. O som se tornou mais trabalhado e com colaboração de todos, incluindo letras filosóficas e linhas de baixos mais aparentes de Waters, estilo único de guitarra de blues de Gilmour e assustadoras melodias de teclados e texturas harmônicas de Wright. Gilmour foi o vocalista dominante desse período, e contribuições de corais femininos e o saxofone de Dick Parry se tornaram parte do estilo da banda.

A sonoridade da banda foi consideradamente mais focalizada em Meddle (1971), com a canção épica de 23 minutos, "Echoes", tomando todo o lado B do álbum. "Echoes" é uma leve canção de rock progressivo com longos solos de guitarra e teclado. Meddle foi considerado por Nick Mason como "o primeiro álbum real do Pink Floyd. Ele introduziu a ideia de um tema a que o álbum pode ser voltado." O álbum teve som e estilo bem sucedidos na época em que foi lançado, mas não teve a presença da orquestra que foi notável em Atom Heart Mother. O sentimento melancólico dos próximos três álbuns está bastante presente em "Fearless". Essa faixa mostra influência de folk e contém uma substancial slide guitar em "A Pillow of Winds", uma das únicas canções acústicas do Floyd que lidam com amor. Hoje, Meddle resiste como um dos mais aclamados trabalhos da banda.

O lançamento com sucesso em massa de 1973, The Dark Side of the Moon, foi o ápice de popularidade da banda. O Pink Floyd havia parado de lançar singles depois de "Point Me at the Sky" em 1968, e nunca havia sido uma banda levada pelos singles hits, mas Dark Side of the Moon teve um single no Top 20 dos Estados Unidos com "Money".

Prisma de Dark Side, como objeto de cena em um show
No mundo todo, Dark Side superou 40 milhões de cópias vendidas. O álbum ficou no Top 200 da Billboard por 1094 semanas (incluindo 591 semanas consecutivas, de 1976 até 1988), um feito sem precedentes que estabeleceu um record mundial. O saxofone forma uma parte importante do som do álbum, expondo a influência de Jazz da banda (especialmente a de Rick Wright) e cantoras de apoio, fazem uma parte principal em ajudar a diversificar a textura do álbum. As complicadas e precisas formas de engenheiro no som do álbum, com Alan Parsons, ditaram novos parâmetros para fidelidade de som; o que virou um aspecto reconhecível da banda, e foi uma forte forma no que diz a longa permanência nas paradas do álbum.

Procurando capitalizar a sua recém chegada fama, a banda também lançou uma coletânea chamada A Nice Pair, o que foi uma junção dos dois primeiros álbuns, The Piper at the Gates of Dawne A Saucerful of Secrets. E também foi durante esse período que o diretor Adrian Maben lançou o primeiro filme concerto do Pink Floyd, o Live at Pompeii. 

Wish You Were Here foi lançado em 1975, o álbum inclui o grande instrumental de nove partes "Shine On You Crazy Diamond", um tributo para Barrett em que as letras lidam explicitamente com seu declínio. A maioria das influências musicais do passado da banda foram juntas. As faixas, "Welcome to the Machine" e "Have a Cigar", criticam duramente a indústria fonográfica e essa última foi cantada por cantor folk Roy Harper.

Em uma história, um homem obeso, com cabeça e sobrancelhas inteiramente raspadas, andou pelo estúdio enquanto a banda mixava "Shine On You Crazy Diamond". A banda não o reconheceu por um tempo, quando de repente um deles percebeu que ele era Syd Barrett. Quando perguntado como ele chegou àquele peso, ele respondeu "Eu tenho uma frigideira grande na cozinha e eu estive comendo bastante carne de porco". Em uma entrevista em 2001 no documentário da BBC "Syd Barrett: Crazy Diamond" a história é contada por inteira. David Gilmour contou: "Nenhum de nós reconheceu ele. Raspado… raspado careca e bem gordo". Na versão definitiva de 2006 do documentário, as entrevistas com os ex-parceiros de banda de Barrett estão inclusas sem edição, com bem mais detalhes dos sentimentos e ações deles, durante o trágico esgotamento e a saída de Barrett da banda.

Era Roger Waters 1976-1985

A maioria da música desse período é considerada secundária em relação às letras, nas quais Waters explora os sentimentos sobre a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial e sua crescente atitude de cinismo contra figuras políticas como Margaret Thatcher e Mary Whitehouse. Uma orquestra completa faz um papel significante em The Wall e especialmente em The Final Cut.

Animals, no entanto, foi considerado mais orientado pela guitarra do que os álbuns anteriores, tanto pela influência do movimento punk rock quanto pelo fato de que o álbum foi gravado pelo novo (e por algum acaso, incompleto) estúdio Britannia Row. O álbum foi o primeiro a não ter uma composição feita por Wright. Animals, contém canções longas, ligadas por um tema, desta vez, tirado em parte do livro Animal Farm (A Revolução dos Bichos) de George Orwell, em que usou "Pigs" (Porcos), "Sheep" (Ovelhas) e "Dogs" (Cachorros) como metáforas dos membros da sociedade contemporânea. Animals é carente do trabalho de saxofone e vocais femininos, utilizados nos últimos dois anteriores álbuns. O resultado no geral é um trabalho mais hard-rock. Muitos críticos não receberam muito bem o álbum, considerando-o tedioso e vazado; apesar de outros críticos falarem bem dele, praticamente por causa dessas razões.

Algumas faixas do The Wall lembram um período passado e têm-se algumas composições mais calmas também, como "Goodbye Blue Sky", "Nobody Home", e "Vera". A influência de Wright foi completamente minimizada e ele foi demitido da banda durante as gravações, somente retornando com um salário fixo, para tocar nos concertos. Ironicamente, Wright foi o único membro do Pink Floyd que ganhou algum dinheiro dos shows da turnê do The Wall. Em 1989, depois do Muro de Berlin cair na Alemanha, Roger Waters concordou em tocar o The Wall ao vivo onde ficava originalmente o muro.

Boneco gigante do autoritário professor de Pink,
o protagonista deThe Wall. Show acontecido em Berlim,1990.
Este álbum ficou 15 semanas no topo das paradas dos Estados Unidos em 1980. Críticos o receberam bem. O enorme sucesso comercial do The Wall fez do Pink Floyd os únicos artistas desde os Beatles a terem os álbuns mais vendidos de dois anos (1973 e 1980) em menos de uma década.

Um filme intitulado Pink Floyd: The Wall foi lançado em 1982, incorporando praticamente toda a música do álbum. O filme foi escrito por Waters e dirigido por Alan Parker. Leonard Maltin, um crítico de cinema, se refere ao filme como "o maior video de rock do mundo, e certamente o mais depressivo". O filme arrecadou mais de quatorze milhões nas bilheterias norte-americanas.

O álbum The Final Cut de 1983 foi dedicado ao pai de Waters, Eric Fletcher Waters. Ainda mais sombrio em sonoridade que o The Wall, esse álbum re-examinou vários temas anteriormente discutidos, mas se dirigindo a fatos da época, incluindo a raiva de Waters da participação da Inglaterra na Guerra das Malvinas, a culpa que ele colocou nos líderes políticos ("The Fletcher Memorial Home"). E conclui com uma visão cínica de uma possível guerra nuclear ("Two Suns in the Sunset"). 

Apesar de tecnicamente ser um álbum do Pink Floyd, o nome da banda não aparece escrito no encarte do LP, somente atrás aparece: "The Final Cut - Um réquiem para o sonho do pós-guerra por Roger Waters, tocado pelo Pink Floyd: Roger Waters, David GIlmour e Nick Mason". O álbum teve um pequeno hit, "Not Now John", a única faixa hard-rock do álbum (e a única em particular em ter Gilmour cantando). 
As discussões entre Waters e Gilmour nesse ponto eram tão ruins que eles supostamente não eram visto gravando no mesmo estúdio simultaneamente. Gilmour disse que ele queria continuar a fazer rock de boa qualidade, e sentiu que Waters estava construindo sequências de peças de canções meramente como um veículo para suas letras críticas sociais. Waters diz que seus companheiros de banda nunca entenderam completamente a importância dos comentários sociais que ele fazia.

Era David Gilmour: 1987-1995

Em Dezembro de 1985 Waters anunciou que estava saindo do Pink Floyd, embora em 1986 Gilmour e Mason começassem a gravar um novo álbum para o Pink Floyd. Uma disputa legal foi inciada por Waters, reivindicando que o nome "Pink Floyd" deveria ser colocado de lado, mas Gilmour e Mason seguraram sua convicção que eles tinham direitos legais para continuar com o "Pink Floyd". O processo acabou se acertando por um acordo fora dos tribunais.

Sem Waters, que foi dominantemente o letrista da banda por uma década, a banda recebeu ajuda de escritores de fora. Como o Pink Floyd nunca havia feito isso antes, essa atitude recebeu muitas críticas.

Mais tarde, Gilmour admitiu que Mason e Wright tiveram pouca participação no álbum. Por causa das poucas contribuições de Mason e Wright, alguns críticos dizem que A Momentary Lapse of Reason deveria ser considerado como um trabalho solo de Gilmour, do mesmo jeito que The Final Cut seria um trabalho solo de Waters.

Um ano depois, a banda lançou o álbum ao vivo Delicate Sound of Thunder (1988) e mais tarde gravou instrumentais para um filme clássico de corrida, chamado La Carrera Panamericana, filmado no México e com Gilmour e Mason participando como motoristas. Durante a corrida, Gilmour e o agente Steve O'Rourke (como seu guia) bateram. O'Rourke teve sua perna quebrada, mas Gilmour saiu somente com alguns arranhões.

As cabeças metálicas usadas para desenhar a capa do álbum The Divison Bell.
Podem ser interpretadas como um ou dois rostos divididos.

The Divison Bell foi outro álbum conceitual, de alguns jeitos representando a visão de Gilmour nos mesmos temas que Waters discutiu em The Wall. O título foi sugerido para Gilmour pelo seu amigo Douglas Adams. Várias das letras foram co-escritas pela namorada de Gilmour na época, Polly Samson, com quem ele se casou logo depois do lançamento do álbum.

Trabalho solo e mais: 1995-presente

Em 17 de janeiro de 1996, a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock and Roll pelo líder da banda Smashing Pumpkins, Billy Corgan. Roger Waters não compareceu, ainda sendo contra seus antigos parceiros de banda. Apesar de Mason estar presente quando aceitaram o prêmio, ele não se juntou a Gilmour e Wright (e Billy Corgan) para sua performance acústica de "Wish You Were Here".

O livro de Nick Mason "Inside Out: A Personal History of Pink Floyd" foi publicado em 2004 na Europa e em 2005 nos Estados Unidos. Mason fez aparições públicas em promoção do livro em algumas cidades da Europa e dos Estados Unidos, dando entrevistas e autografando livros. Alguns fãs dizem que ele disse que preferia estar em turnê com a banda do que uma turnê com o livro.

Em 2 de Julho de 2005, a banda se reuniu uma vez de novo, em uma performance em Londres no Live 8. Desta vez, eles se juntaram com Waters - a primeira vez que todos os quatro integrantes estiveram num palco em 24 anos. No final da performance Gilmour agradeceu "muito obrigado, boa noite" e começou a sair do palco. Waters chamou ele de volta, e então a banda deu uma abraço coletivo, que se tornou uma das imagens mais famosas do Live 8.

Na semana depois do Live 8, houve um renascimento em interesse sobre o Pink Floyd. De acordo com a cadeia de empresas HMV, as vendas de Echoes: The Best of Pink Floyd aumentaram em 1343%, enquanto Amazon.com constatou aumento das vendas do The Wallem 3600%, Wish You Were Here em 2000%, The Dark Side of the Moon em 1400% e Animals em 1000%. Subsequentemente David Gilmour declarou que ele doaria a sua parte dos lucros desse aumento para caridade, e incentivou todos os outros artistas e gravadoras que se envolveram com o Live 8 a fazerem o mesmo.

O tecladista e membro fundador do Pink Floyd, Richard Wright, morreu em 15 de Setembro de 2008, aos 65 anos após uma curta batalha contra o câncer, conforme anunciou seu assessor.

Direções futuras

Nas semanas depois do Live 8, as rixas entre os membros pareciam ter se acertado. Gilmour confirmou que ele e Waters estavam em "termos amigáveis".
Gilmour menciona que concordou tocar no Live 8 com Waters para apoiar a causa, para fazer as pazes com Waters e sabendo que ele se arrependeria se não o fizesse. No entanto, ele afirma que o Pink Floyd estaria ansioso para tocar em um concerto "que apoiasse os acordos de paz de Israel e Palestina".

Em uma entrevista em 2007 Waters disse "Eu não teria nenhuma problema se o resto deles quisesse se juntar de novo. E isso nem precisaria acontecer para salvar o mundo. Isso poderia acontecer somente por ser divertido. E as pessoas o adorariam."

No dia 21 de Maio de 2008, O Pink Floyd recebeu o prêmio Polar na cidade de Estocolmo, Suécia. O júri declarou que sua decisão foi baseada na importância do Pink Floyd para a evolução da música popular, por uni-la à arte, em sua proposta experimental, e por seu sucesso "capturar e formar reflexões e atitudes para toda uma geração". O júri declarou ainda que a banda "inspirou e marcou o caminho para o desenvolvimento do rock progressivo".

Influências

Vários artistas foram influenciados pelo trabalho do Pink Floyd: David Bowie cita Syd Barrett como a sua maior inspiração, o guitarrista Steve Rothery da banda Marillion cita o álbum Wish You Were Here como sua maior inspiração; os Pet Shop Boys prestou homenagem ao The Wall durante uma apresentação em Boston; e várias outras bandas foram influenciado pelo Pink Floyd como o Queen, Korn, Nine Inch Nails, Radiohead, Dream Theater, Porcupine Tree, The Mars Volta, Tool, Queensryche, 30 Seconds to Mars, Scissor Sisters, Rush, Gorillaz, Mudvayne, Primus e muitas outras bandas.

Há também inúmeras bandas que fizeram um tributo ao Pink Floyd. Em 11 de outubro de 2005, a banda de metal progressivo Dream Theater tocou o álbum inteiro The Dark Side of the Moon em Amsterdã, duas semanas depois, em Londres. Por sua parte, Easy Star All-Stars postou um tributo ao Dark Side, com influências de reggae e hip-hop, intitulado Dub Side of the Moon, enquanto a banda de heavy metal Ministry seguiu o exemplo, nomeando Dark Side of the Spoon em seu disco de 1999.

Espetáculos ao vivo

O Pink Floyd são reconhecidos pelos seus prodigiosos espetáculos ao vivo, que combinam as mais modernas experiências visuais com a sua música para criar um espetáculo onde os próprios artistas são quase secundários. Os Pink Floyd, nos seus primeiros tempos, foram das primeiras bandas a usar jogos de luzes próprios nos seus espetáculos, projetavam slides e filmes e formas psicodélicas numa grande tela circular. Mais tarde foram adicionados aos espetáculos efeitos especiais, incluindo lasers, pirotecnia e balões gigantes (um suíno gigante flutuava sobre a audiência durante a atuação de "Pigs" do álbum Animals)

O espectáculo mais elaborado que os Floyd montaram foi o da digressão de The Wall, no qual um grupo de músicos contratados tocava a primeira canção usando máscaras de borracha (provando que os membros da banda não eram reconhecidos pelas suas personalidades individuais). 

Os prodigiosos espetáculos ao vivo serviram também de base ao grupo de rock ficcionário Disaster Area de Douglas Adams (criadores do maior barulho do Universo, que usavam chamas solares nas suas atuações) na série The Hitchhiker's Guide to the Galaxy. Douglas Adams era amigo pessoal de Gilmour e tocou guitarra em um dos últimos concertos da tournée de "The Division Bell".

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 4 de março de 2013

11 frases sobre livros

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante. (Carlos Drummond de Andrade)

O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes. (Cora Coralina)

A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados. (René Descartes)

Os eruditos são aqueles que leram nos livros; mas os pensadores, os gênios, os iluminadores do mundo e os promotores do gênero humano são aqueles que leram diretamente no livro do mundo. (Arthur Schopenhauer)

Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos. (Oscar Wilde)


Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história. (Bill Gates)

Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar. (Castro Alves)

Os livros são o tesouro precioso do mundo e a digna herança das gerações e nações. (Henry David Thoreau)

Os livros nos dão conselhos que os amigos não se atreveriam a dar-nos. (Samuel Smiles)

O mundo é um belo livro, mas com pouca utilidade para quem não sabe ler. (Carlo Goldoni)

Um país se faz com homens e livros. (Monteiro Lobato)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Brassaï, "O Olho de Paris"



Brassaï registrou Paris de forma irreverente. A noite parisiense exerceu um enorme fascínio sobre ele, que não cansou de fotografá-la.

Artista de origem húngara, Brassaï adotou Paris após a Primeira Guerra Mundial e se transformou em um de seus fotógrafos mais consagrados. Ele, cujo nome de batismo é Gyula Halász, foi membro da elite cultural de Paris, estando Miller, Picasso, Sartre, Camus e Cocteau, entre seus amigos.

Histórico

Nascido como Julius Halasz em 1899, em Brasso, na Transilvânia (parte da Romênia que estava sob o domínio austro-húngaro), Brassaï, pseudônimo que utilizava como estandarte, sonhava com a França, por seu idioma e pela cultura que seu pai, professor de francês na universidade, relatava.

Conheceu Paris quando tinha 4 anos e prometeu voltar para lá para estudar, mas a chegada da primeira Guerra Mundial interrompe o seu sonho. Após servir no exército austro-húngaro, ele, como todos os cidadãos de países inimigos, foram proibidos de morar na França. Em 1921, vai para Budapeste, onde passa a frequentar a Academia de Belas Artes e estuda desenho, pintura e escultura. Não demorou muito para que Brassaï se tornasse popular devido à sua curiosidade e senso de amizade. Entre seus amigos, estavam artistas de vanguarda como Kandinsky, Kokoschka, Moholy-Nagy, além de músicos reconhecidos como Verese e aquele que fora seu melhor amigo, o pintor húngaro Lajos Tihany.

Chega à França em 1924 acreditando que seus talentos serão desenvolvidos em Paris. Para resolver os problemas financeiros, faz charges para jornais franceses e alemães, além de enviar com frequência para revistas húngaras, austríacas ou romenas colunas sobre assuntos como críticas de exposições, análises de concertos, artigos sobre o Salão da Agricultura, entre outros.


Contudo, os redatores-chefes de jornais para os quais Brassaï colabora começam a fazer pedidos para que ele acrescente fotografias às suas crônicas. Então ele começa a pedir aos seus amigos fotógrafos que colaborem com ele antes mesmo que ele enveredasse pela fotografia. As primeiras imagens feitas por Brassaï foram realizadas em 1929, quando o artista percebe que esta mídia permite expressar emoções estéticas que ele não atingiria através da figura. Foi com uma máquina emprestada e, pouco depois, o fotógrafo adquiriu a sua famosa Voightlander, a câmara fotográfica que o acompanharia por muitos anos.

Brassaï então passa a desenvolver um gosto pelo estranho, pelo diferente e pela vida noturna que resultou o livro Paris de Nuit. Lança o livro com suas 64 fotografias em 1932 e logo torna-se uma verdadeira revelação, colocando-o em contato com revistas de arte e publicações de renome internacional. Passa a publicar regularmente no Minotaurem, onde a série sobre as madréporas e as esculturas involuntárias lhe valem a admiração de Salvador Dalí e André Breton. 

Mesmo que sua vida tenha se estirado ao longo de suas publicações, Brassaï tinha consciência da obra imensa que realizou. Henry Miller, que o apelidara de “O olho de Paris”, resumia assim seu amigo: “Bastavam poucas horas ao lado dela para ter a impressão de estar sendo levado para uma grande peneira que guarda um pouco de tudo o que contribui para exaltar a vida”.
Imagem fortemente influenciada pelo envolvimento de Brassaï com o surrealismo

Cigarro desleixadamente entre os lábios, notívago, boêmio, jornalista. Irrequieto, viveu intensamente todas as possibilidades culturais do início do século XX, mas foi como fotógrafo que escreveu seu nome na galeria dos mais influentes artistas de toda a História.

Foi tomando gosto pela arte e fotografava, primeiramente, objetos. Improvisou um darkroom no quarto do hotel onde vivia e começou a “brincar” com a novidade. Já como Brassaï, publicou Paris à Noite, antes de retratar os costumes de uma Paris em declínio e seus personagens – prostitutas, guardas noturnos, bêbados, namorados – o que resultou no trabalho A Paris secreta dos anos 30. Conheceu Pablo Picasso, recebeu convite para fotografar suas esculturas e se envolveu com o movimento surrealista ao colaborar com o jornal Minotaure, com imagens de grafites em muros (A linguagem dos muros).

O húngaro fotografando Picasso…
Somente nos 50 é que o húngaro foi conhecer os Estados Unidos, onde realizou uma série de fotos – coloridas – na Louisiana. Foi nesse período que conheceu dois outros ícones da fotografia: Robert Frank e Walker Evans. Nos anos 60, como reconhecimento ao seu trabalho, “ganhou” uma exposição retrospectiva no Moma nova-iorquino.

Mas nem só de fotografia sua inquietude se ocuparia. Sua versatilidade cultural ainda o permitira incursões no cinema, tapeçaria, grafite, desenhos, esculturas, livros – isso graças aos ambientes frequentados (especialmente o bairro de Montparnasse), onde conheceu e se cercou de muitos artistas das mais diversificadas áreas, da fotografia à literatura. Um artista antenado com os movimentos contemporâneos a ele, que, seguramente, se fosse ainda vivo – Brassaï morreu em Nice, no ano de 1984 – estaria conectado com todas as novas linguagens de expressão que o século XXI nos oferece. Um verdadeiro multimídia.


…e Dali (com Gala), com direito a sua imagem refletida

Com o fotógrafo, é possível perambular por Montparnasse, Les Halles, pelo canal de L’Ourcq, canal Saint-Martin, Place d’Italie, Belleville. Penetrar nos cafés e conhecer de perto figuras pitorescas da noite parisiense. Observar a solidão de prostitutas que esperam por clientes sozinhas nas ruas. Conhecer ângulos inusitados da bela cidade, descobrindo o traçado artístico presente até em tampas de bueiros. Brassaï transcende o real com tons surrealistas. Revela aos observadores uma Paris até então desconhecida, desprezada. Dá visibilidade a senhoritas de vida fácil, jovens delinqüentes, trabalhadores noturnos. Privilegia lugares até o momento ignorados pela sociedade, como a casa da Madame Suzy, com seus ritos, grandes figuras e o perfume de proibição, bares freqüentados por transexuais, cafés que recebem intelectuais e artistas e muito mais.

Brassaï escreveu 17 livros e numerosos artigos, incluindo Histoire de Marie, que tem introdução de seu grande amigo, Henry Miller, e Conversas com Picasso (1965), outro grande amigo, livro que foi traduzido para 12 idiomas. Brassaï abandona a fotografia em 1961, depois da morte de Carmel Snow, editor da revista Harper's Bazaar. Em 1970, recebeu o prêmio nacional da França por sua contribuição artística e especialmente por sua fotografia. Faleceu em 1984, em Nice, na França.

Para ler: