sexta-feira, 27 de julho de 2012

Meu sol sorridente


Eu acordei aos poucos e quase não pude acreditar. Havia perdido dias e dias deitada, quase como o famoso "ao relento". Não pude escutar os sons da orquestra da matina: as folhas se movimentando, os pássaros cantando, o vento soprando. Mas, mais que o som, a bela vista do sol, ainda escondido, mas já iluminando portas de casas, varandas, mar, horizonte, árvores. E eu estava dormindo. Quando o sol aparecia, eu olhava pra lá sorrindo e dizia: "Ai que dia maravilhoso". Tendo a certeza absoluta, que o dia ia ser um sucesso até a luz da lua, igualmente bela. Mas agora eu estou dormindo. A vida é engraçada, mas não é ela a injusta, a culpada dos desastres. Nós somos responsáveis pelos dias ruins, pela injustiça, pela tristeza. Como pode o mesmo sol sorrir pra todos e eu só sorrir dezenas de vezes para ele? Foram milhares de vezes que eu perdi o show, e nem sei mais como posso aproveitar. O que há agora de errado? Em mim? Eu acho que eu sei: falta de fé. Deus, me perdoe por eu ter estado tão longe de ti. Eles te chamam de tantos nomes aqui na Terra, eles são tão inocentes e ingênuos. Até os que acreditam não acreditar em ti, te confundem com alguém que existiu, alguém que já foi matéria. Como podem? É por isso que não acreditam em ti! Te chamam de "Senhor", de "Jesus", eles parecem não te conhecerem. Eu acho que preciso ser irônica: Ore por nós!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sidarta

Se você não quiser ler o livro por falta de tempo, leia primeiro aqui no Wikipédia, uma síntese de cada capítulo e você verá que é muito válido ler este livro.

Sidarta é um romance escrito por Hermann Hesse. A sua primeira publicação foi em 1922 e conta passagem da sua vida e pensamento durante a sua estadia na Índia em 1910, inspirado na tradição contada de Siddhartha Gautama, o Buda. O livro trata basicamente a busca pela plenitude espiritual, e o alcance de estados em que a mente humana se encontra absolutamente completa e plena.
 


Sidarta é um jovem filho de brâmane, que tem como amigo Govinda. Sidarta é admirado por todos ao seu redor, mas carrega consigo pensamentos inquietantes. São questionamentos que o deixa desconfortável, ele questiona até mesmo sobre o divino, sobre sua existência. Onde habita a verdade?

Seu pai o pediu para encontrar com os samanas, e com eles, Sidarta deu suas roupas a um brâmane ficando apenas com a tanga e manta parda, passou 15 dias de jejum fazendo apenas uma única refeição por dia e deixava de comer alimentos cozidos. Por este longo período, Sidarta observou o comportamento de diferentes pessoas e profissionais. Cada vez mais, Sidarta via falsidade, para ele, a vida era um tormento. Seu objetivo era tornar-se vazio, "vazio de sede, vazio de desejos, vazio de sonhos, vazio de alegria e de pesar.". "Os samanas ensinavam muita coisa a Sidarta e ele aprendia numerosos métodos de separar-se do eu." Sidarta confessa ao Govinda que aprenderia a arte da meditação mais depressa e com menos esforço sem os samanas. E depois questiona: "O que é a meditação? O que, o abandono do corpo? Que significa o jejum? E a suspensão do fôlego?". E ele mesmo responde "São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, o sofrimento e a insensatez da vida." 

Sidarta questiona até o mais idoso dos samanas, o mestre, dizendo que este com os seus 60 anos, nunca alcançou e nunca alcançará o Nirvana, e ninguém alcançará.

Posteriormente, Sidarta e seu amigo descobrem a chegada do Buda em uma cidade. Eles vão então até a cidade, e acham o Buda sem dificuldades, mesmo ele usando os trajes comuns de tantos monges que ali se reuniam. Govinda, que sempre foi a sombra do Sidarta, resolveu ir com os discípulos de Buda. Mesmo tomando essa decisão sozinho, Govinda esperava que Sidarta fosse com ele, mas não foi o que ocorreu e disse: "Govinda, meu caro, acabas de dar o passo e de escolher o caminho. Sempre fôste meu amigo, ó Govinda, sempre andaste um passo atrás de mim. Freqüentemente pensei: será que Govinda nunca dará um passo sozinho, sem mim, pela iniciativa da sua própria alma? Pois é, e agora te tornaste homem e tu mesmo deteminaste o teu destino. Oxalá consigas chegar ao fim da tua jornada, meu querido! Que encontres a salvação!". Depois disso, Sidarta teve um belo encontro com o Gotama (Buda), uma longa conversa de dois grandes sábios. Depois dessa conversa, Gotama pediu-lhe que refletisse melhor sobre sua doutrina, já que Sidarta encontrava falhas. Então Sidarta, que tanto gostou da presença dele e nunca teria sentido isso antes, refletiu um pouco mais, e nasce aí mais um capítulo: O Despertar. 

Até agora descrevi um pouco a primeira parte do livro de Hesse, que termina com "O Despertar", depois começa a segunda parte. Vale a pena ler o livro antes que eu descreva o restante.




Sidarta é uma leitura fascinante: quanto mais você lê, mais você quer ler. Sidarta é mais que um livro. É uma lição, é um despertar do ser, é uma reflexão a cada linha sobre a vida, sobre o mundo, sobre os desejos, anseios, prazeres. Se você ler, vai entender o que há além de tanta matéria, você vai entender a plenitude que é o desapego e busca pela paz.


Frases


"É verdade que um beberrão obtém o esquecimento. Certamente se lhe oferecem breves instantes de fuga e de sossego, mas sempre regressará do mundo da ilusão e tudo se lhe deparará como antes. Ele não se torna mais sisudo, não colhe conhecimentos, não sobe nenhum degrau."

"Tornei-me desconfiado com relação a ensinamentos e aprendizagens, que me cansei deles e que minha fé em palavras pronunciadas por professores diminuiu muito."

"O amor pode-se mendigar, comprar, receber de presente, mas nunca roubar pela força."

"Nada é obra dos demônios, já que não há demônios. Cada um pode ser feiticeiro. Todas as pessoas são capazes de alcançar os seus objetivos, desde que saibam pensar, esperar, jejuar."