terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Rosshalde - Hermann Hesse

Capa da minha edição que se soltou e eu coloquei na parede


Rosshalde é um romance escrito pelo alemão Hermann Hesse. O livro foi publicado pela primeira vez em 1914 e traduzido para o inglês em 1970. A obra conta a história do casamento fracassado entre o protagonista Johann Veraguth e Adele Veraguth.

Veraguth é um pintor renomado que vive em sua propriedade Rosshalde e trabalha em seu estúdio que fica do lado de fora da mansão onde fica a sua esposa e seu filho caçula, Pierre. Enquanto Veraguth fica isolado e compenetrado em seu trabalho, sua esposa cuida do filho pequeno e do jardim. Mas na maioria das vezes, Adele fica sentada ao ar livre olhando para o nada. Enquanto o pequeno Pierre procura por uma aventura, uma descoberta e sente necessidade em entender a língua das abelhas.

Pierre tem um irmão mais velho chamado Albert que está em outra cidade estudando. Albert é o filho que não se dá muito com o pai, mas muito apegado a mãe. Albert é estudioso, amante da boa música (música erudita) e se dedica a tocar piano. Conhecemos Albert um pouco antes dele passar as suas férias em Rosshalde – através de um curto diálogo entre Adele e seu marido.

Rosshalde fica localizada em uma cidade muito tranqüila. O pintor gosta do bosque de Rosshalde, mas não do centro da cidade – que faz lembrar a sua infância. A propriedade tem cuidados dos criados, mas somos apresentados apenas a Robert, um criado fiel ao dono da mansão. Que ao mesmo tempo é um pintor muito conhecido.

Veraguth tem um único amigo em que confia – seu amigo de infância Otto Burkhardt. Otto é solteiro que mora na Índia e viaja muito pelo mundo – aparenta ser um bom vivã. Veraguth hospeda Otto em sua casa muito entusiasmado, e muito mais por viver isolado e ter um relacionamento estranho e distante com Adele.

O diálogo entre os dois velhos amigos não deixa dúvidas que houve algo no passado que mudou a vida de Veraguth e o transformou em um homem distante, isolado em seu trabalho e rígido com sua mulher e com o filho Albert. Veraguth tinha um apreço especial pelo pequeno Pierre e o tratava diferente – mais amável. Mas não sabemos do que se trata. Algo aconteceu entre ele e Adele que mudou seu relacionamento.

Seu velho amigo Otto lhe faz uma proposta muito tentadora. De sair de Rosshalde e abandonar a sua família. Veraguth pensa muito em seu pequeno Pierre antes de tomar a sua decisão. Mas seu conflito entre ele e sua esposa parece ser maior que o afeto pelo pequeno. E aí vemos um tema que faz parte da humanidade – o escapismo. Como a fase da adolescência, muitas vezes o escapismo é também como uma fase que cada um de nós passamos um dia.

Rosshalde é uma leitura que vela muito a pena. É comovedor, é emocionante, é viciante, é melancólico, enfim. Rosshalde narra a vida de um pintor (e Veraguth não poderia ser outra coisa – ele se encaixa muito bem) que descobre a necessidade de se refugiar, de mudar a sua vida e conquistar a liberdade. Além de superar as suas frustrações, seus incômodos “que durante anos lhe amargaram a vida”.


Fizeram um hip-hop/performance com a obra:

O cara

Hermann Hesse é um escritor que costuma tratar da problemática existencial – como o fez muito em O Lobo da Estepe. É um autor excepcional, sem sombras de dúvidas. E deve ser tratado com muito respeito. Acredito que suas obras deveriam ser reeditadas. E digo mais, acho que algumas obras poderiam ser adaptadas para o cinema ou TV. Rosshalde teria uma adaptação muito mais interessante, acredito, que O Lobo da Espete, por exemplo.

Leia +
HERMANN HESSE: A BUSCA PELO AUTOCONHECIMENTO DIANTE DAS RESTRIÇÕES SOCIAIS

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Folha de Esboços


Estala frio o vento de outono
nos juncos ressequidos,
cinzentos no anoitecer,
Gralhas esvoaçam do salgueiro
e perdem-se no campo.

Solitário na praia, um anicão
sente o vento nos cabelos, a noite e a neve iminente,
olha das sombras da praia distante ainda sorri
na luz: dourado além, belo como sonho e poesia.

Olha firme o quadro luminoso,
pensa no lar, pensa na juventude,
vê o ouro empalidecer e apagar-se,
vira-se e caminha
afastando-se lento do salgueiro
e perdendo-se no campo.

Escrito em 5 de dezembro de 46
Saudações de H. Hesse

Retirado do livro Correspondência Entre Amigos, de Hermann Hesse e Thomas Man

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Booooooom

@olgamklnko
 Booooooom é um site pra quem gosta de arte. Eu particularmente me interessei mais pelas fotografias. Todas as fotos que estão aqui neste post eu tirei de lá da tag "best of instagram". Para quem tem instagram vai amar (eu não tenho). Você vai querer seguir todos porque são diferentes e as fotografias são lindas.

@eddielago – Eddie Lago
 Lá tem um monte de coisa. Além de fotografia tem música, arte, design, cinema, videoclipe, projetos... Acho que o segmento do blog/site é o público indie, mas me corrijam se eu tiver errada. Não entendo dessas  novas tribos/modas enfim. Eu pelo menos gostei bastante da ideia do site. 

@rebekahseok – Rebekah Seok
 No Facebook o booooo...m tem 151 mil curtidas. O público não é muito brasileiro. Boooom tem twitter, vimeo, tumblr, soundcloud e você pode seguir o autor no instagram. O autor se chama Jeff Hamada e ele é japonês e mora no Canadá (pelo que eu entendi).


@clemensfantur – Clemens Fantur
 Se você gostou, entra lá pra conhecer melhor. O boooom tem 7 "o".

@chantalphoto – Chantal Anderson

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Hiroshima de John Hersey - A narrativa que comove e o jornalismo que humaniza

Foto

Escritor da obra Hiroshima
 John Hersey
John Hersey conta a história da bomba atômica que atingiu a cidade Hiroshima, no Japão, em sua obra. Antes de ser publicado em forma de livro, o jornalista teve espaço de publicar a história em uma edição inteira da revista americana chamada The New Yorker. A reportagem deu origem ao jornalismo literário, na opinião de alguns estudiosos.

A narrativa acompanha a experiências de seis sobreviventes em uma triste e emocionante descrição sobre as conseqüências da bomba. A obra conta com detalhes o que aconteceu com as pessoas atingidas e como ficou a cidade – é muito realista. Tornando a leitura impactante e perturbadora.

A bomba teve muitas conseqüências para a vida das pessoas. E conseguimos notar isso acompanhando os seis sobreviventes que o autor escolheu narrar. Os sobreviventes tiveram conseqüências principalmente em sua saúde, mas também em crenças, relacionamentos e comportamentos. Essas pessoas nunca mais foram as mesmas.
da Revista The New Yorker

É possível perceber durante a leitura, modo como os japoneses lidaram com essa situação – os japoneses foram muito fortes ao conseguirem construir a cidade e ainda sim emocionalmente. Mesmo com o ódio que assolou o coração de muitos na explosão, outros conseguiram lidar os americanos. É por aí e outras que a história contada pelo escritor deixa margem à reflexões do caso de Hiroshima que assusta até hoje.

Quando ouvimos falar de bombas atômicas sabemos do mal, dos impactos e da destruição que causam. Mas é na obra de John Hersey que, com as descrições minuciosas do drama e do sofrimento, ficamos a par da realidade desse artefato – mas com o coração abalado.

O jornalista finaliza a sua obra contando a vida cotidiana dos seis sobreviventes após a explosão da bomba. Além de uma reconstrução minuciosa rica em detalhes, o leitor percebe que a bomba deixou marcas irreparáveis.

John Hersey, com o livro Hiroshima, deixa um legado importantíssimo para o jornalismo. John saiu do jornalismo convencional das páginas dos jornais diários para mergulhar em um jornalismo reflexivo, rico em detalhes, mas rico também em sentimentos e humanismo (que falta nos jornais pelo excesso de sensacionalismo).

O autor teve muito cuidado em sua narrativa colocando em primeiro lugar a cultura daquele local e respeitando. Esse respeito cria uma identidade que tocam o leitor e humaniza a reportagem literária, distante da frieza cotidiana dos jornais. Apesar de não poupar o leitor com as descrições da destruição e suas conseqüências, o autor apresenta uma narrativa emocionante e sensível.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Vida que Ninguém Vê - Eliane Brum

Foto de Demenores
A Vida que Ninguém Vê, como o título já diz, conta histórias de pessoas anônimas, pessoas comuns, humildes. São crônicas que a jornalista Eliane Brum conta durante sua carreira no jornal Zero Hora. As histórias são fascinantes e todas tem um olhar crítico, uma reflexão.

O jornalismo que encontramos aqui é o jornalismo literário, para quem quiser saber mais sobre esse tipo de jornalismo, procure pelo livro Jornalismo Literário e também leia sobre o Novo Jornalismo (New journalism). É uma área quase inexplorada pelos repórteres de hoje em dia.

Jornalismo está além do jornalismo convencional, com fontes oficiais, leads, estatísticas, citações. E é contando histórias de pessoas simples como mendigos, trabalhadores, pedintes, deficiente físico, analfabetos. Eliane prova, mais uma vez, que jornalista tem que estar nas ruas e não encarcerado nas redações mandando e recebendo e-mail e fazendo entrevistas por telefones.

O repórter deve ter sensibilidade para não ficar bitolado nas pautas que os editores entregam. O repórter deve enxergar a vida por um outro ângulo. Quem iria enxergar a vida de um mendigo, de um cadeirante, de uma pedinte no semáforo se existem tantos por aí?

Todas as histórias nos contam algo de nós mesmos. E contam sempre algo novo, diferente e interessante. Isso a gente não espera de um jornal impresso. Histórias de pessoas comuns, sem números, sem siglas, sem estatísticas, sem detalhes.

Aprendemos muito com as histórias contadas por Eliane Brum, essa jornalista porreta! A gente aprende a valorizar a vida da gente e aprende a vê-la de outra forma. Como se cada dia fosse página de um livro, como se fosse protagonistas, personagens e leitores de nossas próprias vidas.

Eu recomendo imensamente a qualquer pessoa ler este livro. Ele é para todos os gostos, para todas as idades e agradeço imensamente a minha professora por obrigar os alunos a ler este livro maravilhoso. É uma leitura rápida de uma tarde e sua tarde ficará ainda mais linda com essa leitura. Assim que devolverem a minha prova postarei novamente sobre este livro (talvez).

sábado, 19 de outubro de 2013

A Aventura da Reportagem, livro para aprendiz

Capa | Skoob
O livro “A Aventura da Reportagem” é dividido em duas partes contando as experiências profissionais dos jornalistas Gilberto Dimenstein e Ricardo Kotscho. A apresentação é de Clóvis Rossi e não poderia ter ficado melhor – com um tom de seriedade e ao mesmo tempo de humor. 

A primeira parte é escrito por Dimenstein contando suas experiências no ambiente de política e disputas partidárias. Com suas experiências, ele aponta as várias condições e situações que todo repórter enfrente durante sua apuração. Todos os pontos estão subdivididos em tópicos.

A primeira lição apresentada por Gilberto Dimenstein é o off “a responsabilidade do off é de quem publica, não de quem produz informação falsa”. Depois o jornalista fala das armadilhas que existem. Mas comum na área da política. Entre os vários tópicos apresentados por ele, além das já apresentadas anteriormente são “fontismo” falando das fontes; “versões” onde ele deixa um ditado comum entre os políticos: “Em política, o que vale é a versão e não fatos”, mostrando que a veracidade no mundo da política é uma questão incerta.

Gilberto Dimenstein
Um outro tópico interessante é “deslizes” onde ele fala da apuração, os boatos e etc e diz que “a vítima foi parte da imprensa, que confiou demais e checou de menos”. Além de alertar para os boatos e falta de checagem, ele alerta para as mentiras e fofocas.

Um dos tópicos mais interessantes de Gilberto Dimenstein é “investigação”. Neste tópico ele conta que a falta de fontes para denunciar alguma falcatrua faz o repórter começar uma investigação.

A segunda parte do livro é escrita por Ricardo Kotscho. O perfil dele é diferente de Gilberto Dimenstein em política. Como fala Clóvis Rossi na apresentação do livro, Ricardo Kotscho “especializou-se em contar histórias dos anônimos, das pessoas e dos lugares que raramente entram nos jornais, rádios e televisões”.

A vantagem do jornalista Kotscho é que ele veio de uma família alemã. Com a dominação da língua alemã, Kotscho conseguiu, além de traduzir notícias, fazer matéria fora do país e assim, conseguir alguns furos de reportagens e escrever matérias diferenciadas.
Ricardo Kotscho
Desde sempre Ricardo Kotscho gostava de ler jornais. Ao se tornar jornalista, aguçou sua percepção. Diferente de outros repórteres, Ricardo tinha um olhar incomum – “Meio por necessidade de fazer algo diferente, meio por sacação, já que a imprensa sempre se ocupava dos mesmos personagens, civis ou militares, oficiais sempre, fui falar com o povo”. 

Assim, o jornalista foi conseguindo matérias e informações por meio de sua “sacação”. Essa foi a melhor lição na história de Kotscho – jornalista tem que ter percepção, agir além daquilo que é mandado fazer.

É possível observar que o livro “A Aventura da Reportagem” escrito por Gilberto Dimenstein e Ricardo Kotscho traz várias lições de experiências para o jovem estudante de jornalismo ou o jovem repórter. É uma leitura simples com uma narrativa tranquila e, ao mesmo tempo que ela é divertida, ela consegue passar muitos aprendizados.

domingo, 13 de outubro de 2013

Citação para rir


...durante as longas férias das escolas superiores chegam bandos de estudantes, em parte rapazes simpáticos e interessantes, mas assim em massa não os suporto. Fazem "trabalho de campo" por algumas semanas, depois passam ainda umas férias na Suíça, visitam de carona todos os lugares famosos e também homens famosos. Ficam parados aqui quase todos os dias a toda hora, riem da inscrição "Por favor, visitas não" no portão da minha casa, assaltam-me nos cantos mais ocultos do meu jardim, e já por três vezes provocaram neste velho eremita ataques de fúria, que depois deixaram por horas a fio taquicardia e terrível dor de cabeça....


Retirado do livro Correspondência Entre Amigos, de Hermann Hesse e Thomas Man

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amar, Verbo Intransitivo - Mário de Andrade



Não me sinto na liberdade para falar dessa obra magnífica de Mário de Andrade. Não é uma leitura simples, é uma leitura que você tem que ir se acostumando, como diz o próprio escritor no posfácio: "A língua que usei. Veio escutar melodia nova. Ser melodia nova não quer dizer feia. Carece primeiro de se acostumar. [...]"

O livro foi publicado em 1927 e conta a estória da iniciação sexual do adolescente Carlos com Fraülein, mulher alemã contratada pelo pai de Carlos, Sousa Costa.

Só quero ressaltar aqui, o quanto eu gostei da intromissão de Mário na obra. Ele tinha autoridade para, em um parágrafo ou outro, conversar com o leitor e discutir narrativa e enredo. Ele coloca seu dedo lá sempre. E não foi ruim, foi lindo, foi original e digo mais - foi essencial. Esse xereta que é o escritor, tornou a leitura muito mais divertida quando quis ponderar algumas situações.

E agora, pra quem quer ter uma resenha bem escrita, sugiro que vá na página da Fernanda.

Vou deixar aqui a análise crítica do SOS Estudante:
"Mário de Andrade apresenta em seu romance uma situação que, como todos sabem ,é bastante objetiva: uma família, para proteger seu filho de eventuais aventuras, decide contratar uma professora que lhe dê as primeiras lições de amor. Isto é objetividade pura. Mas também é ignorância familiar, que não sabe calcular as conseqüências.
Mas, se o quadro das funções ou dos papéis está tão objetivamente distribuído, o quadro da intimidade vai apresentar uma dimensão até certo ponto contrastante com o esquema básico do livro. Porque é estranho que a professora, depois de tanta experiência ainda se apaixone e tenha ciúmes inexplicáveis. Sobretudo se lembrarmos o modo com Fräulein serena, fria e germanicamente costuma cumprir com suas obrigações. Mário de Andrade, como sabemos, tentou defender sua personagem da acusação de contraditória. E se justifica com base em psicologia moderna, sobretudo Freud. Aliás, as intervenções psicologistas do narrador são uma das características centrais do livro. E nem sempre são bem sucedidas. Elas de certa forma demonstram que a ação não se sustenta por si mesma, e que a narrativa está pedindo socorro teórico. Outro dos caminhos que Mário de Andrade escolheu para fugir da pobreza espiritual da família média paulistana, bem como a limitação natural do assunto, foi a exploração do imaginário de Elza. E, ao que parece, esta é a parte que mais me convence no livro. Porque sob esse aspecto, Mário consegue realmente criar a impressão de uma figura humana comovente. Não quando Elza age. Mas quando Elza tem seus escapismos, quando pensa num casamento na Alemanha, quando hesita entre o espírito e a prática, quando se sente humilhada, quando tem suas raivas, quando fica entre ir embora ou permanecer".


Curiosidade: O filme Lição de Amor, de 1975, com Lilian Lemmertz é baseado no romance.

Alguns trechos:

"É coisa que se ensine o amor? Creio que não. Ela crê que sim. Por isso não foi no jardim, deve se guardar. Quer mostrar que o dever supera os prazeres da carne, supera. Carlos desfolha uma rosa. Sob as glicínias da pérgola braceja de tal jeito que o chão todo se pontilha de lilá." - pag. 65

"Fräulein tinha poucas relações na colônia, achava-a muito interesseira e inquieta. Sem elevação. Preferia ficar em casa nos dias de folga relendo Schiller, canções e poemas de Goethe. Porém com as duas ou três professoras a que mais se ligava pela amizade da instrução igual, discutia Fausto e Werther. Não gostava muito desses livros, embora tivesse a certeza que eram obras-primas." - pag. 67

"Não se discute: os estigmas do pecado alindam qualquer cara. Carlos hoje está quase bonito, desse bonito que pega fogo nas mulheres. Até nas virgens, apesar do físico perfeito de Peri e do moçoloiro. Carlos estava assim com um arzinho sapeca, ágil, um arzinho faz-mesmo. Não se moçoloirara nem um pouco. Porém se cantava satisfeito parou a desafinação de repente, malestar... Berimbaus guisos membis, as meninas voltavam do passeio. Fräulein devia estar com elas. Ficaram no jardim." - pag. 101

"Vieram correndo em busca dos amantes, os tempos de intimidade. A gente nem respira e a vida já fica tão de ontem! É esquisito: o amor realizado se torna logo parecido com amizade... Carlos já senta-se e cruza as pernas. Se fumasse, fumaria. E sempre o mesmo ardente, o mesmo entusiasmo... Mas porém cruza as pernas, que é sintoma de amizade. Talvez mesmo pra evitarem o excesso de camaradagem, que traz os dizque e conta os casos desimportantes do dia, eles falam unicamente de amor. Não é por isso não. Fräulein tem de ensinar e ensina, Carlos até pouco fala. Geralmente ele apenas termina os raciocínios da sábia e se deita na sombra mansa das ilações. Carece aprender e aprende." pag. 102

"Carlos carecia de reconhecer que no amor, sem sacrifício mútuo não tem felicidade nem paz, não é?" - pag. 117

"Quais seriam as tendências de Laurita? Porém os pais não se preocupavam muito com as predisposições, ponhamos, artísticas da outra filha. São sempre assim os pais: quando as esperanças se projetam sobre um filho, o resto são sombras mal reparadas. Que vivam, e Deus os abençoe! Amém." - pag. 118

"Ponhamos Carlos de lado, o caso dele é mais particular. Está contente porque Fräulein está contente. O alegra estar junto da amante, só isso. E amor satisfeito, entenda-se, senão dava em poeta brasileiro." - pag. 119

"À sombra do sabugueiro / Sentávamos de mãos dadas, / Éramos no mês de maio / As criaturas mais felizes deste mundo" - pag. 141

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Amor Assassino - Bruna Pereira Caetano, 15 anos e escritora

Só recomendo para pessoas
que tem tempo de ler,
para jovens, adolescentes.
Para quem quer se entreter
e para quem quer fazer uma
leitura despretensiosa.
Amor Assassino foi escrito por uma jovem de 15 anos chamada Bruna Pereira Caetano. O livro é bom, não é ótimo mas vale a pena. Você lê super rápido e é legal para jovens na idade de Bruna.
Amor Assassino conta a história de Mel, uma jovem que perde sua família (mãe, pai e irmão) em um brutal assassinato. Ele só se livrou porque estava numa festa. Sem pais, Mel vai morar com a sua tia numa cidade pequena chamada Luária, fica amiga de duas meninas no colégio - Ana e Pati, e termina se apaixonando por Caio.
Nada melhor que uma adolescente de 15 anos escrever sobre amizade, paqueras e enfim. Até que a personagem Mel é madura. Sim, para uma adolescente eu considero Mel madura. E Bruna soube escrever muito bem o universo jovem.
No começo eu desconfiei que a escritora era jovem, mas ao mesmo tempo eu achava que era uma autora mais velha que conhece muito bem o universo de adolescente.
Apesar de um erro aqui, acolá, coisas nada demais (só no final foi... é... muito esquisito), fiquei chocada quando soube quem era a autora.
Com certeza, se Bruninha Pereira continuar a escrever ela será uma puta escritora. Ela é boa, tem muito o que melhorar, mas não falta tanto.
Ela tem carisma e até consegue prender o leitor até o fim.
SPOILER - Quem leu ou quem não tem vontade de ler leia a seguir:

Como assim, o que foi aquilo no final do livro? Como pode uma garota narrar sua própria história até o momento que morre? Eu sempre achei que ela ia sobreviver porque era Mel que narrava a porra da história! E, de repente, no último capítulo o narrador passa a ser uma terceira pessoa porque Mel morreu e descreveu sua própria morte. Como pode ser porra?! Deixava ela viver, inventava outra coisa dramática, como por exemplo, deixar o Caio morrer ou em estado vegetativo, ou coma ou qualquer merda. Porque Não Faz Sentido!!!

domingo, 8 de setembro de 2013

Citação


"O Jodl", diz Müllner, "imagine, O Jodl acredita mesmo que Deus não existe. E eu, eu não acredito nem mesmo nisso!"
- That's exactly my point of view!

Retirado do livro Correspondência Entre Amigos, de Hermann Hesse e Thomas Man

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Flickr: Flor


Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor, 
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

Machado de Assis
Foto / Galeria
 E hoje o tema da exposição são flores. A exposição completa está no link flowers, plants. Essa coleção de fotos foi selecionada por mim. O recurso "exposição" do Flickr é uma ferramenta muito interessante para quem admira fotos de outros usuários-flickr. Você pode organizar fotos que você gosta por temas e você que define este tema. Neste caso são flores e plantas. Coletei a partir de usuários que estão adicionados no meu perfil. Você não pode adicionar nenhuma foto de sua autoria.

Veja algumas fotos a seguir:

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Citações: O Complexo de Portnoy - Philip Roth

Não vou escrever resenha sobre este livro, mas deixo aqui uma resenha muito boa publicada no Gazeta do Povo e outra no blog Livros Abertos de Camila Kehl.
A edição que eu tenho.
Faz parte da coleção Grandes Sucessos
(amo essa coleção)

"Eles adoram um judeu, sabe, Alex? Toda essa grande religião deles baseia-se na adoração de alguém que na época era reconhecidamente judeu. Agora, que me diz dessa estupidez? Que me diz dessa maneira de jogar areia nos olhos do público? Jesus Cristo, que eles vivem por aí dizendo a todos que era Deus, era na verdade um judeu! E a esse fato, que absolutamente me estarrece quando penso nele, ninguém dá a menor atenção. Que ele era um judeu, como você e eu, que pegaram um judeu e transformaram-no numa espécie de deus depois de morto, depois - e é isso que põe a gente inteiramente doido -, depois os sórdidos miseráveis se voltam; e quem são os primeiros a serem perseguidos na sua lista? A quem, durante dois mil anos, jamais deixaram de assassinar e odiar? Aos judeus! Que, para início de conversa, lhe tinham dado o seu amado Jesus! Garanto-lhe, Alex, que na sua vida inteira você nunca conhecerá uma mistura de porcarias e de tolices asquerosas comparável à religião cristã. E é nisso que acreditam esses assim chamados figurões!"
37

...para infringir a lei, tudo o que se te a fazer é tocar para a frente! Tudo o que se tem a fazer é deixar de tremer e de achar a coisa inimaginável a além das nossas possibilidades: tudo o que se tem a fazer é fazê-lo!
67
A capa que faz mais sentido - amei essa capa

Pregado por cima da pia dos Girardi, há um quadro com Jesus Cristo subindo ao céu numa túnica cor de rosa. Quão asquerosos chegam a ser os seres humanos! Desprezo os judeus pela sua estreiteza de ideias, sua ostentação de virtude, o sentido incrivelmente bizarro que estes homens das cavernas que são os meus pais e parentes têm às vezes da sua superioridade - mas quando se trata de espalhafato e vulgaridade, de crenças que envergonhariam até mesmo um gorila, é realmente impossível superar os goyim. Que espécie de palermas desprezíveis e desmiolados são essa gente para adorar alguém que, primeiro, nunca existiu, e segundo, se existisse, com a aparência que tem no quadro, seria, sem dúvida, o Maricas da Palestina. Num corte de cabelo pajem, uma cútis Palmolive e usando uma túnica que hoje verifico deve ter vindo do Frederick de Hollywood!
135

"Quando tais homens amam, não experimentam desejo, e quando experimentam desejo, não conseguem amar".
149

sábado, 10 de agosto de 2013

Um lixo de música, por que não?


Faz muito tempo que eu não deixo uma musiquinha aqui no blog? Então vamos lá que hoje tem (mais uma vez) uma voz feminina. E a dona dessa voz se chama Shirley Manson. Essa mesmo! É aquela da série¹? Sim! Já sabe a banda? Claro, Garbage. Banda que se formou em 1993 e atuando desde 1994², daí então sua influência grunge (pessoas não vão concordar).

A banda continua na ativa com a Shirley nos seus 46 anos de idade. Seu último álbum é do ano passado e está intitulado amigavelmente como Not Your Kind of People. Calma, não é à toa que a banda se chama Garbage (lixo) e podem contestar meu gosto musical. Gosto sim de música ruim, e daí? Não é porque a banda se chama lixo que é um lixo. Mas sim, é um lixo sim, okay? (retiro o que disse).

Não conheço todas as músicas dessa banda, devo confessar, mas sei que os dois primeiros álbuns foram de grande sucesso e realmente é de lá que têm os hits e músicas que ouço mais.

Clique em "mais informações" para assistir aos 3 videoclipes que vou deixar aqui. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Menina que Brincava com Fogo - Stieg Larsson


O segundo volume da trilogia Millenium foi lançado, no Brasil, em 2009 pela Companhia das Letras. O autor da trilogia é o Stieg Larsson, jornalista sueco que morreu em sua casa logo após ter entregue os originais dos romances que compõem a trilogia Millenium. Não teve a honra de ter visto o sucesso de sua trilogia em 2011. Sessenta milhões de cópias sendo vendidas em mais de 50 países.
Lisbeth e seu ex-tutor Holger Palmgren

A Menina que Brincava com Fogo é continuação do primeiro volume da trilogia - Os Homens que não Amavam as Mulheres. Este segundo romance vai contar a história da personagem Lisbeth Salander em uma trama onde ela está sendo acusada de três assassinatos em Enskede. Sozinha, Lisbeth Salander escondida e disfaçada, vai tentar descobrir quem foi o autor do triplo assassinato e provar sua inocência.

Nos jornais e revistas sensacionalistas, Lisbeth Salander é estampada como a principal suspeita e é vista como uma louca, lésbica e satânica. As poucas pessoas que conhecem Salander acreditam em sua inocência e juntas vão tentar investigar, paralelamente à polícia, quem é assassino.
Lisbeth mudou - tirou algumas tatuagens e alguns piercings
e ainda colocou silicone

A principal suspeita de ter matado Mia Bergman e Dag Svensson é alguém ligado ao tráfico de mulheres, já que o casal estava investigando o assunto. Dag estava bem perto de conseguir o principal articulador do crime. Ele estava trabalhando junto com a Revista Millenium e iria publicar a denúncia em uma edição especial e junto, publicar um livro a respeito (já que a Millenium também publicava livros). Com o assassinato, a edição teve de ser cancelada, já que faltava um último capítulo.

A história a partir daí vai se desenvolvendo e vamos descobrindo aos poucos quem é o verdadeiro assassino, apesar de já suspeitarmos. Mas a suspeita também não vem com a principal causa e depois é que vamos descobrindo até os últimos capítulos.

É neste romance que nos vai estar esclarecido o jeito Lisbeth Salander de ser - como foi sua infância e adolescência. 
Há outras biografias, mas esta do Jan-Erik
Petterson é a mais conhecida no Brasil

Toda a escrita de Stieg Larsson é muito minuciosa, acreditamos em tudo que lemos porque tudo é possível de acontecer na vida real. Tanto é que algumas coisas dessa trilogia aconteceu de verdade. O próprio personagem Mikael Blomkvist é considerado o retrato do autor. E Lisbeth, uma garota que Larsson viu sendo estuprada por homens.
Até a morte do autor é um mistério, muitos acreditam que sua morte tem a ver com algo que ele publicou já que ele mesmo diz ter sido perseguido e ameaçado de morte.

Jan-Erik Pettersson, escreveu uma biografia sobre Stieg Larsson, seu colega de trabalho. Livro que desejo ler após ler A Rainha do Castelo de Ar, o terceiro volume da trilogia. Há rumores que haveria um quarto romance, mas Larsson morreu antes de terminar e talvez a sua esposa termine o livro para os fãs. Espero que fique ao estilo do jornalista.

Adaptações para o cinema

O primeiro romance têm duas adapções - a americana e a sueca. A adaptação sueca está completa e quem já leu a trilogia já pode correr pra locadora e assistir.

A adaptação americana está no primeiro volume por enquanto. Há rumores que o ator Daniel Craig não aceitou o cachê ou algo do tipo e não sabemos ao certo se haverá continuação. Mas parece que terá sim em 2014. E por falar nisso, eu gostei do elenco de ambos os filmes.

Curtindo as férias nos hotéis. Saiba como ela conseguiu tanto dinheiro
lendo o primeiro romance da trilogia
Assisti a versão sueca para este segundo romance e gostei. Apesar de, como sempre, eles terem tirado muitos fatos do livro (mais de 500 páginas para um longa não dá). E também acrescentaram ou mudaram certos personagens. Aqui ou ali sentimos falta de alguns personagens, mas nada demais.

Quem conhece cinema deve entender que um filme fiel fica difícil e complicado. No caso dessa trilogia, eu entendo perfeitamente. O meu sonho é que essa trilogia fosse adaptada para uma série. E aí sim poderíamos ter uma adaptação fiel e de qualidade. Mas nem tudo são flores não é?

Do blog Reading and Reviewing, ela capricha nas fotos
e coloca no Flickr
Curiosidades
  • neste segundo filme sueco, o boxeador Paolo Roberto interpreta seu próprio personagem;
  • foi indicado em 2010 ao melhor filme (voto popular) na European Film Awards;
  • seu orçamento estimado foi de 4 milhões de euros;
  • o nome V. Kulla, presente na porta do apartamento de Lisbeth Sallander, é uma referência à personagem Pippi Longstocking, criada por Astrid Lindgren, que mora na Villa Villekulla;
  • logo no início, na cena em que os editores da Millennium se reúnem no escritório, uma pilha de revistas pode ser vista numa das mesas. Nela está em destaque a EXPO, a revista anti-fascista que Stieg Larsson, autor da trilogia "Millennium", ajudou a criar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Fuga - Fernando Sabino


Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

- Pára com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.

Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

- Pois então pára de empurrar a cadeira.
- Eu vou embora – foi a resposta.

Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da dispensa? – a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

- Viu um menino saindo desta casa? – gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

- Saiu agora mesmo com uma trouxinha – informou ele.

Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e – saíra de casa prevenido – uma moeda de 1 cruzeiro. Camou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia a distância.

- Meu filho, cuidado!

O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho:

- Que susto que você me passou meu filho – a apertava-o contra o peito, comovido.
- Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

- Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.
- Me larga. Eu quero ir embora.

Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da dispensa.

- Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.
- Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

E o barulho recomeçou.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

25 de agosto - O Dia do Chacal

Sinopse

Irresistivelmente charmoso, Chacal é o matador de aluguel contratado para por fim à vida do General Charles de Gaulle. Seu desafio é burlar a fantástica muralha de segurança que cerca o presidente francês. A OAS, Organização do Exército Francês, facção de extrema direita contrária à independência da Argélia, decide que o general Charles de Gaulle precisa morrer. Acontece que a segurança do presidente francês é uma das melhores do mundo, praticamente intransponível. Por isso não bastava um plano excepcional para assassinar o general. Era preciso encontrar o homem certo, o único capaz de conseguir essa proeza. Ele é o Chacal, um assassino sem identidade, que trabalha nas sombras e mata sem titubear quem atravessa seu caminho. A fantástica trama e o trabalho do enigmático personagem conseguem prender a atenção do leitor com inigualável competência, fazendo com que as quase 500 páginas do livro sejam praticamente lidas de uma só vez. Inspirado em personagens reais e resultado de anos de pesquisa, "O Dia do Chacal" é o primeiro bestseller de Forsyth. 

O Dia do Chacal de Frederick Forsyth foi um dos melhores livros que eu já li em questões de narrativa e enredo.

O autor
Nasceu em 1938 na Inglaterra. Começou a trabalhar como piloto de avião comercial e tinha como sonho viajar e ser correspondente no exterior. Foi o que fez. Tentou carreira no jornalismo e se tornou correspondente de uma agência em Paris onde acompanhou o caso político do país. E foi assim que ele conseguiu um ponto de partida para o seu livro O dia do Chacal (The day of the Jackal).
A experiência de ser correspondente em Paris o fez entrar em contato com o drama político internacional tornando-o obsessivo. Acumulou pilhas de papel com anotação sobre o caso antes de começar a escrever o livro.
Como repórter, Forsyth ficou famoso por sua extraordinária acuidade, além de escrever com muita rapidez - embora só com dois dedos - e por isso sua profunda admiração pelos mestres do romance policial, principalmente o fracês Georges Simenon.
Ao observar os serviços de segurança ao redor do General De Gaulle, Forsyth imaginou se seria possível burlá-los. "Era um exercício acadêmico" - diz o escritor - "como faria para atravessar esses círculos concêntricos de segurança?" E foi assim que nasceu a ideia em 1963 em escrever seu primeiro livro.
Qual é o segredo desse livro? O autor responde que são os detalhes de todo tipo, ser meticuloso. O segredo é ser fiel à realidade. Assim como o faz Stieg Larsson, onde os detalhes existem e certa parte ali escrita é não-ficção, como a conspiração em torno desse caso político da França.
Pensei que ele tinha morrido, mas tá vivo com 74 anos.

Enredo e narrativa
A narrativa traz detalhes que de longe parecem ser desnecessárias, mas percebemos o quanto elas são importantes para a leitura se tratando de Frederick Forsyth.
Ela é escrita em forma de diário tendo o primeiro dia, a primeira semana e datas enfim (nesse sentido), mas é escrita em terceira pessoa.
Voltando ao enredo. Mesmo o presidente da França tendo muitos inimigos é a OAS que toma a iniciativa de acabar com o poder do presidente e tomar o seu lugar (que era a missão primordial do general Gaulle), porém a segurança em torno do presidente era a melhor do mundo e 6 tentativas contra a sua vida foram em vão, por vários motivos, tanto pela segurança, quanto por traição e por negligência (até mesmo por um detalhe pequeno e bobo).
A Organização foi se tornando mais fechada e o "cabeça" Rodin resolveu fazer tudo diferente dessa vez. Rodin queria contratar um "hitman" fora de seu país que não tenha ligação com a França emocionalmente, politicamente nem nada. Um assassino frio que faria aquilo por dinheiro, diferente daqueles que tentaram anteriormente bufando ódio contra o presidente da França.
E foi assim que eles contrataram o homem de codinome Chacal. Um possível inglês que, em suas outras missões, praticamente não falhara e nunca fora pego.
Não posso mais falar porque a partir daí pode ser spoiler.

Frederick Forsyth e Stieg Larsson
Narrativa - Percebi uma semelhança com o sueco Stieg Larsson na trilogia Millenium que, assim como o Forsyth, era jornalista e escritor. Não sei se é por esse fato, mas essa forma de diário escrito em terceira pessoa cronologicamente marcado se tornaram uma semelhança absurda. A única diferença é que Larsson divide o enredo em capítulos com datas enquanto o Forsyth divide em sua própria narrativa que para mim torna a leitura mais coerente. Eu, sinceramente, quando tou lendo A Menina que Brincava com Fogo esqueço às vezes de ler o capítulo (que é uma data). Mas isso também não torna a leitura menos compreensível.
As quebras de página para narrar algo que está acontecendo naquela hora mas em outro lugar também está presente nas duas narrativas. Enquanto vamos sabendo do plano do Chacal, paralelamente estamos sabendo do plano de segurança do presidente. Ou seja, o leitor é onipresente. 
Larsson também faz isso, mas de forma mais sutil, com menos detalhes e mais informações.
Se alguém me perguntasse assim:
Paty, qual dessas histórias te deixou mais próxima do enredo?
Eu responderia imediatamente O dia do Chacal.
Acho que Larsson teve uma grande influência do Frederick Forsyth. Provavelmente ele foi muito fã desse escritor e isso se refletiu na narrativa da trilogia Millenium.
Mas tudo isso pode ser viagem minha. Eu li O dia do Chacal enquanto lia A menina que brincava com fogo e enfim, talvez seja isso. Pela semelhança, não leia os dois juntos, com certeza você vai deixar uma delas de lado e eu preferi O dia do Chacal. Apesar de ser muito fã da trilogia, virei fã do Forsyth!

Chacal
Para mim, Chacal é um personagem fantástico. Ele é inteligente, calculista, bonito, elegante, charmoso, frio, forte e... vamos à citação onde o autor narra a intimidade da baronesa tendo relação sexual com Chacal:
Tinha sido muito bom. E esse primitivo inglês fora um tanto enérgico mas muito experiente, sabendo usar os dedos, a língua e o pênis para provocar cinco orgasmos nela e três nele. Sentia ainda o abrasador calor que a dominara quando ele chegava ao fim, e sabia que tinha precisão de uma noite como aquela, há tanto tempo, que mostrara uma reação que em muitos e muitos anos nunca sentira.

Filme
Infelizmente eu estava tão ansiosa para comentar sobre o livro que não esperei para assistir ao filme. Ou aos filmes, já que são dois.
O filme, pelo que me contaram, teve muitas críticas negativas por parte dos leitores. 
Assim como foi difícil transformar Millenium em filme, O Dia da Chacal deve ter sido muito mais complicado. Eu sei que em Millenium, muitas coisas não foram para o filme e algumas coisas foram adicionadas. Eu não me senti traída, porque livro e audiovisual são veículos diferentes.
No caso dO Dia do Chacal, eu acredito que muita coisa foi tirada, mas não vejo motivo de acrescentar cenas que não tem no livro. Por causa dos detalhes e do enredo do autor. 
Vou assistir ao(s) filme(s) e depois, quem sabe, eu volto pra comentar.
Primeira versão - pelo trailer parece ser mais fiel.
Segunda versão - parece ter acrescentado algumas cenas, com certeza. Mas Bruce Williams como Chacal ficou perfeito. Bem parecido como imaginei.

Para quem leu o livro e quiser discutir o final, é só colocar nos comentários. Louca pra assistir aos filmes pra saber como eles interpretaram o final.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Fernando Sabino e A Vitória da Infância

Oi você fantasma que lê meu blog. Porque sim, eu escrevo pra ninguém e tou quase desistindo de fazer atualizações.

Hoje não vim apenas para atualizar o blog, como também para apresentar um livro a vocês que eu li do Fernando Sabino. Sabino nasceu em BH em 1923 e morreu no Rio de Janeiro no dia 11 de outubro de 2004. Ele foi escritor e jornalista (apesar de ter sido bacharel em Direito).

Aos 13 anos publicou seu primeiro conto e aos 15 já escrevia artigos, contos e crônicas para revistas literárias. Seu primeiro romance foi O encontro marcado (1956) e com O grande mentecapto (1979) recebeu prêmio Jabuti.

Fernando Sabino escreveu livros nos gêneros contos, crônicas, novelas e romances. Algumas coisas como como palavras, gestos, fatos "banais", cenas do cotidiano se tornam significativos em seus textos. O autor mistura realidade e ficção que torna várias situações interessantes com humor e simplicidade.

Sua linguagem é bem leve, simples e gostosa de ler. É possível ser lido de crianças à pessoas idosas e a leitura vai fluir.

A vitória da infância é uma coletânea de textos sobre a infância e do universo infantil sob a ótica do adulto. Neste livro você vai encontrar contos/crônicas (textos curtos, rs) onde você vai rir com as traquinagens das crianças, da simplicidade e ingenuidade delas. Também vai encontrar os adultos, principalmente o pai, meio infantil, meio nostálgico e até mesmo em um universo ingênuo.

No fim de um texto você pode ainda estar rindo, mas quando passa adiante vê que tem um mundo ali que não deveria fazer parte do universo infantil. Trata-se da violência, da pobreza, da exploração, humilhação. Há uma reflexão muito bonita. De perto e de longe (observando), Sabino consegue passar uma realidade que não enxergamos ou que ignoramos enxergar.

Depois da leitura, você vai poder relembrar coisas de sua infância. E em algumas vezes você vai se identificar com algumas histórias.

Esses textos sobre a infância são fragmentos de vários livros do autor como:


Por isso, recomendo o livro para quem ainda não conhece as obras do autor. Ou se você gosta desse mundo infantil (nostálgico até), vale a pena. E até pode ser uma dica de presente para uma criança (não muito pequena).

Onde comprar?

terça-feira, 25 de junho de 2013

Blade Runner no tempo e no espaço de Los Angeles


Uma pequena homenagem, já que o lançamento do filme foi há exatamente 31 anos atrás. 
Um dos filmes que marcou a minha vida no mundo do cinema.


domingo, 16 de junho de 2013

Dançando com Shirley MacLaine

Dançando na Luz (Dancing in the Light) não é um livro para qualquer pessoa. "É compreensível que leiam com ceticismo o que acabei de contar", é o que diz a primeira frase do epílogo.

Eu sei que eu deveria ter esperado a enquete terminar e ver o resultado, mas não resisti -.-

Dançando na Luz conta a história de Shirley MacLaine após seu aniversário de 50 anos de idade. (Hoje ela tem 79 anos). Mas é uma história muito envolvente, cheia de coisas misteriosas, coisas maravilhosas e também coisas atordoadas. Seu relacionamento com a filha Sachi, com os pais, com o ex. Mas o que mais se mostra nesse livro é a sua relação com a espiritualidade.

Shirley MacLaine nasceu na Virgínia. Começou sua carreira na Broadway como cantora e dançarina e depois passou para o cinema atuando em filmes e na televisão. Viajou muito pelo mundo tendo várias experiências interessantes. Shirley é estrela dos Estados Unidos admirada no munto inteiro.

domingo, 9 de junho de 2013

Vocais femininos II

Como havia prometido, um segundo post de vocais femininos. Se alguém tiver mais sugestões, comente que terá um terceiro post com o mesmo tema.


sábado, 1 de junho de 2013

E o tal do cartão-postal?

Faço coleção de cartão-postal e quem puder contribuir, 
deixa um comentário nesse post que mando meu endereço. 
A gente troca correspondência e quem sabe uma amizade legal? 

Cartão-postal Agfa com fotografia P&B do Morro do Pico, impresso por C M&S, provavelmente anterior ao ano de 1960 Fonte

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Artigo de Opinião - Espiral do Silêncio, medo do isolamento e Facebook

Espiral do silêncio é uma teoria bem pensada da filósofa e socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann para explicar o por quê de algumas pessoas permaneceram silenciosas por acharem que, expressando suas opiniões, fique isolado da sociedade, por achar que é minoria. Geralmente, esse receio faz sentido, já que, expressar sua opinião trará, provavelmente, o comportamento negativo das pessoas. Ou seja, o indivíduo se auto-censura, se priva de proporcionar uma outra reflexão sobre determinado assunto.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Poesia da Semana

Rascunhos de Pensamentos

Um pedaço de papel qualquer,
uma mesa de bar.
Ao relento, pensamento vão,
nem sempre atento, os leva o vento.
Tento ordená-los, porém o vendaval
de sonhos os transforma em surreal.
Serena de ideias, orvalho de sentimentos,
sutileza do subconsciente
de aceitar o esquecimento.

Livro: Derramando Versos
Autor: Luis Eduardo Garcia Aguiar
Valor: R$20,00
Onde comprar: Editora Babecco

sábado, 4 de maio de 2013

Arte e Artifício



O que é arte?

Como se tem definido arte?

Arte é tudo o que demanda criatividade na produção do belo, do que produz prazer aos nossos sentidos. Não quero entrar na questão ética de prazeres imorais. E o que é criatividade, e para que serve?

Criatividade advém de uma necessidade, e necessidade, de uma urgência. Urgência incita decisão e iniciativa e, por fim, atividade criativa.

Dessa urgência emergem tanto as invenções da humanidade em geral, como também as obras de arte. As obras de arte, podemos dizer, surgiram para suprir uma necessidade. A necessidade de bem estar e de comunicação, uma forma de comunicação e também, em certo sentido, como forma de preencher o vazio. Sim, vazio, porque a mente humana detesta espaços vazios, tempos vazios, espaços em branco etc, enfim, a mente humana necessita de sentido. Comunicação porque os homens precisam de algo com que se comunicar, com os Deuses ou com os próprios homens. Depois a arte se sofisticou e passou a ser também uma forma, uma maneira de ostentação de poder e riqueza. Aliás poder, juntamente com misticismo, eram atributos necessários aos intermediários entre os Deuses e os homens, para que se fizesses mais críveis e, portanto, mais poderosos. Da arte, na forma de símbolos, desenhos, pinturas etc. se utilizam para dar forma ao seu poderio, justificar seus atos e manter seu status quo.

É de se notar que, antes de a humanidade se tornar tão laica, científica e tecnológica, prática e consumista (não estou falando, naturalmente, da idade da pedra), que os objetos de uso prático eram acompanhadas de alguma espécie de ornamento. E esses ornamentos refletiam as crenças, mitologias, estórias ou as formas da natureza. Estas eram mais admiradas do que hoje são. Para tanto eram necessários que artesãos, artistas, pessoas mais habilidosas e disponíveis para exercerem essa tarefa, passassem a aprimorar suas ferramentas e suas técnicas de trabalho. E isso resultou no desenvolvimento de todos os tipos do que hoje chamamos de arte: desenho, pintura, escultura, teatro, e mais recentemente, fotografia, cinema, etc.

A arte é útil e necessária ao nosso bem estar, nosso bem viver, harmonia com os homens, os Deuses e a mãe natureza. A arte é um atifício humano para o bem viver. Para nos dar utilidades e prazer. E a estética (ou seja, o estudo, ciência ou filosofia que se debruça sobre o que agrada (dá prazer) aos nossos sentidos) procura dizer o que pode ou não pode ser considerado arte, ou seja o que produz ou não esse prazer, estético.

Por Cleator Draden

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Assisti e gostei!

1. Golpe de Mestre (The Sting) - (1974) - George Roy Hill

Illinois, 1936. Dois vigaristas dão um golpe em um capanga de um chefão e embolsam uma grana alta. Mas isto não fica por assim, pois o chefe da quadrilha decide se vingar e mata um daqueles que lhe aplicaram o golpe. Porém, o outro foge e entra em contato com um ex-parceiro, sendo que ambos decidem aplicar no criminoso um tremendo conto do vigário, que abalará tremendamente as finanças deste chefão mafioso. Ver Trailer

2. Drácula de Bram Stoker (1992) - Francis Ford Coppola

No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas "noivas" e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana, no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos. Ver Trailer