quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Charles Bukowski e Numa Fria

Só tem essa edição no Brasil

Há tempos já que me falavam sobre o tal Heirinch Karl Bukowski, mais conhecido como Charles Bukowski. Eu não sou do tipo que leio livro por indicação dos outros. Às vezes é porque eu já conheço o autor ou porque eu li um pouco na livraria. Claro que eu sempre leio resenhas dos livros e até mesmo no youtube e etc, mas nunca decido em ir lá, comprar e ler. Eu por acaso ia passando pela Rua do Lazer (é o lugar onde você gasta dinheiro com artesanato, livro e revista. Às vezes até fruta! Mas é mais conhecida pela quantidade de alternativas para lanchar), e, de repente me deparo com o nome "Bukowski" e uma capa bem simpática (vai entender meu gosto). - Por quanto tá moço? - Oito reais. Pensei: "Só isso?! Vou comprar!". "Só isso" entre aspas porque estava usado. Mas na hora em nem pensei nisso (acostumada com livros caros).

Se for cerveja preta eu quero hein?

A fama de um escritor excelente não está errada. Bukowski é do tipo que não mede palavras. Dei uma lida agora sobre o tal no grande Wikipédia e realmente foi o que eu achei quando eu li "Numa Fria". Eu sou um pouco suspeita justamente por só ter lido essa obra que é um conjunto de contos.

"Numa Fria" reúne 36 contos pequenos (e espero não estar errando no número), e que basicamente fala de relações conturbadas entre marido e mulher, relações extra-conjugais, jogo de cavalo, música clássica, bebida, erotismo e promiscuidade. Além de um pouco de violência. 

Como já falei o autor não mede palavras, faz uso do coloquialismo, gírias, palavrões. Tudo que nos rodeia, ou que pelo menos rodeou o mundo dele nos becos dos EUA, estava lá muito bem gravado e caracterizado nos personagens, nas observações e ações. 

Safadinho nada hein? Cara de malicioso!

A gente vê [um pouco] de personagens infantis, vagabundas, promíscuas, boêmias, chatas, enfim. Era tudo a realidade em que ele viveu por muitos anos nos EUA. Ele era alemão, mas foi bem cedo se virar na América e teve de tudo que era profissão. Chegou a estudar jornalismo, mas nunca se formou. Teve problemas com alcoolismo, com o pai e com sua aparência. Dizem que ele é o Henry Chinaski em suas obras (parecidíssimo com seu nome não?). E se não for demais, seus personagens eram reais. Até porque ele repete seus personagens em outras obras.

Na obra, a gente vê personagem que é escritor, que procura publicar seus livros e vive de recitais de poemas bem polêmicos. Na verdade, Bukowski estava se descrevendo em seus personagens.


Ler Bukowski é estar bem pertinho dos guetos, dos becos, talvez da favela se tratando do Brasil, rs. Se você acha que se incomoda com palavrões, gírias, sexo, palavras feias, gente fedendo, gente alcoolizada, promíscua, pobre enfim.... não leia! Ou pela menos leia pra perder o preconceito.

Se Bukowski descreve sua vida também em "Numa Fria", a gente já sabe que a vida dele não foi nada fácil.
"Quem já leu Bukowski, está preparado pra ler de tudo" disse eu à uma colega um dia desses. Ela concordou! 
"Numa Fria" não é o livro mais conhecido. Na minha opinião "Pulp" e "Misto Quente" são as obras mais famosas. E ao contrário de "Numa Fria", os dois são romances. Mas ele tem uma vasta lista de obras, é só dar uma pesquisada.
O autor morreu aos 73 anos em 1994. Nas fontes em que pesquisei, um diz que ele morreu de pneumonia e o outro diz que foi de leucemia. Em seu túmulo tem escrito "Don't Try" então nem tente viu?!! (????)