quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Os poetas místicos são filósofos doentes,

E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

- ALBERTO CAEIRO

sábado, 16 de outubro de 2010

Só para loucos, só para raros

Ainda lendo o livro (O Lobo da Estepe), fascinada e também intrigada.
Vi alguns comentários de quem leu o livro, inclusive do meu pai. Observei que todos se viram dentro de Harry. Confesso que eu me identifiquei inteiramente com o personagem. A idéia de suicídio, o niilismo, a perda do sentido da vida, filósofo vagabundo.
É..., mas será que todos iriam se identificar com o personagem?
Se somos múltiplos, e não metade homem metade animal, nos identificaríamos com o Harry, todos nós.
Sim, todos nós. Mesmo àqueles que estão presos nas macetas da alienação, deve se perguntar, se questionar pelo menos uma vez, de onde surgiu tanto fanatismo, o por quê de ser quem é.
Hoje em dia se busca muito a perfeição em relação à tudo, mas não existe perfeição. Sim, não existe. Todos queremos ser da melhor maneira possível, mas isso depende de onde você vai buscar e tirar os instrumentos. Se somos perfeitos, ou buscamos, somos diferentes um do outro, o que é perfeição pra mim é isso, o que é perfeição pra você é aquilo. Buscamos coisas diferentes, mas sempre estamos em busca, nunca chegaremos à perfeição, porque não somos todos, quer dizer, somos todos, mas nos prendemos a um ou dois, então nunca seremos completos, por isso nunca seremos perfeitos.
O que nos aflinge a alma?
Sim, eu e muitas pessoas odeiam a sociedade e viver nela é um desafio. Daí você se sente cansado, vivendo em seu mundinho obscuro, se autodestruindo com cigarros e bebidas perambulando sem saber o que fazer, perdido num Planeta totalmente diferente daquilo que idealizamos.
O que seria a solução?
Aprender a viver em sociedade? Tá, a partir daí você usa sua outra personalidade, já que somos múltiplos, temos várias almas pra utilizar. Aprendi, desfrutei, participei daquilo que era "normal" e me matei. Voltei a ser o que era antes, ops, voltei à minha alma antiga.Agora vamos deixar de intelectualismo. Vamos voltar a ser inocente, criança outra vez. Vamos rir do humor onde não há humor, vamos gargalhar e depois puxar o gatilho e... matei a criança dentro de mim outra vez. Matei minha alma inocente desta vez.E agora?
Solidão. Não há o que fazer, não há o que mudar, não há solução pro Lobo da Estepe.
Se sou uma, aprendo a viver com ele, da melhor forma possível. Mas sei que matando minha multiplicidade não resolve, porque minha imortalidade depende desses momentos, desses pequenos e raros momentos em que consigo sentir prazer e desejo.
Pois será mesmo que essa personalidade é só para os raros e loucos?
[contém vídeo, clique na foto]